• Sexta, 05 de Junho de 2026

Carteira de trabalho substitui cartão de benefício para 27,6 mil famílias em MS

Com desemprego em baixa e mais renda, Estado registra uma das menores taxas de extrema pobreza do país.

JOSé CâNDIDO / CAMPO GRANDE NEWS


A carteira assinada passou a representar uma nova fase na vida de Marcos Gabriel, que deixou de depender do auxílio após conquistar estabilidade financeira. Foto: Monique Alves/Sead

A carteira de trabalho assinada virou símbolo de uma nova fase na vida de Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos. Morador do Bairro Parati, em Campo Grande, ele está entre os 27,6 mil sul-mato-grossenses que deixaram de receber o benefício do programa Mais Social desde 2023 após conquistarem autonomia financeira.

A decisão de devolver o cartão do programa foi tomada em família. Para Marcos, permanecer no benefício quando a situação econômica já havia melhorado significaria ocupar uma vaga que poderia ajudar quem ainda enfrenta dificuldades.

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“Conversei com minha esposa e decidimos que continuar a receber seria injusto. O Mais Social nos ajudou bastante, mas hoje vejo que existem pessoas que precisam mais do que nós', afirma.

A trajetória da família reflete um movimento que tem se repetido em Mato Grosso do Sul. Marcos ingressou no programa em 2018, após perder o emprego em uma lavanderia. Com a renda comprometida, encontrou no auxílio uma forma de garantir a alimentação da família, formada pela esposa, quatro filhos e a sogra.

Durante esse período, buscou alternativas para reconstruir a vida profissional. Fez curso de barbeiro, trabalhou em casa, atuou como zelador de uma igreja e, atualmente, exerce a função de vigilante em uma entidade sindical rural. Ao mesmo tempo, os dois filhos mais velhos, de 17 e 18 anos, ingressaram no mercado de trabalho, fortalecendo a renda familiar.

O caso de Marcos representa um dos resultados que o Governo do Estado atribui à combinação entre programas de transferência de renda, qualificação profissional e incentivo à educação.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead), Mato Grosso do Sul figura entre os estados com menor dependência de programas sociais no país. Para ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho, o Estado criou iniciativas complementares ao Mais Social.

Entre elas está o Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família, que garante auxílio adicional de R$ 600 por criança de até três anos de idade para mães solo que trabalham formalmente ou contribuem para a Previdência Social. O objetivo é ajudar no custeio dos cuidados com os filhos enquanto elas exercem atividade profissional.

Outra medida prevê o pagamento de R$ 300 mensais para beneficiárias que retornam aos estudos por meio do ensino regular ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Já o programa MS Supera oferece bolsas de R$ 1.621 para estudantes de baixa renda matriculados em cursos técnicos ou universitários.

Os reflexos dessas políticas aparecem nos indicadores sociais. Dados do IBGE apontam que a proporção de pessoas em situação de extrema pobreza em Mato Grosso do Sul caiu de 2,7% para 1,6% em apenas dois anos, uma redução de 40,7%. O percentual coloca o Estado com o terceiro menor índice de extrema pobreza do Brasil.

No mesmo período, cerca de 34 mil famílias deixaram a condição de insegurança alimentar, enquanto 44,6 mil pessoas saíram da faixa de pobreza, segundo informações do Cadastro Único.

O desempenho da economia também contribui para esse cenário. Mato Grosso do Sul encerrou o último trimestre de 2025 com taxa de desocupação de 2,4%, a segunda menor do país e a mais baixa já registrada na série histórica estadual.

Com mais vagas de trabalho e programas voltados à qualificação profissional, o desafio agora é ampliar o número de famílias que conseguem transformar o auxílio temporário em porta de entrada para uma vida com renda própria e maior estabilidade econômica.



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