Esportes
Presidente comprou celulares para presentear dois jogadores com dinheiro do Corinthians
Timão gastou R$ 19 mil em aparelhos dados por Osmar Stabile a Cacá após assalto e a Gui Amorim para destravar renovação em 2025
GLOBOESPORTE.COM / GABRIEL OLIVEIRA
O presidente Osmar Stabile comprou, com dinheiro do Corinthians, dois celulares para presentear jogadores do clube em 2025. Os aparelhos, adquiridos com urgência com o cartão corporativo do departamento de compras, custaram R$ 19.001,00 aos cofres corintianos.
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O dirigente presenteou o zagueiro Cacá, depois de assalto sofrido pelo atleta, e o meia-atacante Gui Amorim, joia das categorias de base, no dia derradeiro de uma tensa renovação contratual.
Em nota, o Corinthians declarou que "o processo de aquisição dos aparelhos celulares respeitou todos os trâmites dos procedimentos internos, com solicitação de compra via sistema, notas fiscais e aprovação dentro da normalidade".
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Agrado na renovação
Stabile usou a oferta do celular como trunfo em uma negociação difícil para renovação contratual com Gui Amorim, segundo pessoas próximas ao presidente.
Em 19 de agosto de 2025, o jogador e seus familiares estiveram no Parque São Jorge para acertar os últimos detalhes do novo contrato. Stabile resolveu dar o celular de presente para destravar a negociação e garantir a assinatura, conforme aliados.
Uma pessoa envolvida na negociação disse que o celular não necessariamente destravou a renovação, que estava encaminhada. O aparelho teria servido mais como agrado na concretização do negócio.
É que a diretoria corintiana estava sob enorme pressão naquele momento. Cinco dias antes, o Bahia havia depositado a multa rescisória de R$ 14 milhões para levar Kauê Furquim, também cria do terrão.
Kauê e Gui têm o mesmo grupo de empresários, e a eventual saída de outro talento da base seria um duro golpe para a imagem da diretoria.
Tanto é que, depois da investida do Bahia, o Corinthians chamou vários jovens para renovar contratos, com aumento das multas rescisórias e, consequentemente, dos salários pagos.
Naquele 19 de agosto, em que Gui e Corinthians efetivamente assinaram a renovação, Stabile ordenou a compra do celular.
O sistema do clube registrou o pedido de um iPhone 16 de 250gb de capacidade às 16h26 do dia 19, com a efetivação da compra às 17h49 do mesmo dia, conforme a nota fiscal. O Corinthians pagou R$ 6.333,00 pelo produto.
No dia 20, uma funcionária adicionou a seguinte observação no sistema: "Devido à urgência, o aparelho foi comprado e retirado no Magazine Luiza e entregue diretamente na presidência".
Quebrando o gelo com elenco
Stabile já havia adotado o mesmo expediente em junho de 2025, dias após assumir a presidência provisoriamente com o afastamento do ex-presidente Augusto Melo, em 26 de maio.
Cacá teve o celular roubado em um assalto no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, enquanto ia para o CT Joaquim Grava em 4 de junho de 2025.
O presidente decidiu fazer uma média com o elenco e presentear o zagueiro com um novo aparelho. O dirigente, admitem aliados, estava tentando quebrar o gelo com o grupo de jogadores, diante da enorme desconfiança deles com o afastamento de Augusto. Havia uma resistência ao novo mandatário.
O Corinthians registrou o pedido de compra de um iPhone 16 Pro Max de 512gb e um carregador às 13h19 de 6 de junho.
Dias depois, os registros do sistema indicam a inclusão da seguinte observação sobre a compra: "Na sexta-feira (06/06/2025) foi solicitada a compra de um iPhone 16 Pro Max 512gb preto + carregador com urgência pela presidência para entregar até as 11:00 no CT Profissional. Devido não ter tempo hábil, realizamos a compra e entregamos diretamente no CT Profissional".
É que, embora o registro no sistema tenha ocorrido no início da tarde daquele dia 6, a compra aconteceu mais cedo, às 10h03, ou seja, antes mesmo da abertura do pedido no sistema corintiano.
A nota fiscal da compra indica que o Corinthians pagou R$ 12.499,00 pelo celular e R$ 169,00 pelo carregador.
A notícia da compra dos celulares no ano passado, revelada pelo jornalista Tiago Salazar e confirmada pelo ge, provocou novo desgaste interno ao presidente. Para os críticos, Stabile deveria ter usado o próprio dinheiro nos presentes, e não o do Corinthians.
Nesta semana, o presidente já teve de se explicar diante da revelação de que o Corinthians pagou R$ 676 mil a uma empresa aberta em nome de um funcionário para prestar serviço de segurança, sem autorização da Polícia Federal para isso, nem contrato assinado com o clube.
O Ministério Público abriu uma investigação criminal sobre o caso.
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