• Segunda, 15 de Junho de 2026

Voz da mãe faz aluno autista sorrir, chorar e até beijar o fone de ouvido

Professora pediu que familiares enviassem áudios sobre a importância dos filhos na família

THAILLA TORRES / CAMPO GRANDE NEWS


Professora percebeu que palavras de carinho ajudavam a acalmar e aproximar as crianças (Foto: Andréia Brandão)

Numa sala de aula de Jaraguari, a 45 quilômetros de Campo Grande, três estudantes colocaram fones de ouvido para escutar mensagens gravadas pelas próprias mães. Primeiro, veio a tentativa de reconhecer a voz. Depois, as reações que ninguém precisou explicar: um sorriso tímido, lágrimas e até um beijo no fone de ouvido.

A atividade faz parte de um projeto desenvolvido pela professora Andréia Cavalheiro de Santana Brandão, de 53 anos, que atua na educação especial com três alunos, sendo um estudante autista não verbal e dois com deficiência intelectual.

A ideia nasceu da observação do dia a dia em sala de aula. Andréia percebeu que palavras de carinho ajudavam a acalmar e aproximar as crianças, principalmente nos momentos mais difíceis.

'Comecei a observar que todas as vezes que as crianças faziam algo que não deviam, como jogar o caderno no chão, derramar suco na mesa da escola ou tentar se alterar ao receber um 'não', eu me aproximava, conversava com elas, beijava suas cabeças e dizia o quanto eram lindas e inteligentes', conta.

A resposta dos alunos chamou a atenção. 'Notei que, ao receberem essas palavras positivas, elas ficavam alegres e saltitantes, como se o carinho transformasse aquele momento de tensão em algo leve e especial. Principalmente o estudante autista não verbal.'

A partir dessa experiência, a professora pediu que as mães enviassem áudios pelo WhatsApp falando sobre a importância dos filhos dentro da família e expressando sentimentos de afeto.

O momento em que as mensagens foram reproduzidas ficou marcado pela tentativa dos estudantes de identificar quem estava do outro lado da gravação.

'Primeiro momento foi tentar entender a voz do outro lado e a reação ao identificar a voz da mãe. As lágrimas emocionadas do estudante com déficit intelectual, o sorriso do outro estudante com déficit intelectual ao identificar e dizer 'a mamãe' e do estudante autista não verbal ao identificar a voz da mãe com um pequeno sorriso e, no final, querer beijar o fone de ouvido', relata.

Entre todas as cenas, uma delas deixou a professora ainda mais emocionada. 'Sim. Do estudante que chorou muito ao ouvir a mensagem. No final se levantou e nos abraçou bem forte.'

As três famílias participaram da atividade à distância. Duas mães moram em chácaras afastadas e a terceira trabalha como técnica de enfermagem no município. Todas gravaram e enviaram os áudios pelo celular.

Para Andréia, a experiência reforçou algo que ela observa diariamente na educação especial: a importância do vínculo familiar no desenvolvimento dos estudantes. 'Os estudantes mantêm uma ligação muito forte com as mães, o que é um papel fundamental no desenvolvimento social e emocional.'

Ela acredita que esse apoio também aparece dentro da escola. 'Quando os estudantes se sentem valorizados e amparados em casa, isso reflete diretamente no seu desempenho na escola, estimulando a aprendizagem e a construção de habilidades socioemocionais.'

Depois da atividade, a professora percebeu mudanças na convivência dos alunos. 'O vínculo familiar é de extrema importância para o desenvolvimento escolar dos estudantes.'

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