Esportes
Palmeiras tem 51% de chances de título da Série A, e Flamengo 35% antes da parada para a Copa
Fluminense, Bragantino e Athletico-PR correm por fora no Brasileirão e estão com bons percentuais por vagas na Libertadores. Chapecoense tem só 0,72% de possibilidades de permanência na Série A
GLOBOESPORTE.COM / DAVI BARROS, RODRIGO BREVES E VALMIR STORTI
Sem surpresas, a disputa pelo título do Campeonato Brasileiro está forte entre Palmeiras e Flamengo. Líder com sete pontos de vantagem, a equipe alviverde tem 51,28% de chances de ficar com o título. Com um jogo a menos, as possibilidades de ser campeão do Flamengo estão em 35,10%. Falta apenas uma rodada para fechar o primeiro turno do Brasileirão, mas a competição dá uma parada para a Copa do Mundo a partir desta segunda-feira, e volta só em 22 de julho.
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Na 18ª rodada, os rivais fizeram a sua parte. No sábado, o Flamengo venceu o Coritiba com tranquilidade: 3 a 0. E, no domingo, o Palmeiras, mesmo com um a menos, conseguiu superar a lanterna Chapecoense, por 1 a 0. Na diferença das chances matemáticas - 51% x 35% -, pesa a favor do time alviverde a vitória no confronto direto, no Maracanã. Essa diferença só não é maior porque os rubro-negros ainda precisam cumprir a partida adiada da 4ª rodada, diante do Mirassol, em casa. Em caso de triunfo da equipe carioca, a vantagem palmeirense cairia para quatro pontos.
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Há três candidatos correndo por fora na disputa pelo título brasileiro neste momento: Fluminense, Bragantino e Athletico-PR. As chances do Flu estão em 4,07%, mas a equipe passa por um momento de instabilidade. Nos últimos cinco jogos, os tricolores só venceram um. A parada para a Copa pode ajudar a dar um novo gás ao elenco.
Os outros dois desafiantes preferiam que não tivesse Mundial neste ano, pois vem subindo de produção a cada rodada. O Bragantino teve três vitórias seguidas e está com 3,66% de possibilidades de título. O Athletico-PR, que venceu seus dois últimos jogos, tem 3,07% de chances de ser campeão. Quando o Brasileirão voltar, Fluminense e Bragantino se enfrentam no Maracanã, enquanto o Furacão encerra o turno contra o São Paulo, no Morumbis.
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As chances são determinadas por modelos estatísticos aplicados pelo economista Bruno Imaizumi sobre microdados coletados pela equipe do Gato Mestre desde 2013. Foram analisadas as características de todas as finalizações e resultados de 5.116 jogos de Campeonatos Brasileiros, que servem de parâmetro para medir a produtividade atual das equipes no ataque e na defesa a partir da métrica de expectativa de gol (xG), consolidada internacionalmente.
Se uma equipe com desempenhos ofensivos e defensivos apenas medianos será visitante no segundo turno contra adversários que estejam com as melhores performances como mandantes, as chances desse visitante vencer são menores do que de um time eficiente e de alta produtividade ofensiva que tem agendados confrontos contra adversários que, neste momento, estejam com os piores desempenhos caseiros.
Porém, conforme novos jogos são disputados, os potenciais futuros mudam, rodada a rodada. Essas são algumas possibilidades que explicam quando as chances não acompanham exatamente as posições atuais da tabela de classificação: os potenciais futuros são diferentes dos resultados já conhecidos, entre outros motivos, devido à inversão de mandos no returno.
Chances de permanência
Na disputa pela permanência na Série A, as chances não estão a favor da Chapecoense. A equipe catarinense teve tudo para conseguir um bom resultado diante do líder Palmeiras, que teve um jogador expulso aos 42 do primeiro tempo, mas não conseguiu se aproveitar da vantagem numérica e ainda perdeu pênalti no último lance do jogo. Com apenas uma vitória em 17 partidas, as possibilidades de seguir na Série A estão apenas em 0,72%.
Além da Chape, fecham essa parte do Brasileirão no Z-4: Vasco, Remo e Mirassol. E um deles, mesmo na zona de perigo, vem demonstrando maior poder de reação. O Remo venceu três das últimas cinco partidas e tem 57, 60% de chances de permanência, acima dos demais integrantes da zona de rebaixamento e até do Grêmio, que está uma posição acima do Z-4.
Ao contrário de 2025, quando brigou na parte de cima da tabela de classificação, a disputa do Mirassol em 2026 é para evitar a queda para a Série B. Vivendo altos e baixos no campeonato, suas chances de permanência estão em 35,64%. O Vasco perdeu três jogos seguidos, dois deles em São Januário, e suas possibilidades de seguir na elite estão em 48,30%. O Grêmio, em 16º lugar, só venceu uma das últimas cinco partidas e seu percentual de permanência é de 55,54%.
Chances de Libertadores
Falta muito ainda para esquentar a briga pelas vagas na Libertadores, mas já é possível identificar que Palmeiras e Flamengo dificilmente deixam escapar duas das cinco disponíveis. As chances de G-4 e G-5 de ambos estão acima de 90%. Só uma queda de rendimento muito contundente mudaria esse panorama.
As outras vagas parecem abertas. Duas ou três vitórias seguidas podem abrir oportunidade para qualquer equipe entre o terceiro lugar, hoje ocupado pelo Fluminense com 31 pontos, e o 13º colocado, onde se encontra o Vitória com 22 pontos e um jogo a menos. No momento, o Tricolor carioca tem 47,02% de chances de G-4 e 60,03% de G-5.
Também despontando como favoritos e boas chances de G-5 estão o Bragantino com 59,48% e o Athletico-PR com 51,65%. O Bahia vem logo atrás com 29,48% e pode ter iniciado a recuperação justamente nesta 18ª rodada ao vencer o Botafogo.
O São Paulo, que esteve por um bom tempo no G-4, não vence há cinco partidas e suas possibilidades de G-5 estão agora em 23,24%. Dorival Júnior chegou recentemente e a parada para a Copa é a esperança da torcida tricolor para que o treinador arrume a casa para a segunda parte da temporada 2026.
Metodologia
Apresentamos as probabilidades estatísticas baseadas nos parâmetros do modelo de "Gols Esperados" ou "Expectativa de Gols" (xG), uma métrica consolidada na análise de dados que tem como referência as finalizações cadastradas pelo Gato Mestre em 5.116 jogos do Brasileirão desde a edição de 2013.
As variáveis consideradas no modelo são: (1) a distância e o ângulo da finalização em relação ao gol; (2) se a finalização foi feita cara a cara com o goleiro; (3) se foi feita sem a presença do goleiro; (4) a parte do corpo utilizada para concluir; (5) se a finalização foi feita de primeira, ajeitada ou carregada; se o chute foi feito com a perna boa ou ruim do jogador; (6) a origem do lance (pênalti, escanteio, cruzamento, falta direta, roubada de bola, lateral, etc); (7) se a assistência foi feita de dentro da área; (8) a posição em que o atleta joga; (9) indicadores de força do chute; (10) o valor de mercado das equipes em cada temporada a partir de dados do site Transfermarkt (como proxy de qualidade do elenco); (11) o tempo de jogo; (12) a idade do jogador; (13) a altura do goleiro em jogadas originadas de bolas aéreas; (14) a diferença no placar no momento de cada finalização.
De cada cem finalizações da meia-lua, por exemplo, apenas sete viram gol. Então, uma finalização da meia-lua tem expectativa de gol (xG) de cerca de 0,07. Cada posição do campo tem uma expectativa diferente de uma finalização virar gol, que cresce se for um contra-ataque por haver menos adversários para evitar a conclusão da jogada. Cada pontuação é somada ao longo da partida para se chegar ao xG total de uma equipe em cada jogo. Essa variação indica as chances de os times vencerem cada adversário e, a partir daí, é calculada a chance de os clubes terminarem o campeonato em cada posição.
O modelo empregado nas análises segue uma distribuição estatística chamada Poisson Bivariada, que calcula as probabilidades de eventos (no caso, os gols de cada equipe) acontecerem dentro de um certo intervalo de tempo (o jogo). Para chegar às previsões sobre as chances de cada time terminar o campeonato em cada posição foi empregado o método de Monte Carlo, que basicamente se baseia em simulações para gerar resultados. Para cada jogo ainda não disputado, realizamos dez mil simulações.
*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.
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