• Sexta, 01 de Maio de 2026

Shakira no Todo Mundo no Rio: a boa onda de latinidade nas areias de Copacabana

ROSANA HERMANN (*) / CAMPO GRANDE NEWS


No próximo sábado (2), Shakira, a nossa rainha da música latina, vai fazer o maior show de sua carreira nas areias da princesinha do mar. A expectativa é a de que, além da transmissão ao vivo pela Globo, Copacabana receba 2 milhões de fãs, plateia da mesma ordem de grandeza dos shows das divas Madonna, em 2024, e Lady Gaga, em 2025. A diferença é que agora o tom é de pura latinidade.

Shakira, que fala português e demonstra um afeto genuíno pelo Brasil, não precisa de apresentação, mas os números ajudam a dimensionar o que chega ao Rio: quatro Grammys, 16 Grammys Latinos, mais de 75 milhões de discos vendidos ao longo da carreira.

Em 2025, venceu o Grammy de Melhor Álbum Pop Latino com 'Las Mujeres Ya No Lloran' e transformou o disco numa turnê que entrou para o Guinness World Records. Com cerca de 3,3 milhões de ingressos vendidos nas primeiras 86 apresentações, a Las Mujeres Ya No Lloran World Tour se tornou a turnê latina mais lucrativa da história.

Em 2020, quando Shakira fez o show do intervalo do SuperBowl com J.Lo, o então artista em ascensão Bad Bunny foi o convidado das duas no palco. É aqui que a história fica interessante. Seis anos depois, em fevereiro, o porto-riquenho Bad Bunny fez o que ninguém havia feito antes: comandou sozinho o intervalo do evento esportivo e cultural mais assistido dos Estados Unidos, cantando inteiramente em espanhol.

O público foi de 128 milhões de americanos. As visualizações globais chegaram a 4,1 bilhões. O SuperBowl é tão importante culturalmente que os comerciais dos intervalos são dirigidos por cineastas de Hollywood, e, na última edição, o diretor Taika Waititi, vencedor do Oscar por 'Jojo Rabbit', dirigiu não um, não dois, mas três comerciais.

E tem um detalhe que adiciona mais um toque de latinidade ao evento, ou melhor, de brasilidade: Waititi é sócio da produtora Hungry Man, na qual trabalha a produtora inglesa Hannah Stone. Hoje, quem coordena a produção diretamente com Hannah é a brasileira Sophia Raia (sim, a filha de Claudia Raia), que mora e trabalha em Nova York.

Se Bad Bunny reergueu a onda latina, Shakira abriu a porta dessa conversa há décadas. Encerrou a Copa do Mundo de 2014 no Maracanã, se apresentou no Rock in Rio, fala português com o público brasileiro e o Brasil foi a primeira parada da turnê recordista. Em São Paulo, reuniu mais de 65 mil pessoas em uma única noite. Não é exagero dizer que Copacabana é a casa que ela merecia desde sempre.

No sábado, quando dois milhões de brasileiros cantarem de volta para ela em espanhol, a troca vai estar completa.

E já que Bad Bunny recomendou 'debí tirar más fotos', todo mundo no Rio deve registrar esse momento mágico, na noite em que a mais linda onda de latinidade chega à brasilidade da praia mais famosa do mundo e vira o maior palco pop do planeta.

(*) Rosana Hermann é jornalista, roteirista de TV desde 1983 e produtora de conteúdo

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.



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