Esportes
Análise: Mirassol vive noite mágica e segue fazendo história na Libertadores
Time misto de Rafael Guanaes flerta seis minutos com o azar, mas avança às oitavas com uma rodada de antecedência no ano de estreia
GLOBOESPORTE.COM / ERIC MANTUAN
Como diz o seu próprio hino, há um Leão rugindo no país do futebol – e fora dele. A classificação antecipada do Mirassol para as oitavas de final da Conmebol Libertadores, com a vitória por 2 a 1 sobre o Always Ready, na noite desta terça-feira, é mais um feito histórico da equipe do interior paulista logo em sua estreia nas competições internacionais.
Rodada após rodada, a equipe de Rafael Guanaes empilha marcas atingidas. Primeiro jogo na competição, primeiro gol em casa, primeira vitória em um jogo internacional dentro do Brasil e, agora, primeiro triunfo em outro país.
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São 12 pontos conquistados em 15 disputados até aqui, com 100% de aproveitamento no Maião e grandes possibilidades de terminar na liderança do Grupo G, o que lhe pode garantir ser o mandante do jogo decisivo das oitavas, a depender do que farão LDU e Lanús.
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Há tantos méritos envolvidos nessa trajetória do Leão que seria uma pena que seis minutos de azar lhe custassem a vitória no estádio Tigo La Huerta, em Assunção, no Paraguai – onde o jogo foi sediado em razão dos protestos políticos na Bolívia.
Muito embora o Always Ready, em alguns momentos, tenha demonstrado que os 4 mil metros de altitude de El Alto não são o seu 12º jogador, mas sim o seu camisa 10, a equipe boliviana complicou o jogo no segundo tempo e o 1 a 1 no placar no pior momento da noite para o Mirassol poderia ser uma porta aberta para o desastre. Nathan Fogaça, que entrou seis minutos após o empate, tratou de recolocar o Leão à frente e a equipe conseguiu retomar as rédeas da partida.
Mais uma noite mágica para o Leão, na conta de Alesson, que foi o melhor em campo com duas assistências para os gols e cinco canetas, e na leitura cirúrgica de Guanaes, que não titubeou diante da necessidade de poupar energia para sair da zona do rebaixamento do Brasileirão e bancou um time misto mesmo em um jogo de tamanha importância.
Como foi o jogo?
A condição de campo neutro, sem torcida e sem altitude do Tigo La Huerta fez o Mirassol se sentir em casa e dominar grande parte do primeiro tempo. Tal como no jogo de ida, no Maião, o gol saiu cedo. Aos 10 minutos, Alesson recebeu lançamento de Carlos Eduardo pela esquerda e cruzou na medida para Shaylon abrir o placar.
O Leão teve duas chances de ampliar, aos 13 minutos, com Alesson, que exigiu grande defesa de Baroja, e Igor Cariús, aos 18, ao contar com "furada" da defesa boliviana. A pressão chegou ao auge aos 28, quando Carlos Eduardo lançou Igor Cariús e Alesson completou para o gol. Porém, a arbitragem assinalou posição irregular do camisa 16, o que foi ratificado pelo VAR.
No lance seguinte, o árbitro de vídeo entrou em ação do outro lado. Em bola rebatida para trás por Igor Cariús, aos 31 minutos, Maraude pegou de primeira e acertou o canto esquerdo de Muralha. A arbitragem invalidou o lance após análise no monitor da participação de Darío Torrico, impedido.
A etapa final começou com muitas faltas e a opção do técnico Rafael Guanaes por uma linha de três zagueiros ao trocar Igor Cariús, que já tinha cartão amarelo, por Rodrigues.
O Leão teve duas oportunidades de abrir 2 a 0 e não as aproveitou: aos 19 minutos, Edson Carioca recuperou bola no ataque e Alesson chutou rente ao poste esquerdo de Baroja. Aos 28, Alesson cruzou para Shaylon, Aldo Filho bateu e Baroja defendeu. No rebote, a bola voltou para o próprio Alesson tentar a finalização, impedido.
Os gols perdidos fizeram falta ao Mirassol, que pouco a pouco viu o Always Ready ganhar espaços no campo. Aos 30, em um vacilo da zaga, Triverio ajeitou a bola para Maraude empatar, em chute rasteiro, no canto esquerdo de Muralha. Foram seis minutos de tensão até a entrada de Nathan Fogaça, aos 36, coroando jogada de Carlos Eduardo e Alesson com o gol da classificação.
No fim, o Leão ainda perdeu Victor Luís, que recebeu o segundo cartão vermelho por falta em Maraldi e acabou expulso, virando desfalque para o jogo contra o Lanús.
