• Segunda, 03 de Agosto de 2026

Moradores temem que bacia de contenção na Capital vire “novo Brumadinho”

Local que deveria ser uma solução para alagamentos tem gerado uma série de novos problemas

JUDSON MARINHO E RAíSSA ROJAS / CAMPO GRANDE NEWS


Local onde a obra de contenção água de chuvas foi realizado no bairro Nova Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

Moradores do bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande, relatam preocupação crescente com a obra de uma bacia de contenção de águas pluviais que, segundo eles, apresenta abandono e riscos estruturais.

O temor, inclusive, é de que o local possa se tornar um “novo Brumadinho', em referência ao desastre ocorrido na queda de barragem na cidade de Brumadinho (MG).

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A estrutura foi construída como parte de um projeto de drenagem no fundo de vale do Córrego Imbirussu, iniciado em 2023, e prevê capacidade para armazenar mais de 53 mil metros cúbicos de água da chuva.

No entanto, moradores afirmam que o que deveria ser uma solução para alagamentos tem gerado uma série de novos problemas.

Antes, a principal reclamação era o excesso de poeira provocado pelo tráfego intenso de caminhões durante as obras. Hoje, o cenário mudou: o mato alto tomou conta da área, acompanhado de lixo descartado irregularmente, presença de andarilhos e aumento da insegurança.

Síndica de um condomínio vizinho ao local, Eliany Mary Guimarães dos Santos, de 48 anos, relata que o problema da poeira chegou a provocar mudanças de moradores.

“Se não fosse o mato, a terra entraria toda para dentro do condomínio. Tivemos moradores que saíram por causa disso, e não afetava só os apartamentos da frente, mas todo o bloco', afirma.

Segundo ela, o espaço próximo ao lago virou ponto de descarte irregular de resíduos. “Jogam móveis, roupas, garrafas e até animais mortos. Ficou uma área abandonada', diz. A vegetação alta também tem facilitado a entrada de pessoas em situação de rua e o aparecimento de animais peçonhentos.

A preocupação maior, no entanto, é com a segurança da estrutura. “Ali só tem terra em cima de terra. Não tem pedra, não tem malha. Quando chove forte, a água escorre do mesmo jeito. A gente fala em ‘Brumadinho’ porque o medo é real de um desmoronamento', alerta.

Moradora há 40 anos da região, a aposentada Maria Gonçalves da Silva, de 73 anos, afirma que a situação piorou com o tempo. “Virou uma imundice. Tem sapo por todo lado. A gente precisa jogar água no quintal todo dia por causa da poeira, e a conta vem alta', relata.

Ela diz que, durante o período mais intenso das obras, a poeira era constante. “Era poeirão o dia inteiro, e não fizeram nada. Até hoje continua, só diminuiu um pouco,' completa.

O casal Rodolfo Ramon Ortogoza, de 70 anos, e Ana Evelia Alvarenga, de 66, que vive no bairro há mais de três décadas, também enfrentou dificuldades.

“A gente molhava a frente da casa direto para diminuir a poeira. Teve vizinho que colocou tela na casa por causa dos sapos', conta Rodolfo.

Apesar dos transtornos, nenhum dos moradores entrevistados entrou com ação judicial até o momento.

Em 2024, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou, por meio de assessoria, que os problemas com poeira estavam relacionados às obras da bacia e que medidas poderiam ser adotadas para minimizar os impactos.

Agora, com a mudança no cenário, moradores cobram novas providências e fiscalização mais rigorosa na área. Para eles, a obra que deveria trazer segurança hídrica se transformou em motivo de apreensão diária.

A reportagem entrou em contato com a Sisep sobre o abandono do espaço relatado pelos moradores, mas até o momento não recebemos retorno referente à manutenção da bacia de contenção de águas pluviais.

Confira a galeria de imagens:



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