Coronel Sapucaia
Polícia Civil diz que ainda não há conclusão sobre morte de fisioterapeuta
Laudo necroscópico aponta que tiro não foi a curta distância ou com arma encostada, mas não descarta suicídio
ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS
A Polícia Civil afirmou nesta sexta-feira (31) que não há qualquer laudo pericial conclusivo anexado ao inquérito sobre a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, e que a investigação está em fase ativa de instrução. O caso aconteceu em 18 de maio de 2026, em uma chácara na região do Bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
Em nota, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) informou que 'nenhum laudo pericial conclusivo foi juntado até o presente momento aos autos' e que, por isso, as informações divulgadas sobre a existência do documento e suas supostas conclusões 'não correspondem à realidade do procedimento'.
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Segundo a Polícia Civil, estão sendo realizadas oitivas de testemunhas e outras diligências consideradas necessárias para o esclarecimento dos fatos e pede que não haja divulgação de informações não oficiais para não “provocar a disseminação de dados incorretos ou prejudicar o andamento das investigações'.
Laudo
A reportagem teve acesso ao laudo necroscópico, que traz informações sobre o caso. O documento do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) informa que os peritos não chegaram a uma conclusão sobre a dinâmica do disparo. Diante disso, o laudo não aponta quem realizou o tiro nem permite determinar a ocorrência com precisão.
Diante da ausência desses sinais, o documento não traz conclusão sobre a dinâmica do disparo. A perícia, porém, não aponta quem realizou o disparo nem conclui se a morte foi homicídio ou suicídio. A causa da morte foi descrita como traumatismo cranioencefálico provocado por projétil de arma de fogo.
Além da lesão causada pelo tiro, o exame também registra três hematomas no corpo de Fabíola. Um deles media cerca de oito centímetros e ficava na região do peito. Outros dois foram encontrados na mão direita e na parte da frente da coxa direita. O documento não informa quando essas lesões surgiram nem o que as provocou, mas as marcas chamaram a atenção da família.
Segundo o irmão, José Flávio Marcotti, Fabíola dizia que não podia sair sozinha, foi obrigada a deixar de trabalhar, dependia financeiramente do marido e, meses antes de morrer, chorou durante uma chamada de vídeo ao pedir ajuda para deixar o relacionamento.
A Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) apura se a fisioterapeuta foi vítima de feminicídio. A defesa do cardiologista nega qualquer participação na morte.
'Reafirmamos nossa posição, amparada em fatos, em critérios lógico-racionais e nos testemunhos isentos, de que se trata de uma hipótese de suicídio. Refutamos as versões especulativas e enviesadas sobre o óbito e sobre o relacionamento. Todos os esclarecimentos foram e continuarão a ser prestados às autoridades por João Jazbik, pessoalmente ou através da sua defesa constituída nos autos', diz o advogado José Belga Trad.
Investigação
Fabíola foi encontrada morta na manhã de 18 de maio na chácara onde vivia com o marido, em Campo Grande. A ocorrência foi inicialmente registrada como um possível suicídio, mas o avanço das diligências levou a Polícia Civil a identificar inconsistências na dinâmica apresentada e instaurar inquérito para apurar a hipótese de feminicídio.
Durante a investigação, também foram identificados indícios de fraude processual após um armário contendo armas e munições ser retirado da casa principal e levado para outro imóvel da propriedade.
Entre os elementos analisados pela Deam está a cronologia dos acontecimentos daquela manhã. Conforme o inquérito, o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) foi acionado às 10h33. Quatro minutos depois, às 10h37, uma mensagem foi enviada do celular de Fabíola. O aparelho ainda registrou movimentações até 10h47. A sequência integra o conjunto de elementos utilizados pelos investigadores para reconstruir os últimos minutos antes e depois da morte da fisioterapeuta.
João Jazbik chegou a ser preso por posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Posteriormente, obteve habeas corpus e responde ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares. A decisão do Tribunal de Justiça tratou exclusivamente da prisão relacionada a esses crimes e não analisou o mérito da investigação sobre a morte de Fabíola.
O inquérito continua sob responsabilidade da Deam, que aguarda a conclusão das diligências para definir o indiciamento ou eventual arquivamento do caso.
Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.
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