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MP aponta blocos de eucalipto com até 20 km sem corredores ecológicos em MS
Parecer alerta para fragmentação ecológica, mas diz que expansão ocorreu sobre pastagens
ANDERSON VIEGAS / CAMPO GRANDE NEWS
Um parecer técnico elaborado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) identificou áreas contínuas de plantios de eucalipto com trechos de até 20 quilômetros em linha reta sem corredores ecológicos na região centro-leste do Estado. Segundo o estudo, essa configuração reduz a conectividade entre remanescentes de vegetação nativa, dificulta o deslocamento da fauna e aumenta a fragmentação dos habitats.
O Campo Grande News procurou a Reflore-MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas) para comentar o conteúdo do parecer. Até a publicação desta reportagem, a entidade não havia encaminhado posicionamento oficial.
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O documento foi produzido pelo Nugeo (Núcleo de Geotecnologias), vinculado ao Caoma (Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente), no âmbito do Inquérito Civil (06.2026.00000708-0), instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Três Lagoas para apurar possíveis impactos ambientais decorrentes da expansão da silvicultura em Mato Grosso do Sul.
Na avaliação técnica, o avanço da atividade exige maior planejamento territorial para preservar a conectividade ecológica entre os remanescentes florestais. O parecer ressalta que instrumentos previstos na legislação ambiental, como APPs (Áreas de Preservação Permanente), Reservas Legais e corredores ecológicos, são fundamentais para reduzir o isolamento dos fragmentos de vegetação e permitir o deslocamento da fauna.
Expansão ocorreu principalmente sobre áreas já antropizadas
Apesar do alerta sobre a fragmentação da paisagem, o parecer conclui que a expansão da silvicultura ocorreu predominantemente sobre áreas já antropizadas, especialmente antigas pastagens.
Segundo os técnicos, a dinâmica predominante observada foi a conversão de áreas anteriormente utilizadas pela pecuária para o cultivo de eucalipto, e não a substituição direta de vegetação nativa.
O estudo identificou, entretanto, casos de conversão direta de vegetação nativa para plantios de eucalipto. Entre 2016 e 2024 foram mapeados 5.907,70 hectares nessa condição, o equivalente a 0,38% da vegetação nativa analisada.
Desse total, 1.893,01 hectares, ou 32,04%, decorreram de desmatamentos considerados ilegais, enquanto 4.014,69 hectares, correspondentes a 67,96%, resultaram de supressões autorizadas pelos órgãos ambientais.
O parecer ressalta que, embora os quase 5,9 mil hectares representem uma área significativa em termos absolutos, a conversão direta de vegetação nativa corresponde a uma pequena parcela da expansão recente da silvicultura.
Plantios em APP representam pequena parcela
O levantamento também identificou plantios de eucalipto em Áreas de Preservação Permanente.
Segundo o estudo, foram mapeados 412,25 hectares de eucalipto em APPs , distribuídos em 134 propriedades rurais.
O cruzamento das informações com o Sicar (Sistema de Cadastro Ambiental Rural) apontou a existência de 3.669 propriedades com silvicultura na área analisada. Assim, apenas 3,65% delas apresentam plantios em APP .
O parecer destaca ainda que muitas dessas áreas de preservação já se encontravam degradadas antes da implantação da silvicultura, permanecendo sem recuperação ambiental.
Fragmentação é o principal alerta
Na avaliação dos técnicos do Ministério Público, a principal preocupação ambiental identificada não está relacionada ao desmatamento em larga escala para implantação da silvicultura, mas à configuração da paisagem formada pelos grandes maciços contínuos de eucalipto.
Segundo o parecer, a ausência de corredores ecológicos em trechos que chegam a 20 quilômetros reduz a conectividade entre remanescentes de vegetação nativa, dificulta o fluxo de espécies e amplia a fragmentação dos habitats.
Ao final, o documento conclui que o avanço da silvicultura exige maior integração entre o planejamento territorial e a conservação ambiental, especialmente para garantir a manutenção da conectividade ecológica entre os remanescentes florestais e minimizar os impactos sobre a biodiversidade.
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