• Segunda, 13 de Julho de 2026

Três dias de ensaio e até 180 pessoas: como funciona a operação das bandeiras gigantes da Copa

Bandeirões têm cerca de 200 metros quadrados, são guardados em grandes caixas de madeira e transportados entre sedes durante o Mundial; ge ouviu a Fifa e voluntários para contar bastidores

GLOBOESPORTE.COM / CAMILA ALVES, EMILIO BOTTA E GABRIEL OLIVEIRA


Voluntários em Monterrey fizeram três dias de ensaios antes dos jogos para cerimônia de abertura — Foto: Arquivo Pessoal

Ainda faltam seis horas para o início da partida quando os voluntários começam a chegar no estádio. Fazem o check-in, ouvem instruções, comem, verificam posições e ensaiam, uma última vez, as movimentações que por três dias treinaram para fazer. É quando a música da Copa do Mundo invade o sistema de som, e duas bandeiras gigantes se abrem no campo.

– Tentamos olhar para os lados na hora de correr para que todos corram na mesma velocidade – revela Diego Montemayor, voluntário em Monterrey, no México.

E assim têm sido em todas as partidas da Copa, em uma cerimônia inédita, criada para o Mundial, com curiosidades de bastidores que tornam esse momento possível.

Veja a tabela da Copa do MundoSimule os resultados da Copa do Mundo

As bandeiras têm exatamente 5.272cm x 3.784cm de dimensão. São cerca de 200 metros quadrados, cobrindo quase metade de cada lado do campo. E como consequência do tamanho, são necessárias 70 pessoas voluntárias para segurar cada uma das bandeiras durante a cerimônia, diz a Fifa ao ge.

Ainda que não seja uma regra ou número fixo, já que em algumas ocasiões é possível ver cerca de 80 até quase 90 pessoas ao redor das bandeiras.

Não à toa, existe um grupo de pessoas trabalhando só para gerenciar o transporte dessas bandeiras entre as sedes da Copa. Elas viajam ao longo do torneio, e a Fifa diz precisar de um complexo planejamento logístico, com mais de 200 movimentações, para tornar isso possível.

A entidade não detalha quantas bandeiras fez para cada seleção.

Outro voluntário, Brayan Aguilera, ouvido pelo ge, diz que em Monterrey, por exemplo, havia bandeiras de Brasil e Marrocos, já que as seleções vinham jogando na costa leste dos Estados Unidos e podiam disputar a segunda fase do Mundial no México (o que aconteceu com Marrocos).

Diz ainda que a bandeira da África do Sul, por sua vez, que havia jogado na Cidade do México e em Atlanta, foi transportada da capital mexicana, a cerca de 900km de Monterrey.

Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos

As bandeiras gigantes são guardadas em grandes caixas de madeira e estão no estádio quando os voluntários chegam, dobradas por uma equipe encarregada de organizá-las da forma mais eficiente.

– Nós temos um calendário de uniformes com as cores que precisaria levar – conta Brayan Aguilera.

– É preciso fazer o check-in no aplicativo da Fifa, trocar a credencial por uma pulseira e verificar a sua posição na bandeira. Recebíamos duas posições possíveis para segurar nos ensaios e na chegada ao estádio tinha um registro de Excel, onde havia o nome e a posição dentro da bandeira.

As posições são marcadas no próprio tecido, e esses movimentos foram ensaiados por três dias, duas vezes fora do estádio e uma terceira no gramado, para serem executados. Há uma empresa, inclusive, que faz a coreografia, e membros da Fifa presentes na coordenação dos ensaios.

Um mesmo voluntário, por sua vez, pode fazer mais de uma função em diferentes jogos. Uma mulher voluntária em Dallas, por exemplo, nos Estados Unidos, chegou a trabalhar segurando o bandeirão de visitante, a do banner central e marcando os pontos para onde vão as letras Fifa no meio do campo.

São cerca de 150 a 180 pessoas envolvidas em cada cerimônia. Elas ouvem as últimas instruções e ficam prontas no túnel do estádio uma hora antes do jogo.

– Me arrepio de lembrar. Pisar no mesmo campo que os jogadores para estender a bandeira enquanto via meus companheiros... é algo que nunca vou esquecer – conta Brayan.

Foi o caso de uma brasileira que vive nos Estados Unidos há 10 anos: Maria Luiza Carvalho. Voluntária na Copa de Clubes e agora na Copa do Mundo, ela participou na Filadélfia segurando o banner central, colocando a base dos arcos de entrada e carregando a bandeira de mastro do Brasil na vitória sobre o Haiti por 3 a 0.

Ao término da cerimônia, carregam para fora do campo os itens de menor porte e enrolam novamente as bandeiras gigantes para colocá-las de volta nas grandes caixas, que são enviadas ao local seguinte.

Em algumas sedes, os voluntários puderam ficar no estádio para assistir à partida, como em Dallas, que liberou camarotes de jogo, enquanto em outras tinham cerca de 30 minutos ao término da participação para deixar o local.

Essas pessoas são parte do grupo chamado Pre Match Cerimonies e foram escolhidas por meio de um recrutamento iniciado ainda em agosto. Desde outubro, houve um cronograma de etapas: testes, envio das ofertas de vaga, planejamento de turnos, treinos de voluntários, credenciamento, coleta de uniformes e, por fim, a Copa.

O conceito da cerimônia de abertura, por sua vez, foi desenvolvido por um grupo de profissionais de sete países diferentes. É a chamada cerimônia em 360 graus, com o intuito de transformar o estádio em um palco compartilhado.

— A Copa do Mundo é sobre cada jogador e cada torcedor, e essa nova cerimônia pré-jogo reflete isso — explica o presidente Gianni Infantino.

O ge também perguntou à Fifa, entre outras questões, o material utilizado para as bandeiras, onde elas foram fabricadas e o que será feito com elas após a Copa, mas esses detalhes não foram compartilhados.

🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.