Coronel Sapucaia
Fretes rodoviários sobem em MS com exportações elevadas e pico da safra de soja
Boletim de abril mostra pressão logística, diesel mais caro e preços ainda altos
JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS
O avanço da colheita da soja e a intensificação dos embarques para exportação mantiveram aquecido o mercado de fretes rodoviários em Mato Grosso do Sul durante março de 2026, sustentando preços elevados para o transporte agrícola. A análise consta no Boletim Logístico de abril divulgado nesta quinta-feira (30) pela Companhia Nacional de Abastecimento, que aponta forte demanda por caminhões, aumento dos custos operacionais e pressão logística nas principais rotas de escoamento da produção estadual.
Segundo o levantamento, a maior necessidade de transporte para retirada da safra gerou uma restrição relativa de capacidade logística, especialmente nas rotas de média e longa distância com destino aos portos das regiões Sul e Sudeste. Esse cenário contribuiu para a manutenção de patamares elevados dos fretes monitorados no estado.
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Até o fim de março, a colheita da soja em Mato Grosso do Sul havia alcançado aproximadamente 86,6% da área cultivada, com avanço mais expressivo na região sul do estado. Apesar de interrupções pontuais provocadas pelas chuvas, principalmente na região norte, o elevado percentual colhido ampliou significativamente a oferta de cargas e reforçou a pressão sobre a estrutura de transporte.
Exportações de soja ultrapassam 1,2 milhão de toneladas - O comércio exterior foi um dos principais fatores de sustentação do mercado logístico no período. De acordo com dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Mato Grosso do Sul exportou 1.227.081 toneladas de soja e 16.331 toneladas de milho em março de 2026.
O volume expressivo da oleaginosa intensificou o uso das rotas rodoviárias em direção aos portos exportadores, especialmente Paranaguá, Santos e São Francisco do Sul, considerados pela Conab os principais corredores logísticos para o escoamento da produção sul-mato-grossense.
A participação do estado nas exportações brasileiras também ganhou destaque. No período analisado, Mato Grosso do Sul respondeu por 8,45% das exportações nacionais de soja e por 1,66% das vendas externas de milho.
Diesel mais caro e custos maiores sustentam fretes elevados - Além da demanda aquecida, o aumento dos custos operacionais também contribuiu para manter os fretes em patamares altos. A elevação dos preços do diesel ao longo de março foi apontada pela Conab como um dos principais fatores de pressão sobre o transporte rodoviário.
O ambiente de mercado permaneceu favorável à comercialização da safra, com manutenção da competitividade das exportações brasileiras. O diferencial entre os preços praticados no interior e nos portos, somado à necessidade de escoamento da produção, manteve o fluxo de comercialização ativo e direcionado ao mercado externo.
Nesse contexto, os custos logísticos ganharam ainda mais peso na formação dos preços da soja e do milho, principalmente diante da necessidade de rapidez no escoamento da produção durante o pico da safra.
Rotas apresentam altas e quedas pontuais:
A tabela de fretes da Conab mostra que março apresentou comportamento misto nas principais rotas monitoradas em Mato Grosso do Sul, com elevação em alguns trechos e recuo em outros na comparação com fevereiro.
Entre as principais altas mensais estão:
- Chapadão do Sul – Paranaguá (PR): de R$ 290 para R$ 320 por tonelada, alta de 10%
- São Gabriel do Oeste – Paranaguá (PR): de R$ 262 para R$ 282 por tonelada, alta de 8%
- Sidrolândia – Paranaguá (PR): de R$ 276 para R$ 293 por tonelada, alta de 6%
- São Gabriel do Oeste – Maringá (PR): de R$ 166 para R$ 175 por tonelada, alta de 5%
Por outro lado, algumas rotas registraram queda, como:
- Dourados – Maringá (PR): de R$ 132 para R$ 117 por tonelada, recuo de 11%
- Dourados – Paranaguá (PR): de R$ 276 para R$ 246 por tonelada, queda de 11%
- Maracaju – Paranaguá (PR): de R$ 276 para R$ 225 por tonelada, redução de 18%
Mesmo com ajustes pontuais, a comparação anual mostra que várias rotas ainda operam em níveis superiores aos registrados em março de 2025, refletindo o aumento da movimentação de cargas e a pressão sazonal típica do pico de escoamento da safra.
A Conab avalia que a combinação entre colheita avançada, forte ritmo de exportações, custos mais altos com combustível e elevada demanda por caminhões mantém o mercado de fretes sob pressão em Mato Grosso do Sul.
Com o estado consolidado como importante exportador de soja e com os principais corredores logísticos direcionados aos portos do Sul e Sudeste, a tendência é de continuidade da relevância dos custos de transporte no desempenho da safra e na rentabilidade do produtor rural nos próximos meses.
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