• Quinta, 30 de Abril de 2026

Exagero na tosa pode prejudicar a pele e a saúde do seu cachorro

Veterinário alerta sobre riscos do corte rente e explica o nível seguro para deixar o cachorro fofinho

NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS


A tosa correta pode ser uma necessidade clínica, especialmente em cães com problemas de pele. Muita gente insiste em tratar o procedimento como algo puramente estético ou, pior, como uma oportunidade para inventar moda. O resultado costuma ser cortes pra lá de exóticos, falhas no pelo e até prejuízos à saúde do animal.

O médico veterinário Antonio Defanti Junior explica que a tosa é uma ferramenta terapêutica fundamental para a saúde da pele do animal. 'Quando lidamos com dermatites, o excesso de pelo pode se tornar um vilão, mas o corte mal executado também traz riscos.'

Na prática, a pelagem densa pode funcionar como um ambiente perfeito para problemas dermatológicos. Pelos longos acumulam umidade, secreções e calor, criando condições ideais para a proliferação de fungos e bactérias. A tosa, nesse contexto, não é luxo; é estratégia. Ela permite que a pele respire e reduz esses fatores de risco.

Outro ponto ignorado com frequência é o tratamento tópico. Aplicar pomadas, sprays ou shampoos terapêuticos em um animal com excesso de pelo é pouco eficiente. O produto simplesmente não chega à pele como deveria. Com a tosa adequada, o medicamento entra em contato direto com a derme e o tratamento passa a fazer sentido de verdade.

Há ainda a questão do diagnóstico e acompanhamento. Feridas, pústulas e parasitas como carrapatos podem ficar escondidos sob a pelagem. Sem visibilidade, o tutor perde a capacidade de perceber a evolução do problema. E aí o que era simples fica complicado.

Mas não adianta resolver um problema e criar outro. A obsessão por estética ou por cortes diferentes é o ponto em que começam os erros. Existe um receio comum de que o cachorro fique “feio' após a tosa. No entanto, na tentativa de evitar isso, muita gente aceita procedimentos mal executados ou sem critério. Assim, surge uma situação recorrente: cachorro com aparência estranha e pele vulnerável.

'Pelos longos e densos acumulam umidade, secreções e calor, criando o ambiente perfeito para a proliferação de fungos e bactérias. A tosa permite que a pele respire', pontua o médico veterinário da clínica Bourgelat.

Antonio explica que é possível tosar de forma adequada e sem 'bizarrices'.  Para evitar esse cenário, algumas regras básicas como o uso de lâmina zero, por exemplo, devem ser respeitadas. Segundo ele, esse tipo de tosa só deve acontecer com recomendação veterinária, geralmente em situações específicas como tratamentos ou intervenções cirúrgicas.

'O medo de que o cachorro saia do pet shop parecendo um 'rato' ou com falhas é comum. Nunca use a zero, a menos que seja uma recomendação pelo Médico Veterinário, para um tratamento ou uma intervenção cirúrgica. Nunca tose o animal rente à pele. Isso remove a proteção solar natural e pode causar a 'alopecia pós-tosa'.

A escolha correta das lâminas faz diferença real. Lâminas de altura média, como 4, 5 ou 7, ou o uso de pentes adaptadores, mantêm uma camada de pelo entre 3 milímetros e 1 centímetro. Isso garante proteção, higiene e um visual equilibrado. Isso mantém o aspecto de 'cachorro fofinho' sem comprometer a higiene.

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