Esportes
Pausa para hidratação gera críticas, e Fifa avalia aplicação para Copa do Mundo feminina no Brasil
Paradas se tornaram obrigatórias neste Mundial mesmo quando clima não interfere na partida; torneio feminino em 2027 terá jogos em cidades como Fortaleza, Recife e Salvador
GLOBOESPORTE.COM / LEONARDO LOURENçO
Quando o árbitro apitou por volta dos 23 minutos dos dois tempos de Argentina x Áustria, na segunda-feira, uma parte considerável do estádio de Dallas, lotado com 70 mil pessoas, vaiou. No mesmo instante, os bares se encheram de pessoas que aproveitaram aqueles três minutos de bola parada para encher seus copos de cerveja ou comer algo.
Enquanto isso, técnicos usavam o tempo para fazer ajustes em seus times – ainda que que a pausa tenha interrompido um bom momento da equipe.
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São os diferentes lados da moeda da pausa para hidratação, algo que se tornou mandatório em todos os jogos desta Copa do Mundo, não importa se sob o calor da tarde em Nova Jersey ou se à noite na arena climatizada de Dallas.
Em campo, as reações se dividem. Torcedores indicam não terem gostado, e há jogadores e treinadores que reforçam o coro. Mas, há, também, técnicos que gostaram da medida. De outra forma, a pausa se tornou mais um momento para vender espaços publicitários durante as partidas – e cervejas ao equivalente a R$ 90 nos estádios.
+ Painel Tático: como as paradas para hidratação mudam partidas na Copa
As paradas obrigatórias foram anunciadas em dezembro e, pelo que o ge apurou, não há debate sobre mudanças para esta Copa. Para os próximos torneios da Fifa, porém – como a Copa do Mundo feminina no Brasil, em 2027 –, a entidade ainda avalia como será feita a aplicação das pausas.
– Vamos tomar decisões com base na experiência desta Copa. Talvez o treinador possa corrigir alguns erros durante a parada. Os jogadores podem descansar um pouco e voltar a toda velocidade. Isso é necessariamente ruim? Talvez seja bom – disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, à agência AP.
A Fifa justifica a medida como necessária para a saúde dos atletas e o equilíbrio da competição. Com partidas sendo disputadas em 16 cidades de três países diferentes, as condições climáticas variam bastante. Parar os jogos em alguns locais e não em outros poderia gerar desigualdades, acredita a entidade.
– Para qualquer jogo, não importante onde eles forem disputados, não importa se há teto ou climatização, haverá uma parada de três minutos para hidratação. Serão três minutos nos dois tempos – afirmou Manolo Zubiria, diretor de competição da Fifa, em dezembro.
A Copa do Mundo feminina será disputada no Brasil no inverno de 2027. Ainda assim, em algumas sedes, como Fortaleza, Recife e Salvador, é normal o termômetro se aproximar ou passar dos 30 graus nessa época do ano.
Essa é a temperatura que a CBF, por exemplo, usa como critério para definir se uma partida será paralisada por três minutos ou não no Campeonato Brasileiro deste ano – durante o período mais quente do ano, de janeiro até 30 de março, as paradas eram obrigatórias em todos confrontos.
A Conmebol adotou medida semelhante à da Fifa na Copa, com pausas obrigatórias independentemente das condições – e transformou o momento em entretenimento, com microfones colocados sobre técnicos captando as instruções deles aos jogadores.
– Eu diria que agora temos quatro tempos. São três minutos para falar com os jogadores. Mas é assim que é, temos que seguir. Tudo o que você tem em mente para o jogo pode mudar nesses 22, 23 minutos (até a pausa). Para quem quer atacar, é um tempo para fazer ajustes, mas é estranho se adaptar. Se isso continuar, imagino que logo será algo normal, mas hoje não é normal – afirmou o técnico da Argentina, Lionel Scaloni, nesta semana.
O colega Marcelo Bielsa, do Uruguai, é ainda mais crítico:
– Jogar quatro tempos em vez de dois altera a concepção e a cultura que foram construídas para interpretar o futebol. Essa mudança não acrescenta nada e tira muito.
Anfitrião nesta Copa, o técnico Mauricio Pochettino, dos Estados Unidos, que já havia criticado a medida antes, agradeceu a parada depois de seu time bater a Austrália em Seattle, na sexta, num jogo ao meio-dia.
– Hoje eu concordo com as paradas. Foi duro para os jogadores, num estádio aberto, ao meio-dia no verão. Estava muito quente e ajudou os dois times a se recuperarem. É importante para manter o espetáculo, e hoje, nesse tipo de jogo, é necessário.
Ronald Koeman, da Holanda, também gosta do momento de conversa com os atletas:
– Você pode usar de diferentes formas para tirar vantagem, é isso que estamos fazendo – afirmou.
Para quem está em casa, os "cooling breaks", como chama a Fifa, tornaram-se outro momento de ver comerciais durante as partidas, já que algumas televisões estão vendendo esse espaço para publicidade.
– As pausas para hidratação são um pouco curiosas. Eu vi praticamente todos os jogos até hoje. Sempre interromper o jogo para fazer publicidade é algo de que não gosto. Para quem está assistindo pela TV, também não é muito agradável. Portanto, se estiver realmente muito calor, faz sentido haver essas pausas, mas penso que é preciso analisar cada jogo individualmente – afirmou o zagueiro holandês Virgil van Dijk.
Segundo apurou o ge, a Fifa impôs condições a seus parceiros para que pudessem explorar comercialmente as pausas. A transmissão precisa continuar no campo por 20 segundos após o apito do árbitro e retornar 30 segundos antes do fim da parada – isso ainda rende 2min10 em espaço publicitário.
Houve confusão logo no jogo de abertura, porém. A Fox, principal parceira da Fifa nos Estados Unidos, foi para os comerciais na pausa do segundo tempo de México x África do Sul e perdeu o reinício da partida. De acordo com pessoas com conhecimento do assunto, o problema se deu porque a parada foi apitada quando a transmissão mostrava o replay do segundo gol do México – e ninguém percebeu que a partida já tinha sido interrompida.
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