• Terça, 23 de Junho de 2026

Análise: na "Messilândia", craque argentino entrega diversão e amplia aura de lenda

Camisa 10, onipresente nas ruas e nas arquibancadas de Dallas, perde pênalti, marca golaço, bate recorde e coloca equipe na segunda fase da Copa do Mundo

GLOBOESPORTE.COM / LEONARDO LOURENçO


Diversos torcedores da Argentina vestindo a camisa de Lionel Messi — Foto: Reuters

Quando Thiago Almada abriu as pernas e deixou a bola passar, só havia um jogador para completar o cruzamento de Medina para o gol. Nem o mais ousado dos roteiristas tiraria de Messi aquele momento. Era para isso que o estádio de Dallas estava lotado.

Messi desembarcou no Texas no domingo, na véspera da partida contra a Áustria, com os mesmos 16 gols do alemão Miroslav Klose. Aos 37 minutos do primeiro tempo da partida, na segunda-feira, ele surgiu no meio da área para aproveitar o corta-luz do companheiro – que deveria contar como assistência –, fez um golaço e se isolou como o maior artilheiro da história das Copa. Ele ainda faria outro no fim do jogo. Isso você já sabe.

Mas, óbvio, houve drama e suspense antes.

+ Messi comemora recorde com classificação da Argentina: "Espetacular" + "Não sei o que dizer", afirma Scaloni após nova marca do craque

Dez anos atrás, na derrota para o Chile na Copa América Centenário, Messi anunciou que seu tempo na seleção argentina tinha acabado – até ali, sem títulos pela equipe principal, numa relação estremecida com torcedores, que contavam com o craque para encerrar a seca de taças que durava desde 1993.

Messi desistiu de desistir semanas depois e precisou de tempo para recuperar a confiança de seus compatriotas. O jejum argentino terminou no Brasil, em 2021, com a conquista da Copa América. O laço dos torcedores com Messi se tornou inquebrável um ano depois, com o tricampeonato mundial no Catar.

Em Dallas, argentinos fizeram da cidade a sua própria “Messilândia'.

Os três gols marcados pelo camisa 10 contra a Argélia, na estreia desta Copa, o colocaram lado a lado com Klose. Estava claro, para aquele bando de gente que tomou as ruas da cidade com camisas azuis e brancas, que a segunda-feira seria histórica.

E pareceu fácil demais quando o árbitro egípcio Amin Mohamed foi ao monitor para checar um possível pênalti de Posch em Lautaro Martínez, não muito tempo depois do primeiro apito. A falta foi marcada, e milhares de celulares foram apontados para a grande área austríaca – todos sabiam o que estava prestes a acontecer.

Pois bem. Ainda não.

Messi bateu mal, a bola passou à esquerda do goleiro. O craque se curvou para frente, puxou os shorts, olhou para o céu, escondeu o rosto com as mãos e voltou, caminhando e frustrado, para o meio de campo.

Pouco depois, Messi pegou um rebote dentro da área, e Alaba bloqueou a bola, que estava a caminho da rede.

O camisa 10 então parou de enrolar com aquela história. Ele sabia o que as pessoas nas arquibancadas queriam ver. Foi quando Almada cumpriu o papel de coadjuvante do dia e deixou a bola passar.

A Áustria se esforçou, criou problemas para um time montado para o buscar o tetracampeonato, mas não era uma tarde para vilões, não caberia a ninguém tomar o protagonismo de Messi – que nos acréscimos do segundo tempo, marcaria seu 18º gol em Mundiais, o quinto da Argentina em duas partidas neste torneio, todos dele.

A vitória classificou a Argentina para a segunda fase da Copa do Mundo, o gol ampliou a aura de Messi.

Nas ruas e arquibancadas, ele divide cantos, camisas e bandeiras com Maradona – imagine ser reverenciado por milhares num templo para 70 mil pessoas, ouvir orações em seu nome, ter sua imagem ao lado da de uma divindade. O que isso faz de você?



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.