• Sábado, 06 de Junho de 2026

Fiel escudeiro de Jorge Jesus no Flamengo é o pai da revolução no futebol de Cabo Verde até a Copa

João de Deus, braço direito do ex-técnico do Flamengo no ano vitorioso de 2019, foi responsável por criar o plano de trabalho para a seleção cabo-verdiana chegar ao Mundial

GLOBOESPORTE.COM / RAPHAEL BóZEO


João de Deus com a seleção de Cabo Verde — Foto: Reprodução / Tubarões Azuis, no Olimpo dos Deuses do Futebol

Antes do ano mágico de 2019 pelo Flamengo, João de Deus, braço direito e auxiliar de Jorge Jesus, já havia desenhado a planta e o caminho de um sonho que parecia grande demais para Cabo Verde: disputar uma Copa do Mundo.

O embrião foi plantado por João de Deus entre 2008 e 2010, quando foi treinador da seleção principal de Cabo Verde, acumulando a função de Diretor Técnico Nacional da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF).

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Em um país onde os campeonatos são disputados por clubes amadores e semiprofissionais, espalhados por nove ilhas, separadas por horas de barco ou voo, o português João se debruçou em capacitações, encontros e treinamentos com os profissionais de todo o país. Seu objetivo? Criar uma padronização no sistema de jogo e no entendimento do futebol em Cabo Verde, onde todos caminhassem na mesma direção.

Quem garante que essa semente existiu é o próprio presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo, que recebeu a equipe do Globo Esporte na sede da entidade, na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, para uma entrevista exclusiva.

"Quem começou a reestruturação da seleção nacional foi o João. Ele é extraordinário. Ele elaborou um plano de desenvolvimento de médio e longo prazo e através desse plano nós trabalhamos e conseguimos alcançar os objetivos propostos até chegar à Copa do Mundo."

Ligação ao vivo

No meio da entrevista, pedimos a Semedo que ligasse para João de Deus. O presidente prontamente pegou o celular, ligou e, do outro lado da linha, o português atendeu na hora. Gravamos a conversa e a trouxemos para esta reportagem.

"Não foi um trabalho de uma pessoa só, foram muitas pessoas empenhadas para esse projeto dar certo. Fiz muitos amigos em Cabo Verde, foi um trabalho muito especial. Quero desfrutar desse momento em ver Cabo Verde neste Mundial", disse João de Deus, do outro lado da ligação, em vídeo.

A linha que chega até Bubista

João de Deus foi o responsável pela elaboração e pela arquitetura, mas a construção não parou por aí. Quem assumiu na sequência foi o cabo-verdiano Lúcio Antunes, que conduziu os Tubarões Azuis à primeira Copa Africana de Nações da história, em 2013, salto que colocou o país no mapa do futebol africano.

Depois veio o português Rui Águas, em duas passagens (2014-2016 e 2016-2018), responsável por dar continuidade ao status conquistado e levar Cabo Verde à Copa Africana das Nações, de 2015. Entre um ciclo e outro, ainda passaram pelo comando nomes como Felisberto "Beto" Cardoso e Janito "Kivs" Carvalho, em períodos de transição, até a chegada de Pedro Leitão Brito, o Bubista.

Auxiliar de tantos antes de se tornar o comandante, Bubista levou Cabo Verde à Copa do Mundo pela primeira vez e foi eleito o Treinador Africano do Ano de 2025 pela CAF. É ele quem vai estar na beira do campo comandando os Tubarões Azuis no Levi's Stadium, em Atlanta, na estreia contra a Espanha, no dia 15 de junho, pelo Grupo H.

Cabo Verde está na Copa do Mundo. E parte dessa história é uma viagem ao passado, resgatando quem ajudou a pavimentar o caminho até a geração mais impactante do futebol cabo-verdiano se apresentar ao mundo.



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