• Quarta, 17 de Junho de 2026

No detalhe: os motivos táticos que mantêm Endrick atrás na disputa por espaço na Seleção

Utilizado pelo lado direito no Lyon, atacante disputa espaço em uma função diferente daquela imaginada pela torcida

GLOBOESPORTE.COM / LEONARDO MIRANDA


Endrick - Seleção Brasileira - Copa do Mundo — Foto: IMAGN IMAGES via Reuters/Caean Couto

Só se fala nele: Endrick! Após o empate por 1 a 1 com o Marrocos, o atacante chamou a atenção por não ter entrado em campo, mesmo com o desempenho discreto de Igor Thiago e a dificuldade da Seleção para criar oportunidades.

Como você leu aqui, Carlo Ancelotti tem tratado a evolução do jovem atacante com paciência. Mas a explicação para a falta de minutos vai além da idade ou da experiência internacional: está também no desempenho tático e técnico do atacante na temporada.

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Apesar de vestir a camisa 9, Endrick não joga como centroavante no Lyon.

Desde sua chegada ao Lyon, o atacante disputou 22 partidas, sendo titular em 20 delas, com 10 gols e seis assistências. Ao todo, participou diretamente de um gol a cada 109 minutos em campo. No 4-2-3-1 do treinador Paulo Fonseca, Endrick ocupa o corredor direito em uma linha de três meias, com Khalis Merah centralizado e Afonso Moreira na esquerda.

Na vitória sobre o PSG em abril, Fonseca utilizou um 4-3-3 em que Khalis Merah atuava como falso nove e Endrick partia novamente da direita. Veja na imagem abaixo:

Nesse posicionamento, Endrick consegue explorar duas de suas maiores qualidades: a explosão física e a capacidade de atacar os espaços. Em vez de ficar preso entre os zagueiros esperando a bola chegar, ele parte do lado direito e aparece na área em velocidade.

No tatiquês, esse movimento é chamado de atacar a profundidade: correr nas costas da defesa para receber livre ou chegar antes da marcação.

GOL CONTRA O PSG É EXEMPLO DA MOVIMENTAÇÃO

O melhor exemplo aconteceu justamente contra o PSG, principal força do futebol europeu na temporada. Na vitória do Lyon por 2 a 1, Endrick começa o lance do primeiro gol pelo lado direito. Ele não fica enfiado entre os zagueiros. Parte da direita enquando a defesa do PSG ainda está se reorganizando e aproveita o espaço às costas para chegar de surpresa entre os zagueiros e abrir o placar.

Não é apenas no momento do gol que essa característica aparece. Durante boa parte do jogo, Endrick recebe a bola aberto pelo lado direito, parte para cima do marcador e acelera em direção à área. Em vez de atuar entre os zagueiros, esperando cruzamentos ou jogando de costas para o gol, ele aparece de surpresa nos espaços deixados pela defesa.

O mapa de calor da temporada comprova: a maior concentração de ações acontece justamente pelo corredor direito.

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E NA SELEÇÃO, ONDE ENDRICK PODE JOGAR?

Existe uma diferença entre teoria e prática. Na teoria, Endrick pode entrar no time nas três posições do ataque. Na prática, disputa posição atualmente com Raphinha, titular do lado direito no 4-4-2 de Carlo Ancelotti, ou com Luis Henrique, que entrou nos amistosos antes da Copa e também contra o Marrocos pelo mesmo setor.

A disputa não é tão simples. Enquanto o atacante do Lyon é mais acionado para acelerar jogadas e atacar espaços, Raphinha participa muito mais da construção ofensiva. O jogador do Barcelona acerta, em média, 36,6 passes por 90 minutos, contra 16,0 de Endrick . A diferença aparece também nos passes recebidos (32,9 contra 13,2 por 90 minutos), nos passes para o terço final (3,7 contra 2,1) e nos passes para dentro da área (3,1 contra 2,0).

Os números mostram que Endrick é mais decisivo perto do gol. Já Raphinha oferece uma participação mais constante ao longo dos 90 minutos, ajudando na construção das jogadas e no equilíbrio coletivo da equipe. Um dos movimentos mais feitos por Raphinha é buscar o jogo dos volantes, muitas vezes até pela esquerda, como na imagem abaixo.

Nada disso significa que Endrick esteja distante de ganhar espaço na Seleção. A avaliação de Ancelotti, assim como a de Dorival, Paulo Fonseca e até Abel Ferreira, é que Endrick precisa ampliar sua participação para além dos momentos decisivos, contribuindo mais na construção e nas fases sem a bola.

E aí, Endrick seria seu titular ou não? Iremos descobrir na sexta-feira, às 21h30 (de Brasilia), diante do Haiti, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo.



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