• Quinta, 23 de Abril de 2026

Contas de MS começam 2026 sob pressão, mas resultado primário melhora

Folha consome 76% da receita e reduz margem de investimento, aponta relatório do Tesouro Nacional

VIVIANE MONTEIRO, DE BRASíLIA / CAMPO GRANDE NEWS


Fachada da Governadoria no Parque dos Poderes (Foto: Arquivo)

Com despesas com pessoal elevadas, Mato Grosso do Sul começou 2026 com as contas no vermelho e figura entre os estados sob maior pressão fiscal no país. No primeiro bimestre, o orçamento registrou déficit de R$ 170 milhões, equivalente a 4% da Receita Corrente Líquida (RCL), segundo dados do Tesouro Nacional.

O resultado indica que as despesas superaram as receitas no período, mesmo diante de uma melhora no resultado primário, indicador que mede o equilíbrio das contas sem considerar o pagamento de juros da dívida.

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O quadro reverte o superávit de R$ 350 milhões (9% da RCL) apurado no mesmo período de 2025. A situação é agravada pelo peso da folha de pagamento, que já consome 76% da receita total, o maior percentual entre os estados. Na sequência aparecem Rio Grande do Norte (66%) e Rio Grande do Sul (64%). O elevado comprometimento reduz a margem de manobra do orçamento e limita a capacidade de investimento estadual.

O relatório do Tesouro também aponta para a disparada das despesas correntes em Mato Grosso do Sul, que cresceram 27% no período, o maior avanço do país, à frente do Rio de Janeiro (20%). Em sentido oposto, Roraima (-6%), Pará (-4%) e Goiás (-3%) registraram as maiores quedas.

Apesar disso, Mato Grosso do Sul apresentou forte melhora no resultado primário no início de 2026. O estado registrou superávit de R$ 490 milhões, equivalente a 12% da RCL no primeiro bimestre, revertendo o déficit de R$ 280 milhões (-7% da RCL) observado no mesmo período de 2025.

Na divisão dos gastos por área, Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com menor destinação proporcional para a saúde, com 6% da despesa total (R$ 320 milhões). O percentual é próximo ao destinado ao Judiciário, que responde por 5% do orçamento (R$ 270 milhões). Já os maiores gastos com saúde foram registrados no Tocantins (25%) e no Amapá (21%).

Pela Constituição Federal, os estados são obrigados a aplicar, no mínimo, 12% das receitas provenientes de impostos e transferências em ações e serviços públicos de saúde.

O levantamento também analisa indicadores como restos a pagar e dívida consolidada, que ajudam a medir a capacidade dos estados de honrar compromissos e administrar seu endividamento.

Embora Mato Grosso do Sul não figure entre os extremos nesses quesitos, o avanço das despesas correntes e o elevado comprometimento com pessoal reforçam o desafio de manter o equilíbrio fiscal ao longo do ano, em pleno período eleitoral.

O relatório do Tesouro Nacional é uma publicação bimestral que reúne os principais dados da execução orçamentária das 27 unidades da federação, incluindo os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além do Ministério Público e da Defensoria Pública.



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