Coronel Sapucaia
Área ocupada por milho recua para 46% na segunda safra
Restrições na janela de plantio e risco climático reduziram o avanço da cultura
GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
Mato Grosso do Sul tem 70,6% das lavouras de milho da segunda safra 2025/2026 em boas condições de desenvolvimento, mas a cultura deve ocupar apenas 46% da área cultivada com soja no Estado, percentual inferior aos 75% registrados em anos anteriores. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (2) pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), que estima cultivo em 2,206 milhões de hectares, produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção total de 11,139 milhões de toneladas.
Além das áreas classificadas como boas, 18,4% das lavouras apresentam condição regular e 11% foram enquadradas como ruins. O levantamento indica que as melhores condições estão concentradas nas regiões norte, nordeste e oeste de Mato Grosso do Sul.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja, Gabriel Balta, a distribuição das chuvas e o período de semeadura influenciaram diretamente o desempenho das plantações.
“As regiões norte, nordeste e oeste apresentam, neste momento, os melhores índices de lavouras em boas condições. Já áreas do centro, sul e sul-fronteira registram maior percentual de lavouras regulares e ruins, principalmente em função da irregularidade climática e do risco de estiagem e geadas', explicou.
O plantio começou na terceira semana de janeiro e terminou na última semana de abril, totalizando 16 semanas de trabalho no campo. Conforme a Aprosoja, 78,8% da área cultivada foi semeada entre a segunda semana de fevereiro e a terceira semana de março, período considerado estratégico para o desenvolvimento da cultura.
A redução da participação do milho na área agrícola está relacionada às restrições da janela de plantio estabelecida pelo Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) e à adoção de culturas alternativas em regiões mais vulneráveis aos efeitos do clima, segundo a entidade.
Mesmo com o cenário predominantemente positivo, a Aprosoja acompanha os impactos causados por eventos climáticos registrados em maio. Municípios como Deodápolis, Fátima do Sul, Juti, Ivinhema e Dourados tiveram ocorrência de granizo, que atingiu aproximadamente 2,1 mil hectares de lavouras.
“Os danos provocados pelo granizo ocorreram de forma localizada, mas seguem em monitoramento pela equipe técnica da Aprosoja para avaliação dos impactos produtivos nas áreas atingidas', afirmou Gabriel Balta.
A entidade também monitora a incidência de pragas e doenças nas lavouras. Entre os principais desafios identificados estão a cigarrinha do milho, a lagarta-do-cartucho, pulgões e percevejos. Já entre as doenças mais frequentes aparecem cercosporiose, mancha bipolaris e helminthosporiose.
Os dados integram o monitoramento executado pela entidade com recursos do Fundems (Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja) e da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
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