• Quarta, 20 de Maio de 2026

Análise: Fluminense sobrevive, mas erros insistentes em toda a Libertadores deixam time nas cordas

Chances perdidas no ataque e erros básicos na defesa: roteiro visto em toda a fase de grupos se repete contra o Bolívar e deixa a equipe tricolor em situação complicada no torneio

GLOBOESPORTE.COM / MARCELLO NEVES


Fluminense x Bolívar — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

O Fluminense está nas cordas na Libertadores porque repete seus erros. Aconteceu contra o Bolívar, na terça-feira, no Maracanã, mas é um sintoma de todas as rodadas do time. Por isso, os termos "de novo", "mais uma vez" ou "novamente" serão usados nesta análise. A atuação na vitória por 2 a 1 evitou uma eliminação precoce, mas foi um "copia e cola" das últimas atuações. Para o bem e para o mal.

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A fala de Maxi Cuberas sobre a falta de contundência do Fluminense faz sentido. Mais uma vez, a equipe criou para golear. Assim como ocorreu contra São Paulo, Operário, Vitória... e agora Bolívar. Teve chances em profusão para conseguir a diferença de três gols, principalmente depois de abrir o placar logo com cinco minutos. Esbarrou no excesso de capricho e na falta de pontaria, de novo.

O Fluminense, novamente, pecou nas substituições feitas. John Kennedy não fazia boa partida, mas tirá-lo logo após o gol minou o setor ofensivo. Cano é um ídolo, mas apostar na mística a esta altura do campeonato é raso. A entrada de Ganso, totalmente desconexo da partida, então, surtiu menos efeito ainda. Por mais que Savarino estivesse mal no jogo.

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Por fim, o Fluminense, de novo, não consegue ficar sem ser vazado. São dez partidas com gols sofridos nos últimos 11 jogos, sendo esta a oitava seguida com bolas na rede. Mas aqui vale a reflexão. Em 2025, quando Thiago Silva não jogava, era nítida a dificuldade da equipe quando Ignácio e Freytes atuavam juntos. Em 2026, foi exatamente esta a dupla escolhida para um jogo decisivo de Libertadores. De novo, os dois estiveram envolvidos numa falha grave.

Se com Thiago Silva já não era o ideal, o que faz acreditar que os dois juntos podem ser solução? Vale também ser justo: Hércules e Guilherme Arana foram mal no lance do gol do Bolívar.

Mesmo com todos esses pesares, o Fluminense se recusa a ser eliminado da Libertadores. Na última rodada, precisa vencer e contar por um tropeço do Bolívar. É a única combinação possível. Nas cinco primeiras rodadas, foi um time que fez por merecer a queda. Mas ainda é capaz de classificar.

No jogo de terça, dentro de campo, o Fluminense conseguiu fazer o mais difícil em partidas deste tamanho: abrir o placar cedo e sufocar o adversário. Lucho Acosta, com apenas cinco minutos, fez o Maracanã explodir. Os mais de 60 mil presentes deram ao estádio uma atmosfera poucas vezes vista recentemente. Ou seja, o time teve a faca e o queijo na mão para conseguir o necessário.

E chegou perto de conseguir. Ainda no primeiro, foram várias as oportunidades criadas que poderiam ser o 2 a 0 — vale lembrar que o placar de 3 a 0 encaminhava a vaga, mas vencer por dois gols de diferença deixava a classificação totalmente aberta. John Kennedy perdeu um na cara, Lucho Acosta e Guilherme Arana saíram livres e erraram o passe decisivo. Então, veio o baque.

O Bolívar não chegava perto de pressionar, mas precisou de apenas um ataque para empatar. Hércules é facilmente driblado no meio, Freytes e Arana batem cabeça, Ignácio erra a cobertura. Gol sofrido com uma facilidade imperdoável para jogos deste nível. Então, como é repetido, o time desmorona mentalmente dentro de campo — assim como foi visto nos últimos jogos.

Do empate até o apito final da primeira etapa, foram os piores minutos do Fluminense dentro do Maracanã: caindo na catimba do Bolívar, dando margem para a arbitragem permitir a cera e errando lances fáceis que fizeram o ambiente do estádio virar contra a equipe. As vaias antes do intervalo ilustram bem isso.

Na volta para o segundo tempo, os minutos iam passando e o Fluminense se desesperando. Mas, diferentemente do final da primeira etapa, havia um caminho seguido em meio ao caos. O time melhorou após a entrada de Castillo e, mais uma vez, mostra que atua melhor com dois atacantes de área. O argentino chegou a marcar, mas o lance foi anulado por impedimento.

Então, veio um erro que minou a partida. Cuberas, que substituiu o suspenso Zubeldía, chamou Cano e Ganso para entrar. Deu tempo de, no seu último lance em campo, John Kennedy empatar e evitar uma eliminação precoce do Fluminense — matematicamente, a equipe tricolor estaria fora da competição com o empate —, mas o time caiu de produção a partir dali.

Cano não entrou bem. Brigou, lutou, mas estava visivelmente sem ritmo. A escolha por ele num cenário pressão e desespero mostrou-se um erro. Pareceu uma aposta no lúdico, algo muito pobre para um jogo que era praticamente um mata-mata. Ganso pareceu não entender a importância do jogo. Lento, entrou muito mal e foi facilmente marcado pelo Bolívar.

Mesmo neste cenário de caos, a equipe ainda teve chances para conseguir o importante terceiro gol. Samuel Xavier parou no goleiro Lampe. Cano e Castillo quase ampliaram. A vitória por 2 a 1 serve para não eliminar o Fluminense de forma prematura, mas deixa o clube nas cordas para a última rodada da fase de grupos da Conmebol Libertadores, no dia 27.

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