Economia
Interferência na Petrobras é ruim para empresa e para a economia do país, dizem analistas
Avaliação é de que a empresa não deve cometer novamente o erro de investir em projetos que não gerem retorno
CNN BRASIL / PEDRO ZANATTA DA CNN
Especialistas ouvidos pela CNN avaliam que um ambiente com menos interferência governamental é benéfico para a gestão e a saúde financeira da Petrobras. O entendimento é de que a empresa não deve cometer novamente o erro de investir em projetos que não gerem retorno e de que sejam respeitados todos os demais acionistas da estatal.
Desde que foi eleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem criticando a política de preços da estatal e o pagamento de dividendos aos acionistas. Além do presidente, quadros importantes do Partido dos Trabalhadores (PT) também já demonstraram insatisfação com a estatal. No início deste mês, a presidente do PT, Gleisi Hoffman, publicou, em suas redes sociais, críticas ao modelo de dividendos da Petrobras e defendeu que uma revisão seja feita.
Em sua primeira entrevista coletiva à imprensa, o novo presidente da companhia, Jean Paul Prates, afirmou que o Preço de Paridade Internacional (PPI) deixa de ser o único parâmetro para a estatal na definição de preços.
As sinalizações acenderam no mercado temores de que a empresa possa sofrer um novo período de maior interferência em sua gestão.
“Cada governo tem uma ideia do que fazer com a empresa, mas às vezes não se entende que existem acionistas privados e você precisa respeitar esse dinheiro e não pegá-lo e investir onde não há retorno. Se o governo quiser usar a empresa para fazer programa social, reduzir a inflação, o correto seria fechar o capital da Petrobras e faz o que quiser com ela. Agora, enquanto empresa de capital misto, isso não deveria ser feito. O presidente tem que cuidar da Petrobras e o governo cuidar do país”, diz Adriano Pires, comentarista de Energia da CNN.
Leia Mais
TCU deu aval à venda de refinaria da Petrobras para árabes; estatal avalia nova apuração
Projeto político de presidente da Petrobras pode influenciar gestão
Petrobras não cumpre meta em 2022 e investimentos voltam ao patamar de 2004
Pires lembra que, no período em que a empresa conviveu com interferências políticas e direcionamentos de investimentos para projetos que não trouxeram retorno, sua dívida alcançou US$ 150 bilhões, a maior dívida de uma corporação do mundo.
“Hoje ela tem uma dívida de US$ 60 bilhões. Agora ela voltou a dar dividendos para o acionista, voltou a pagar impostos. E o governo [de Michel] Temer promoveu um certo saneamento na Petrobras. Realizou venda de ativos que não davam retorno, e trouxe um foco maior em exploração de petróleo. Nos dois últimos governos você recuperou a Petrobras”, disse.
Para João Lorenzi, analista da Encore Asset, a avaliação é de que “basta a Petrobras não arcar com custos que não são de responsabilidade dela”.
“O erro é artificialmente arcar com custos que não são da Petrobras, custos que são do país, subsídios a combustíveis, por exemplo. O problema é o governo usar a Petrobras para isso”, comenta Lorenzi.
Prates tem reforçado que a empresa terá um compromisso com a transição energética e investimentos em energias renováveis.
Para os economistas, é interessante que a estatal tenha esse planejamento, uma vez que outros países e empresas petroleiras caminham neste sentido. Entretanto, a avaliação é de que deva existir uma prudência para evitar uma guinada que faça a empresa deixar de lado o seu “core business”, ou seja, sua atividade básica, que é o setor de óleo e gás.
“Quando se diz em investimento em eólica, não tem problema. Desde que o investimento dê retorno para a empresa diversificar o portfólio. Não esquecendo que o negócio principal é óleo e gás. A preocupação que temos é de o governo que entra achar que a empresa é dele”, avalia Pires.
Nesta terça-feira (21), em entrevista ao portal Brasil 247 Lula disse que pediu ao presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que suspendesse todas as vendas de ativos da estatal. O presidente voltou a criticar a empresa e os salários pagos à alta cúpula da companhia.
Lucro recorde
No início do mês, a Petrobras divulgou que seu lucro líquido registrado em 2022 foi de R$ 188,33 bilhões, recorde histórico da estatal. O resultado é 77% maior que do ano anterior.
Se considerado o quarto trimestre, o lucro líquido registrado é de R$ 43,34 bilhões, alta de 37,6% em relação ao terceiro trimestre.
O montante veio acima do resultado esperado por uma pesquisa da Refinitiv, que era de R$ 37,61 bilhões. O Ebitda – lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação – ajustado no período foi de R$ 73,09 bilhões.
Na ocasião, a estatal divulgou seu balanço do quarto trimestre (4T22) e consequentemente os resultados do ano de 2022.
Tópicos
Leia mais



Primeira página
Coronel Sapucaia
Suspeito de homicídio morre em operação contra facções
Coronel Sapucaia
PM prende indígena após nova ocupação em fazenda de Amambai
Coronel Sapucaia
Veja as dezenas de hoje na Dupla Sena, Lotofácil, Super Sete e mais

