• Sexta, 07 de Agosto de 2026

Mesmo com sensação térmica negativa em Campo Grande, 35 pessoas em situação de rua recusam acolhimento

No último sábado (13), um homem morreu por suspeita de hipotermia, mesmo assim a recusa de acolhimento ainda é grande

MIDIAMAX/LETHYCIA ANJOS


(Nathalia Alcântara, Midiamax)

Pelo centro de Campo Grande, o cenário é sempre o mesmo: basta as temperaturas despencarem para ser possível observar pessoas em situação de rua andando sob cobertores. Na última madrugada (14), a temperatura chegou a 9.8 °C, com sensação térmica de -1,7 °C. Apesar do frio, 35 pessoas em situação de rua recusaram acolhimento, enquanto apenas cinco aceitaram ir para abrigos.

Desde o dia 20 de maio, início da frente fria, a Secretaria de Assistência Social (SAS) intensificou a busca ativa para identificar e acolher pessoas em situação de vulnerabilidade. No entanto, nem sempre a população aceita o acolhimento.

Em nota, a SAS informou que, entre as 6h da manhã de sábado (13) e as 5h da manhã deste domingo (14), ocorreram 40 abordagens, das quais apenas cinco pessoas aceitaram acolhimento. Nos casos de recusa, foram entregues cobertores.

Na madrugada de sábado (13), Campo Grande registrou a menor temperatura do ano, -4 °C. No mesmo dia, a SAS realizou 22 abordagens por meio de busca ativa, sendo que 11 pessoas aceitaram acolhimento e outras 11 recusaram.

Em dias frios, as abordagens se concentram principalmente na região central, como as imediações da antiga rodoviária, viadutos, praças e espaços públicos, locais onde as pessoas em situação de rua costumam se abrigar. Além disso, a SAS ressalta que as equipes de abordagem recebem cobertores para entregar às pessoas que recusam o acolhimento; na última abordagem, foram distribuídos 12 cobertores.

Como ajudar pessoas em situação de rua

Em tempos de frio, o Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social) atende às demandas da população e realiza buscas ativas por meio de equipes que se revezam em turnos nos sete dias da semana. As abordagens e oferta do serviço de abrigos ocorrem 24 horas por educadores sociais e psicólogos.

“Nas unidades de acolhimento oferecemos quatro refeições diárias, elaboradas por nutricionistas da SAS, há alojamentos individuais para grupos familiares, além de atendimento, assistência psicossocial e trabalho integrado com as demais pastas da gestão pública', afirma a SAS.

Para acionar as equipes, a população pode entrar em contato pelos telefones (67) 99660-6539 ou 99660-1469, que funcionam de forma ininterrupta. Ao receber a informação por meio do telefone celular, as equipes sediadas no Centro POP vão até o endereço indicado para oferecer o acolhimento.

No local, as equipes elaboram um relatório sobre a situação do usuário, caso esteja no ponto indicado. Independente de localizar a pessoa, a equipe faz uma devolutiva para quem acionou o serviço.

O acolhimento também ocorre por meio da busca ativa em diversos pontos da área central, viadutos e próximo ao antigo terminal rodoviário. O objetivo é convencer a pessoa a sair das ruas, contudo, há uma parcela que recusa o atendimento, na maioria das vezes devido ao uso de substâncias psicoativas.

Conforme a SAS, as recusas de atendimento são um direito garantido pela Constituição Federal. Nesses casos há entregas de cobertores, mas as equipes retornam nos mesmos pontos com abordagens diferenciadas, a fim de reforçar a oferta do acolhimento.

Morte por hipotermia

Na manhã de sábado, um homem em situação de rua encontrado morto nas Moreninhas, em Campo Grande, após o município registrar a madrugada mais fria do ano, com sensação térmica de -4ºC.

Conforme o boletim de ocorrência, registrado da Depac-Cepol, a princípio, o caso foi classificado como morte natural, enquanto aguarda resultado dos exames laboratoriais da perícia. Contudo, para os ‘vizinhos’ que acolheram o homem, a morte decorreu de hipotermia.

Ao Jornal Midiamax, um morador da região disse que o homem costumava dormir no parque Jacques da Luz. “Nessa última ele veio para cá', lembrou.

Uma oficina mecânica abrigava o morador em situação de rua. Quem mora na região se solidarizou com o homem e acabaram fazendo um ‘refúgio’. “Ele tinha um colchão que eles deixaram ali [oficina mecânica]'. Além disso, o local possuía roupas e cobertores.

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