Coronel Sapucaia
MS projeta salto na produção de tilápia com foco em exportação e indústria
Estado aposta na agregação de valor e no mercado externo para consolidar crescimento do setor
JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS
Mato Grosso do Sul reafirma sua posição como um dos principais polos da piscicultura nacional e projeta avanços na industrialização da tilápia. Durante o Encontro Técnico de Piscicultura, realizado pela Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) na Expogrande 2026, dados apresentados pela economista Bruna Mendes Dias apontaram um cenário de expansão acelerada no Estado, impulsionado pela profissionalização da cadeia produtiva e pela abertura de mercados internacionais.
Com a maior projeção para o PIB do agronegócio em 2025, o Estado já ocupa a 6ª posição entre os maiores produtores de tilápia do Brasil. O município de Selvíria lidera a produção estadual, com 9,71 mil toneladas, seguido por Mundo Novo e Dourados. O setor é considerado estratégico para consolidar Mato Grosso do Sul como potência agroambiental, aliando desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
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No cenário nacional, a piscicultura ultrapassou, em 2025, a marca histórica de um milhão de toneladas produzidas. Desse total, a tilápia representa 69,94%, com 707.495 toneladas e crescimento anual de 6,8%, enquanto a produção de peixes nativos registrou queda de 0,63%.
Durante a apresentação, a economista destacou a mudança estrutural no mercado global de pescado, marcada pela substituição da pesca extrativa pela aquicultura. “O mercado de pescado atravessa uma mudança estrutural clara, onde a produção controlada via aquicultura substitui a pesca extrativa. A tilápia hoje é uma commodity global, e o MS está pronto para essa demanda', afirmou Bruna Mendes Dias.
Um dos principais pontos apresentados foi a transformação no perfil das exportações do Estado. Em 2017 e 2018, Mato Grosso do Sul exportava apenas tilápias frescas ou refrigeradas. Entre 2021 e 2023, o foco passou para produtos congelados. Em 2025, essa tendência se consolidou com a predominância de produtos de maior valor agregado, especialmente filés de tilápia congelados.
Os Estados Unidos concentraram 99,96% das exportações sul-mato-grossenses no período, enquanto o México respondeu por 0,01%. Ao todo, as exportações somaram mais de US$ 1,3 milhão em produtos processados, consolidando a presença do Estado no mercado internacional.
A economista ressaltou que o crescimento do setor depende da capacidade de avançar na industrialização e na agregação de valor dentro da cadeia produtiva. “Oportunidade está na agroindústria, não apenas na produção primária. A margem de lucro do produtor dependerá cada vez mais da eficiência e da capacidade de agregar valor dentro da nossa própria cadeia produtiva', destacou.
Além da tilápia, Mato Grosso do Sul também ocupa posições relevantes na produção de outras espécies. O Estado é o 6º maior produtor de pacu e patinga, com destaque para Ponta Porã, e o 11º maior produtor de pintado e cachara, liderado por Rio Brilhante. No ranking geral da aquicultura, ocupa a 13ª posição nacional.
No contexto global, o mercado de pescado segue em transformação, impulsionado por grandes exportadores, como a China, e grandes importadores, como Estados Unidos, União Europeia e Japão. A expectativa de crescimento populacional deve gerar uma demanda adicional de 735 mil toneladas até 2055.
Diante desse cenário, Mato Grosso do Sul se prepara para ampliar sua participação no mercado, com foco na produção de proteína de peixe de alta qualidade e na consolidação de uma cadeia produtiva mais industrializada e competitiva.
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