• Quarta, 13 de Maio de 2026

Juventus volta ao Paulistão com brilho de estrela gringa e quer ampliar estádio que virou "point"

Em sete meses de SAF, clube retorna à elite de SP, tem artilheiro equatoriano e disputa título da A2 contra a Ferroviária nesta quarta; Série D e modernização da Javari são próximos objetivos

GLOBOESPORTE.COM / GABRIEL FLORES E JOãO PEDRO BRANDãO


Lance de Juventus-SP x Ferroviária na final da Série A2 do Paulista 2026 — Foto: Diego Soares/Ag. Paulistão

O Juventus, tradicional clube do bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, subiu para a série A1 do Campeonato Paulista após 19 anos longe da principal divisão estadual.

Em menos de um ano de SAF, a nova gestão do clube mira agora voltar a disputar o Campeonato Brasileiro e modernizar o estádio Conde Rodolfo Crespi, também chamado de Rua Javari, que virou "point" turístico de amantes do futebol graças às arquibancadas acanhadas, próximas ao campo, e a atmosfera de "futebol raiz" no coração de São Paulo.

Nesta quarta-feira, o Moleque Travesso disputa a final da Série A2, contra a Ferroviária, às 19h15 (de Brasília), em Araraquara. No primeiro jogo, os times empataram sem gols. O Juventus precisa vencer o jogo para ficar com o título.

– Conseguir o acesso à Série D é a prioridade para que a gente possa, no próximo ano, poder ter um calendário recorrente e, com isso, atrair os atletas dos quais nós pretendemos que façam parte do projeto – explicou Cláudio Fiorito, CEO da SAF.

O acesso veio apenas sete meses depois de o clube ter adotado o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O grupo Contea Capital, controlador do projeto, comprou 90% das ações com a promessa de investimento de R$ 480 milhões em dez anos.

Uma das primeiras medidas da SAF foi a troca do gramado da Rua Javari. Saiu o piso natural e entrou o campo sintético, decisão que gerou polêmica entre os torcedores.

Melhoria de processos: importância do scouting

O principal foco da SAF ao chegar ao clube foi estruturar todas as áreas que envolviam o futebol. Análise de desempenho, nutrição, fisiologia e departamento médico foram setores que receberam atenção nessa nova etapa.

A ampla restruturação também chegou a um departamento fundamental para os objetivos do Juventus para o futuro: o scouting de atletas. Visando identificar talentos no mercado, o clube fez uma parceria estratégica com a Football PRO Performance, empresa especializada em análise de desempenho.

– Hoje nós contamos com o setor de inteligência, onde ele faz o mapeamento de todas as competições nacionais, monitora todos os atletas brasileiros ao redor do mundo. O Juventus conta com mais de dois mil atletas mapeados – explicou o diretor de futebol Arthur Fraga.

A chegada de Elkin Muñoz

O clube usa como maior exemplo da reestruturação o atacante Elkin Muñoz, artilheiro do time na A2 com sete gols. Formado na base do Emelec, o equatoriano de 20 anos disputou o Sul-Americano Sub-20 em 2025 e se transferiu para o Juventus.

– Quando nós fizemos a primeira abordagem, entendemos que o Elkin era um jogador com o perfil do clube. Extremamente competitivo e inteligente para as ações que toma durante a partida. Entendemos que é um atleta que vem para uma primeira etapa. Ele é o primeiro de muitos atletas que nós vamos abordar e monitorar – projetou o diretor de futebol.

A alegria é o sentimento entre jogador, torcida e clube. Em entrevista ao ge, Elkin Muñoz revelou que o afeto recebido pelos torcedores tem sido fundamental para o seu desempenho dentro de campo.

– Desde que me disseram que eu poderia vir para cá, eu nem pensei – revelou o atacante.

– Fiquei impressionado com as pessoas, todas amáveis. Quando eu cheguei, me apoiaram muito e isso também me ajudou para poder fazer o que mais gosto no campo – completou.

O carinho dos torcedores é tão grande que já possível ver bandeiras e camisas do Equador nas arquibancadas da Rua Javari.

Inspiração no interior de São Paulo

O futebol paulista é o que mais tem times na Série A do Campeonato Brasileiro: são seis no total. Além dos quatro grandes, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, há mais duas equipes do interior: Bragantino e Mirassol.

Apesar de o Juventus ainda estar longe desse cenário, os comandantes do clube entendem que o modelo atual de gestão segue os princípios que levaram esses times ao maior campeonato nacional.

– Esses clubes só chegaram onde chegaram porque tiveram um processo bem adequado, metodologias dentro da rotina de microciclo do treinamento, dentro da rotina dos atletas – disse Arthur Fraga.

Como fica a Javari?

Com o acesso garantido, o Juventus mira agora a Copa Paulista. A direção planeja manter o elenco que disputou a A2 para brigar pelo título da competição. O campeão tem o direito de escolher se disputará a Copa do Brasil ou a Série D em 2027. Campeão da Série B em 1983, o clube já decidiu que escolherá a vaga no Campeonato Brasileiro.

O sonho faz a diretoria planejar a ampliação do estádio Conde Rodolfo Crespi para 15 mil pessoas. Hoje, o estádio está liberado para apenas cinco mil torcedores, o que obriga o Juventus levar para outros locais as partidas contra equipes maiores, como por exemplo os quatro grandes de São Paulo.



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