• Sexta, 05 de Junho de 2026

Juliana aprendeu crochê no colo da mãe e fez do hobby profissão

Autodidata, artesã começou a criar peças aos 6 anos e hoje ensina outras pessoas a fazer o mesmo

NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS


Juliana aprendeu crochê aos 6 anos olhando a mãe (Foto: Arquivo pessoal)

Juliana Ferreira de Farias, 35 anos, carrega o crochê no DNA. A relação com as linhas e agulhas começou aos 6 anos, quando observava a mãe trabalhar. Sem aulas, ela aprendia sozinha, experimentando os movimentos que via. Hoje grande parte do guarda-roupa é feito por ela mesma. São blusas, biquínis, saias, casacos, vestidos e o que mais der na telha. O que era só observação virou hobby, depois fonte de renda e hoje profissão.

'Praticamente todo tipo de roupa que existe em crochê eu já produzi ao longo da minha trajetória. Grande parte do meu próprio guarda-roupa é composta por peças em crochê feitas por mim. Diria que cerca de 70% das roupas que uso têm alguma relação com o artesanal'.

Ainda criança, Juliana fazia pequenas encomendas, como bicos de pano de prato para professoras, pulseirinhas e roupinhas de Barbie, e vendia na escola.

'Eu cresci em uma região de Campo Grande onde existiam os antigos CMUs (Centros Múltiplos de Uso) que, nos anos 2000, ofereciam diversos cursos profissionalizantes. Havia cursos de crochê, bordado e outras artes manuais, mas também informática, manipulação de alimentos, fabricação de bombons, entre outros. Fiz praticamente todos esses cursos, e foi ali que comecei a aprimorar não só o crochê, mas também outras técnicas artesanais que domino até hoje'.

Na adolescência, criou junto com a mãe a marca Jú e Jô Crochê e Bordados. Enquanto a mãe se dedicava a bordados e peças de decoração, Juliana focava no vestuário, produzindo biquínis, vestidos, saídas de maternidade, mantas, toalhinhas e tapetes infantis.

A marca durou cerca de 10 anos até a pandemia abrir novas portas no mundo digital e motivar o encerramento do negócio presencial. Durante esse período ela começou a gravar vídeos para ensinar crochê e trabalhos manuais aos pais de alunos de pedagogia até que foi parar no Instagram e YouTube.

Isso abriu caminho para parcerias com marcas e projetos culturais. Após o isolamento, trabalhou em uma fábrica e loja de fio de malha em Campo Grande, ministrando aulas e supervisionando produção, vendas e logística. O cenário era bom, mas Juliana decidiu se dedicar exclusivamente à produção de conteúdo e ao ensino do crochê.

'Eu sempre levei o crochê em paralelo a outras profissões. Sou formada em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e atuei como professora por um período. Enquanto lecionava, mantinha minha produção artesanal e minha marca funcionando'.

O plano deu certo. Hoje, ela foca especialmente no ensino de vestuário em crochê, sua maior paixão, e produz cursos, mentorias, workshops e aulas presenciais que abrangem modelagem, construção de peças e empreendedorismo artesanal.

'Como o meu principal foco hoje é o ensino de vestuário em crochê, acabei desenvolvendo muita experiência com modelagem e construção de peças. Embora eu também ensine outros tipos de trabalhos manuais e peças decorativas, o vestuário sempre foi a minha maior especialidade'.

Além de fazer as próprias roupas e ensinar,  Juliana também produz peças para marcas, muitas vezes exclusivas, que nem sempre podem ser divulgadas publicamente. 'Ao longo da minha trajetória, acredito já ter produzido centenas, de peças de vestuário em crochê'.

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