• Domingo, 23 de Agosto de 2026

Na madrugada mais fria do ano, 11 pessoas em situação de rua recusam acolhimento em Campo Grande

Na madrugada de sábado (13), a sensação térmica chegou a -4ºC e um homem foi encontrado morto por possível hipotermia

MIDIAMAX/LETHYCIA ANJOS


Pessoas em situação de rua (Nathalia Alcântara, Midiamax)

Terceira onda de frio do inverno, as baixas temperaturas trouxeram alívio após dias de calor intenso e baixa umidade. No entanto, para as pessoas em situação de vulnerabilidade, o frio vem acompanhado de medo e insegurança. No último sábado (13) a sensação térmica chegou a -4 °C e uma pessoa foi encontrada morta com suspeita de hipotermia, nas Moreninhas, em Campo Grande.

Com o intuito de prestar acolhimento a quem precisa, a SAS (Secretaria de Assistência Social) promove busca ativa e distribuição de cobertores desde o início da frente fria, em 20 de maio. No entanto, nem sempre a população aceita o acolhimento. Na madrugada de sábado, a SAS realizou 22 abordagens por meio de busca ativa, sendo que 11 pessoas em situação de rua aceitaram acolhimento e outras 11 recusaram.

Em períodos de frio as abordagens intensificam na região central, viadutos, praças e espaços públicos, locais onde as pessoas em situação de rua costumam se abrigar. Além disso, a SAS ressalta que as equipes de abordagem recebem cobertores para entregar às pessoas que recusam o acolhimento, na última abordagem as equipes distribuíram 12 cobertores.

Morte por hipotermia

Na manhã de sábado, um homem em situação de rua encontrado morto nas Moreninhas, em Campo Grande, após o município registrar a madrugada mais fria do ano, com sensação térmica de -4ºC.

Conforme o boletim de ocorrência, registrado da Depac-Cepol, a princípio, o caso foi classificado como morte natural, enquanto aguarda resultado dos exames laboratoriais da perícia. Contudo, para os ‘vizinhos’ que acolheram o homem, a morte decorreu de hipotermia.

Ao Jornal Midiamax, um morador da região disse que o homem costumava dormir no parque Jacques da Luz. “Nessa última ele veio para cá', lembrou.

Uma oficina mecânica abrigava o morador em situação de rua. Quem mora na região se solidarizou com o homem e acabaram fazendo um ‘refúgio’. “Ele tinha um colchão que eles deixaram ali [oficina mecânica]'. Além disso, o local possuía roupas e cobertores.

Frente fria

Pelos próximos dias, as temperaturas devem permanecer geladas em Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, o clima varia entre mínima de 9 °C e máxima de 18 °C. A previsão indica chuvas de intensidade fraca a pontualmente moderada, com destaque nas regiões sul, sudeste e sudoeste.

Além disso, o tempo instável ganhou um reforço devido à chegada de uma nova frente fria aliada ao intenso transporte de umidade na última quinta-feira (11). Em algumas cidades, como Ponta Porã, a sensação térmica chegou a 0.9 °C durante a madrugada.

Como ajudar pessoas em situação de rua

Em tempos de frio, o Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social) atende às demandas da população e realiza buscas ativas por meio de equipes que se revezam em turnos nos sete dias da semana. As abordagens e oferta do serviço de abrigos ocorrem 24 horas por educadores sociais e psicólogos.

“Nas unidades de acolhimento oferecemos quatro refeições diárias, elaboradas por nutricionistas da SAS, há alojamentos individuais para grupos familiares, além de atendimento, assistência psicossocial e trabalho integrado com as demais pastas da gestão pública”, afirma a SAS.

Para acionar as equipes, a população pode entrar em contato pelos telefones (67) 99660-6539 ou 99660-1469, que funcionam de forma ininterrupta. Ao receber a informação por meio do telefone celular, as equipes sediadas no Centro POP vão até o endereço indicado para oferecer o acolhimento.

No local, as equipes elaboram um relatório sobre a situação do usuário, caso esteja no ponto indicado. Independente de localizar a pessoa, a equipe faz uma devolutiva para quem acionou o serviço.

O acolhimento também ocorre por meio da busca ativa em diversos pontos da área central, viadutos e próximo ao antigo terminal rodoviário. O objetivo é convencer a pessoa a sair das ruas, contudo, há uma parcela que recusa o atendimento, na maioria das vezes devido ao uso de substâncias psicoativas.

Conforme a SAS, as recusas de atendimento são um direito garantido pela Constituição Federal. Nesses casos há entregas de cobertores, mas as equipes retornam nos mesmos pontos com abordagens diferenciadas, a fim de reforçar a oferta do acolhimento.

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