• Quinta, 30 de Julho de 2026

Estudo ambiental avalia cercar Lagoa Itatiaia e “enriquecer” a vegetação

Equipe de Divisão de Meio Ambiente da Sisep faz análise técnica no local

ALINE DOS SANTOS E GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS


Lagoa Itatiaia é ponto de lazer e contemplação em Campo Grande. (Foto: Juliano Almeida)

Estudo ambiental avalia o cercamento da Lagoa Itatiaia, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande, e reposição da vegetação. Na manhã desta quinta-feira (dia 30), o local recebeu visita técnica da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos).

“A gente está em dúvida se faz cercamento ou não. A lagoa tem o caráter de lazer contemplativo, a população aproveita para fazer caminhada. Então, talvez se cercar, restringir o acesso, ela perderia essa função social, que é muito importante. Os elementos naturais da cidade precisam cumprir sua função, não só ambiental, mas social. Então, a gente veio especificamente para analisar se seria o caso de cercarmos', afirma Peterson Benitez Aristimunha, engenheiro ambiental da Sisep.

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O profissional da Divisão de Meio Ambiente da secretaria elabora um Prada (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas e Alteradas) devido a obras públicas. A análise, que deve durar um mês, também mapeia os pontos para melhorar a vegetação.

“É possível fazer um enriquecimento com espécies nativas. Ela já tem uma dinâmica bem preservada, bastante vegetação gramínea, arbustiva', diz Peterson. O entorno tem decks, parquinho e uma base da Guarda Civil Metropolitana.

Quando concluído, o Prada será protocolado na Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano). O órgão pode pedir complementação ou aceitar a proposta. Caso seja validada, a próxima etapa é informar ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

“Eles têm um trabalho bem interessante de olhar para todas as nascentes do município. Por meio do projeto Água para o Futuro. A gente também quer atendê-los, também quer satisfazer essa demanda do Ministério Público. Então quando o órgão de meio ambiente der o ok, a gente começa a fazer as ações. Na verdade, já tem ações de limpeza, de roçada. Essa é uma das áreas que o município já faz essa manutenção', diz o engenheiro ambiental.

Conhecida pela beleza natural, a Lagoa Itatiaia é ponto de migração de aves, uma evidência de que a área está bem preservada.

“Então, diferente de outras áreas, a surpresa foi positiva. O que poderia ser uma degradação, é a leucena, uma espécie invasora. À primeira vista, você não identifica os brotos de leucena, porque faz a roçada'.

A escolha para a visita técnica nesta quinta-feira foi para avaliar a situação após chuva forte. A constatação foi de que a lagoa não extravasa para as ruas, que ficam alagadas por ser caminho da enxurrada que escoa até o declive.

“O bairro é que está mandando água para a lagoa. Ela é um ponto baixo, mas não está extravasando. Tem algumas obras já contratadas, a gente chama de Complexo Itatiaia, para melhorar essa questão do alagamento. É o bairro que está mandando água para a lagoa e não o contrário', reforça Peterson.

Contudo, a área de banhado consegue filtrar os sedimentos, preservando a lagoa. “Aqui, a água um pouco barrenta do bairro é filtrada por essa barreira de vegetação. A enxurrada vai ter que passar por capim nativo, arbustos e gramíneas até chegar ao lago. E isso faz uma função extremamente importante, que é de filtragem de nutrientes e sedimentos. Intuitivamente, eu diria que essa barreira vegetal está filtrando a água de modo que chega com uma qualidade bem melhor na lagoa'.

Abastecido somente pela chuva, o açude urbano ocupa área de 6,02 hectares. A lagoa fica na Bacia do Bandeira, que tem vários córregos, como Cabaça, Portinho Pache e o Lago do Amor.

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