Coronel Sapucaia
Rotatória no Monte Castelo ganha semáforo, mas falta começar a funcionar
Motoristas relatam congestionamento, risco de acidentes e pouca informação sobre o novo sistema
KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
A rotatória no cruzamento das avenidas Rachid Neder e Monte Castelo, no Bairro Monte Castelo, em Campo Grande, ganhou um sistema semafórico, mas até esta quinta-feira (21) os equipamentos ainda não foram ativados.
No local, motoristas e trabalhadores que convivem diariamente com o trânsito da região dividem opiniões entre a expectativa de mais segurança e a dúvida sobre como o semáforo vai funcionar em uma rotatória considerada pequena e já marcada por congestionamentos.
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O empresário Rogério Bordin, de 58 anos, passa pela região com frequência e afirma que o problema se concentra principalmente nos horários de pico, como início da manhã, horário de almoço e fim da tarde. Segundo ele, o fluxo de veículos aumentou e muitos condutores não respeitam a dinâmica da rotatória.
“A gente fica parado três, quatro minutos. Tem barbeiragem, motoqueiro passando direto, buzinando do lado esquerdo, do lado direito. O pessoal desce a Rachid com tudo, sem parar', relatou.
Apesar de achar estranho ver semáforo em rotatória, Rogério acredita que a medida pode reduzir riscos. Para ele, o problema não é só de engenharia, mas também de comportamento.
“Eu acho que com semáforo vai ajudar bastante. O pessoal não parece que sabe fazer rotatória. Acho que o semáforo vai dar uma educada', disse. O empresário também citou que há outros pontos da região onde, na avaliação dele, o trânsito é complicado, especialmente em rotatórias próximas a vias de grande movimento.
Já o administrador Adilson Bevilaqua vê a instalação com desconfiança. Para ele, a função original de uma rotatória é agilizar o tráfego, e a implantação de um semáforo pode ter o efeito contrário, dependendo da programação. “O que eu imagino na rotatória é para agilizar o tráfego. Aí você coloca um semáforo para segurar a rotatória, eu fico na dúvida. Juro que não entendo, ainda mais a rotatória pequena do jeito que ela é', afirmou.
A principal preocupação de Adilson é com o travamento da via. Ele teme que, se o semáforo fechar no momento em que o motorista estiver tentando virar à esquerda ou completar a conversão, a fila acabe bloqueando a subida.
“Eu não sei como vai ser esse funcionamento. Se vai ter três tempos, quatro tempos. Nada disso ninguém está sabendo', disse. Segundo ele, o equipamento está instalado há meses, mas ainda sem operação.
O cruzamento já foi cenário de acidente fatal, em 2024. Janaína Catiussa Santana da Silva, de 40 anos, morreu após perder o controle da motocicleta na Avenida Monte Castelo, em dia de chuva, passar pela região da rotatória e atingir o muro de um condomínio. De acordo com boletim de ocorrência citado na apuração, ela não tinha habilitação para conduzir o veículo, e a via estava molhada no momento do acidente.
O Campo Grande News questionou a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) sobre quando o sistema foi instalado, qual o motivo da implantação, o volume de veículos registrado no cruzamento e a previsão para ativação. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
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