• Segunda, 28 de Setembro de 2026

MS tem estrutura para só 59% da armazenagem necessária de grãos

Novo levantamento aponta que 9 em cada 10 municípios produtores apresentam déficit de estocagem

GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Colheitadeira opera em campo cultivado com milho em MS; mau tempo castigou a produção. (Foto: Aprosoja)

Mato Grosso do Sul dispõe de apenas 58,8% da capacidade de armazenagem considerada necessária para a produção de soja e milho. O Estado possui estrutura para guardar 17,19 milhões de toneladas, enquanto a necessidade calculada chega a 29,22 milhões, diferença de aproximadamente 12 milhões de toneladas.

O déficit atinge 71 dos 78 municípios produtores de grãos analisados, o equivalente a 91% do total. Os dados constam no painel de armazenagem da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), atualizado nesta segunda-feira (28), a partir de informações da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e de levantamentos de campo.

A conta considera a média das últimas cinco safras de soja e milho. Na temporada 2025/2026, a produção dos dois grãos em Mato Grosso do Sul é estimada em 27,9 milhões de toneladas. A capacidade instalada está distribuída entre 799 complexos armazenadores localizados em 65 municípios.

Ponta Porã e Maracaju estão entre os principais exemplos do descompasso. Juntos, os dois municípios apresentam déficit de aproximadamente 2,43 milhões de toneladas. Dourados, por outro lado, possui a maior capacidade de armazenagem do Estado, com cerca de 2,42 milhões de toneladas, e está entre os sete municípios com estrutura superior à necessidade calculada.

Também apresentam saldo positivo Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia, Brasilândia e Três Lagoas. Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste concentram 49,9% de toda a capacidade instalada em Mato Grosso do Sul, embora respondam por 37,6% da produção considerada no estudo.

A localização dos armazéns também revela dependência das rodovias. Cerca de 41% da capacidade estadual está em unidades situadas a até 30 quilômetros da BR-163. Quando consideradas todas as rodovias federais, essa participação sobe para 88,6%.

A proximidade com ferrovias e hidrovias é menor. Embora Mato Grosso do Sul tenha 1.581 quilômetros de malha ferroviária, somente 378 quilômetros apresentam circulação regular. Apenas 7,9% da capacidade de armazenagem está próxima da Malha Norte, única com operação regular, enquanto 3,9% fica a até 30 quilômetros dos corredores hidroviários analisados.

O levantamento aponta que a falta de espaço acompanha o crescimento da produção há mais de uma década. Em 2023, quando o Estado registrou a maior produção da série analisada, a necessidade de armazenagem chegou a 35,07 milhões de toneladas e o déficit atingiu 21,53 milhões, maior diferença observada no período.



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