• Quarta, 20 de Maio de 2026

Citado em investigação como intermediário de propina é exonerado da Sisep

Thiago Nogueira Pereira deixa cargo em comissão de gestor de projeto da Secretaria de Obras

ÂNGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS


Thiago de costas no dia da operação, entrando na casa do pai (Foto: arquivo)

A Prefeitura de Campo Grande exonerou Thiago Nogueira Pereira do cargo em comissão de gestor de projeto da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos). O decreto foi publicado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta quarta-feira (20) e tem efeito a partir da data de publicação.

Apesar de não ter sido preso, Thiago é citado em investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) sobre suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção de vias urbanas e tapa-buracos em Campo Grande. No documento, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) aponta que ele é filho de Edivaldo Aquino Pereira, servidor investigado e descrito como gestor de projetos e fiscal substituto da Sisep, um dos 7 presos durante Operação Buraco Sem Fim, no último dia 12. No dia da ação, outro filho de Edivaldo foi preso, mas por porte de droga.

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Segundo o Gecoc, Edivaldo teria desempenhado papel relevante na operacionalização direta das fraudes e no desvio de recursos públicos. A apuração afirma que a função dele consistia em “validar medições fictícias e atestar a execução de serviços' que, conforme o órgão, não teriam sido prestados ou teriam sido executados de forma precária por empresas contratadas pelo município.

É nesse contexto que Thiago aparece na investigação. O MPMS afirma que Edivaldo teria usado o filho “como intermediário para o recebimento de propinas destinadas à cúpula do grupo'.

A investigação do Gecoc trata de suspeitas de organização criminosa, peculato, fraude em licitações e manipulação de medições em contratos da Sisep. Em um dos trechos, o Ministério Público afirma que a engrenagem do esquema funcionava por meio de “manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço', fazendo com que pagamentos não correspondessem ao trabalho efetivamente realizado.

O documento também aponta que a Construtora Rial Ltda., uma das empresas citadas na investigação, teria mantido contratos e aditivos com a administração municipal que somaram R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025. Segundo o Gecoc, os valores pagos não teriam lastro na realidade das obras executadas.

O decreto de exoneração não informa o motivo da saída de Thiago do cargo. O Campo Grande News tentou contato com ele e segue com espaço aberto para explicações.



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