• Domingo, 15 de Março de 2026

Análise: fã de Senna, Antonelli entra em seleto clube que forma campeões na Fórmula 1

Aos 19 anos, italiano se junta a grupo de pilotos que triunfaram ainda jovens e ganharam fôlego para disputar títulos. Ferrari celebra pódio de Hamilton, e Audi desperdiça chance de pontuar

GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO FRANçA, ESPECIAL PARA O GE


Andrea Kimi Antonelli comemora vitória no GP da China da F1 2026 — Foto: Jayce Illman/Getty Images

Aos 19 anos, Kimi Antonelli se tornou o segundo piloto mais jovem a vencer um GP na Fórmula 1. O italiano executou bem o plano de converter sua pole em triunfo em um fim de semana no qual George Russell, outro piloto da Mercedes, teve problemas na classificatória.

Na China, Antonelli entrou em um seleto clube que formou campeões na F1. Dos seis pilotos mais jovens a fazer a pole, quatro conquistaram títulos: Max Verstappen, Sebastian Vettel, Fernando Alonso e Lando Norris (o único desta lista que não integra também o time de mais jovens vencedores de corridas).

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Esta estatística não é uma simples coincidência: pilotos que venceram com pouca idade foram apostas de grandes equipes em suas academias de talentos desde as categorias de base, como a Mercedes vem fazendo com Antonelli, observado ainda nos tempos de kart. Chegando em escuderias de ponta no início da carreira, esses jovens conseguem triunfar em suas primeiras temporadas e se fortalecem para brigar pelo título nos anos seguintes.

A vitória na China coloca Antonelli nesse novo patamar. O peso da primeira vitória era grande, como ficou evidente em seu pequeno erro nas voltas finais e na forte emoção após a corrida. Agora, o italiano se fortalece dentro da Mercedes para mais conquistas.

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Com o domínio da equipe alemã em 2026, alcançando a segunda dobradinha em duas corridas, Antonelli pode se inspirar na temporada de 1988 de seu grande ídolo, Ayrton Senna. Naquele ano, Alain Prost já chegava como bicampeão mundial e muito bem estabelecido na McLaren. O brasileiro tinha vitórias e experiência, é verdade, mas pela primeira vez entrava no melhor time do grid e enfrentando um fortíssimo companheiro de escuderia.

Não há comparação entre os pilotos, claro. São épocas diferentes e momentos distintos da F1. Mas Antonelli pode usar a história como inspiração para lutar contra o favoritismo de Russell dentro da Mercedes em um ano de hegemonia do time alemão e de disputa entre os companheiros valendo o primeiro título mundial de suas carreiras.

Ainda é cedo para resumir a disputa do título apenas aos dois pilotos da Mercedes. Basta ver a forte evolução de Max Verstappen e da Red Bull na metade final da temporada passada. Mas até por isso Antonelli precisa aproveitar todas as oportunidades de garantir pódios e vitórias para chegar ao final do ano próximo de seu companheiro de equipe.

Vale lembrar que Antonelli chegou como uma aposta alta de Toto Wolff para substituir Lewis Hamilton e foi bastante questionado no meio de 2025, após uma sequência ruim de resultados. Agora, com o melhor carro do grid, o italiano se mostra bem mais confiante. Russell, por sua vez, soube jogar com inteligência o GP da China, focando no segundo lugar quando as coisas não foram positivas.

O britânico não teve dificuldades em superar as Ferraris, que mais uma vez largaram bem e proporcionaram boa disputa nas voltas iniciais, mas ainda sem ritmo para incomodar a Mercedes na ponta. Pelo menos a escuderia de Maranello pôde comemorar finalmente um pódio em corrida principal com Hamilton, um alívio e tanto na parceria da equipe mais tradicional da F1 com o maior vencedor da história da categoria.

Conforme a gente tem observado desde os testes no Bahrein, o carro de 2026 combina mais com o estilo de pilotagem do heptacampeão, que também protagonizou uma ótima briga com Leclerc pelo pódio – até o monegasco disse no rádio que estava se divertindo.

Destaque também na China para Oliver Bearman, em ótima corrida com a Haas, ficando em quinto lugar após se aproveitar de um fim de semana de problemas para a Red Bull e especialmente para a McLaren, que sequer largou com seus dois pilotos. Na Audi, a decepção foi novamente ficar de fora com um carro antes mesmo da largada: Nico Hulkenberg abandonou na Austrália, e Gabriel Bortoleto não participou do GP chinês.

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Com as quebras das McLarens e de Verstappen, a Audi desperdiçou uma boa chance para marcar pontos importantes, já que cinco posições no top-10 ficaram disponíveis para os times do pelotão intermediário. A Williams soube tirar lucro desta “corrida de resistência' e marcou dois pontos com Carlos Sainz, mesmo enfrentando muitos problemas neste começo de temporada.

A F1 agora embarca para Suzuka, no Japão, onde se espera que a Mercedes siga dominando a classificação e a corrida, e com a Ferrari buscando incomodar cada vez mais, não apenas na largada e primeira parte da prova. O palco não poderia ser mais apropriado para Antonelli lembrar que ganhar um primeiro título mundial duelando contra um experiente companheiro de equipe é bem difícil, mas não impossível – como seu grande ídolo conseguiu em 1988 neste mesmo circuito.

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