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Danilo viaja ao passado por nova história em Copas e analisa críticas: "Totalmente compreensível"
Lateral sofreu com lesões em 2018 e 2022, e vê oportunidade de reescrever a própria história com vaga entre os titulares diante do Marrocos: "Chego no melhor momento mental possível para colaborar"
GLOBOESPORTE.COM / CAHê MOTA
Primeiro convocado por Carlo Ancelotti, às vésperas do terceiro Mundial, com 70 jogos e 15 anos de Seleção.
O histórico por si só poderia ser suficiente para justificar a presença de Danilo na Copa do Mundo. Para muitos, no entanto, não é. Provável titular do Brasil na estreia do próximo sábado diante do Marrocos, o jogador do Flamengo vive entre dois mundos, onde a relevância da porta da concentração para dentro contrasta com os questionamentos externos. Realidade que encara com a naturalidade com que trabalha para reescrever sua própria história em Mundiais.
Absoluto em 2018 e 2022, Danilo sofreu com lesões e viveu dramas pessoais que vão além das eliminações para Bélgica (quando sequer conseguiu entrar em campo) e Croácia. São apenas quatro jogos, 372 minutos em Copas do Mundo, e muitas memórias que o transformam a percepção de quem viu surgir a oportunidade de participar da terceira estreia do Brasil em Mundiais vivendo o outro lado desta história. As lesões de Militão e Wesley abriram a brecha que o zagueiro do Flamengo e lateral da Seleção garante estar pronto para agarrar:
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- Vida, né?! A capacidade de se adaptar aos momentos e oportunidades. Quando eu comecei lá atrás, imaginava que poderia jogar três Copas do Mundo, mas pensava em 2014, 2018, 2022. Seria minha idade mais produtiva como atleta, digamos assim. Vim até 2026 em uma outra concepção.
"Foi uma jornada maravilhosa. Poder participar desta terceira me faz pensar o quanto o tempo é importante na vida. O tempo te faz analisar melhor as situações, ver como você poderia ter gerido tal situação, ter sido importante para o grupo em situação específica. Chego no melhor momento mental possível para colaborar para a posição"
- Todos nós estamos preparados para contribuir de alguma maneira com características diferentes e agregar no contexto geral. A vida não te prepara, ela te dá a oportunidade. E aí? O que você vai fazer? Você se preparou? Se dedicou? Está pronto? E é assim que acontece as grandes "sortes" da vida. Eu penso nisso e me preparo muito.
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A serenidade com que absorveu as frustrações do passado e projeta realizações no futuro é a mesma com que Danilo encara os questionamentos pela presença no terceiro Mundial. No equilíbrio entre a razão e a emoção, o jogador de 34 anos se coloca no lugar do torcedor e assume a responsabilidade de conquistar em campo a confiança dos milhões que não entendem as razões de Ancelotti:
- Eu sempre digo que o futebol é um recorte do todo da vida. A gente neste momento precisa justificar tudo, precisa, de certa forma, estar se provando todos os dias. Muito mais do que ser, ainda parecer ser, o que é uma coisa engraçada. Eu entendo completamente, porque as pessoas sempre pensaram isso de que o jogador para estar na Seleção tem que ser o principal jogador do contexto do time dele. Mas os tempos mudaram e a concepção de um grupo vai além disso. Muitas vezes as pessoas que analisam futebol, por má vontade, entende que há titular e os que não jogam. A concepção de futebol hoje vai muito além disso. No Flamengo, a cada jogo vai o time que é mais apto para aquele tipo de adversário, mas insistimos em falar titular e reserva, o que não existe em lugar nenhum. Eu entendo que as pessoas enxerguem desta maneira, principalmente torcedor.
"É totalmente compreensível. Cabe a mim trabalhar, demonstrar importância, responder em campo e tentar ganhar. Quando se ganha, todas as dúvidas e contestações são sanadas. Eu entendo com muita tranquilidade. Talvez se eu estivesse do outro lado, sem entender todos os aspectos, pensaria a mesma coisa"
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Titular no empate com a Suíça, em 2018, e na vitória sobre a Sérvia, em 2022, Danilo é o favorito para começar a Copa do Mundo na lateral direita da Seleção novamente no próximo sábado, às 19h (de Brasília), diante do Marrocos. Ao lado de Alisson e Casemiro, formará o trio que repetirá o feito, e sabe que terá uma lupa em seus erros e acertos. Realidade que encara com a naturalidade com que enfrentou temas diversos em pouco mais de meia hora de bate-papo com o ge antes do embarque da Seleção para os Estados Unidos.
Confira abaixo a íntegra:
Questionamentos por convocação
- Eu sempre digo que o futebol é um recorte do todo da vida. A gente neste momento precisa justificar tudo, precisa, de certa forma, estar se provando todos os dias. Muito mais do que ser, ainda parecer ser, o que é uma coisa engraçada. Eu entendo completamente, porque as pessoas sempre pensaram isso de que o jogador para estar na Seleção tem que ser o principal jogador do contexto do time dele. Mas os tempos mudaram e a concepção de um grupo vai além disso. Muitas vezes as pessoas que analisam futebol, por má vontade, entende que há titular e os que não jogam. A concepção de futebol hoje vai muito além disso. No Flamengo, a cada jogo vai o time que é mais apto para aquele tipo de adversário, mas insistimos em falar titular e reserva, o que não existe em lugar nenhum. Eu entendo que as pessoas enxerguem desta maneira, principalmente torcedor. É totalmente compreensível. Cabe a mim trabalhar, demonstrar importância, responder em campo e tentar ganhar. Quando se ganha, todas as dúvidas e contestações são sanadas. Eu entendo com muita tranquilidade. Talvez se eu estivesse do outro lado, sem entender todos os aspectos, pensaria a mesma coisa.
Memórias e experiências em 2018 e 2022
- Enxergo toda crise como uma oportunidade. Vivi aprendizados importantes de tudo. Desde a forma como abordar o lance em um treinamento, que foi como eu me machuquei e fiquei fora contra a Bélgica. Desde pensar como ser mais influente no grupo para em 2022 chamar todo mundo e falar que era o momento de defender. Desde passar a tranquilidade para um jogador mais jovem, que é o que eu faço agora. Os momento difíceis são importantes para a gente fazer diferente.
Terceira Copa do Mundo
- Vida, né?! A capacidade de se adaptar aos momentos e oportunidades. Quando eu comecei lá atrás, imaginava que poderia jogar três Copas do Mundo, mas pensava em 2014, 2018, 2022. Seria minha idade mais produtiva como atleta, digamos assim. Vim até 2026 em uma outra concepção. Foi uma jornada maravilhosa. Poder participar desta terceira me faz pensar o quanto o tempo é importante na vida. O tempo te faz analisar melhor as situações, ver como você poderia ter gerido tal situação, ter sido importante para o grupo em situação específica. Chego no melhor momento mental possível para colaborar para a posição.
Convocação antecipada em março
- Foi curioso. Eu desenvolvi uma ligação com o Mister muito importante por vários fatores, pela forma de trabalhar, pela seriedade, pela humildade dos grandes. Ele é um cara muito grande que se coloca no lugar de todo mundo. Eu estava no quarto me preparando para o treino e costumo assistir as entrevistas coletivas, mas nesse dia não assisti, estava fazendo outra coisa. Quando eu peguei o telefone, estava cheio de mensagens de parabéns, rede social e eu pensei: "O que aconteceu? Não estou entendendo nada". Aí que eu fui ver. Saí dali e fui treinar com o dedo cruzado. No vestiário, o Mister me falou: "Começaram a falar um monte de coisa, eu disse que você ia e pronto". Eu falei que poderia ter me avisado (risos). É um episódio bacana, reconhecimento de um trabalho, de uma importância que dificilmente tem esse reconhecimento. Nós temos que dar satisfação para coisas que as pessoas não estão vendo. O Mister pelo tamanho que tem, por ser correto, pensa nas decisões corretas e é satisfatório para mim ter esse episódio.
Relevância nos bastidores
- Primeiro, eu preciso jogar, preciso estar no campo e responder. E a minha carreira, esse período no Flamengo respondem por si só. Não são poucos jogos, é bastante. Conquistamos, puder jogar jogos importantes, jogos de nível europeu e me senti superbem para isso. Quanto a isso, não tenho o menor problema quanto a mim mesmo. Se tivesse, poderia estremecer e surgir as dúvidas. Depois, eu fui forjado na convivência com grandíssimos jogadores e líderes. Cada um a sua maneira. Os dois líderes mais importantes que tive foram meu pai e minha mãe. Depois, desde o América-MG tive jogador como Flávio, Wellington Paulo, Euller... No Santos, com Edu Dracena, Durval, Léo.. No Porto, com Lucho González, Elton. Aí, vamos para Sérgio Ramos, Pepe, Cristiano Ronaldo, Kompany, Chiellini, Bonucci, Buffon... Líderes incríveis que tive na vida. Cada um era de um jeito e eu seria pouco inteligente se não aprendesse com esses caras. E uma coisa que eu aprendi foi a ouvir. Muitas vezes, acham que o líder é aquele que fala muito. Eu busco ouvir, entender o lado do outro e aí, sim, conseguir dar um direcionamento e abordar. Escutamos muito pouco enquanto sociedade. No futebol também. Eu tento escutar, abordar, ouvir a história de vida, o que cada um está passando. E sou um cara que não relaxa nunca. Eu treino como jogo, lido com os horários como jogo, academia como jogo. Essa é a mentalidade que aprendi e trouxe até aqui.
Relação da torcida com a Seleção
- O gap entre aquilo que é a essência do futebol. A paixão, o fanatismo, e o negócio da indústria do futebol ficou grande. A gente já parte por aí. Uma coisa importante a se fazer é que nós, atletas, sejamos mais racionais quanto a isso. Não dá para esperar que o torcedor seja calmo e tranquilo quando o Brasil não ganha, quando não dá espetáculo. Eu, como torcedor, também esperava isso. O torcedor é passional, vai ser assim e tem que ser assim. Cabe a nós, enquanto atletas, entender e tentar que isso não tenha tanto peso voltado para nós. Quer dizer que não importa? Não é isso. Mas o momento de negatividade temos que entender que é para o torcedor que quer show. Nós temos que entender que é um momento porque os resultados não estão acontecendo. Quando acontecer, vamos conectar naturalmente. E tem uma parte complicada que o futebol se mistura com política. Às vezes, protestamos com jogador a, b ou c, porque pensamos que ele devia ter posição x, y, z... Mas falando só de futebol, cabe a nós fazer o trabalho e demonstrar. Quando a gente ganhar, o torcedor vai estar perto. E é natural que seja assim.
Confiança para ganhar a Copa
- Primeiro, temos jogadores importantes e jogadores dos melhores times do mundo em momentos incríveis. Vini, Raphinha, Bruno, Marquinhos, Gabriel Magalhães... Temos gente importante. Temos um treinador que está habituado a vencer. Algumas coisas no futebol não se explica. Não adianta falar isso ou aquilo. O Mister é super vitorioso, são vivências e ele tem aura. Isso está do nosso lado agora e é importante. Internamente, tentamos organizar os processos, ter os profissionais que devíamos ter, não se preocupar com o que não deveríamos. Focar nos treinos, nos jogos, e a junção dessas coisas nos faz acreditar.
Adversários na Copa
- O futebol evoluiu em todos os sensos. Os times fazem estratégias para bloquear os adversários onde é mais forte. É um grupo de Copa do Mundo, vai ser difícil jogar. Tem todo enredo de nervosismo, ansiedade, coisas intangíveis e incontroláveis. Temos que pensar que cada minuto é decisivo. Temos que dar ao máximo em cada jogo, vencer, não fazer conta e não administrar nada. É um grupo de Copa do Mundo.
Humildade para entender o jogo e ser competitivo
- Temos que ser competitivos e isso independe de como. Isso não temos que encontrar. O Brasil durante um tempo acreditou muito que o talento por si só, o jogador brasileiro, e depois de muito tempo entendemos que não bastava só o talento. Aí, fomos numa linha muito europeia de imitar e saímos para um lado muito europeu, o que deu uma travada. O segredo é encontrar um equilíbrio do critério europeu, do pragmatismo europeu, mas também com o jogo bonito, a alegria, a inventividade do jogador brasileiro para vencer. Isso foi o que nos fez vencer muitas das vezes e o momento é isso. Se você vai jogar com um adversário que tem uma posse muito bem assegurada, vamos jogar com linhas médias e aproveitar os espaços. E aí, como vamos jogar o jogo? Vamos ver.
Peso social desta Copa do Mundo com novas regras
- Muitas vezes o futebol tem a mística de que é um ambiente que pode tudo e está fora da vida normal. Não, é um segmento, um recorte da vida. E acredito que são regras importantes para uma mudança. Muitas vezes num campo de futebol, numa arquibancada, a gente fala coisas, expressões que não falamos na nossa casa, com nossos amigos, no ambiente corporativo. Por que no futebol permite? São mudanças que podem refletir na forma de se comportar.
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