Coronel Sapucaia
Séculos de história unem família de jovem de MS a antiga dinastia
Pesquisa de estudante de 17 anos conecta origem no Oriente Médio à formação do Estado
GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS
A curiosidade sobre a própria origem, somada às histórias ouvidas dentro de casa, levou o jovem Pietro Nabhan, de 17 anos, a mergulhar na trajetória da família. O que começou como um interesse pessoal acabou revelando uma conexão que atravessa séculos e continentes, ligando o sobrenome a uma antiga dinastia do Oriente Médio e ao processo de formação de Mato Grosso do Sul.
O ponto de partida não foi uma descoberta inédita, mas o interesse em entender o que já existia. “Meu envolvimento com essa história começou quando passei a estudar o que estava disponível publicamente na internet', conta. Entre PDFs, artigos e registros históricos, ele passou a pesquisar a trajetória da dinastia Nabânida, que governou Omã entre os séculos XII e XVII.
Antes disso, porém, a história já circulava dentro de casa. Pietro afirma que o interesse surgiu a partir de conversas com a mãe e, depois, se ampliou com a participação em grupos da família na internet. “Fiquei cada vez mais interessado em preservar as histórias familiares para que não se percam com o tempo', diz.
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Dentro dessa linhagem, o nome que conecta o passado ao presente da família no Brasil é Jahjah Nabhan. Ao lado da esposa, Chames, ele é considerado um dos fundadores do ramo brasileiro. “Registros familiares e dados de plataformas genealógicas apontam que Jahjah era alfaiate e descendia de ramos colaterais', explica Pietro.
A família viveu no Líbano antes de migrar para o Brasil, entre o fim do século XIX e o início do século XX, acompanhando o fluxo de árabes em busca de novas oportunidades. Em Mato Grosso do Sul, foi o bisavô de Pietro, Neif Jorge Nabhan, quem ajudou a consolidar a presença da família. “Ele foi uma figura central na nossa região, fixando-se no interior do Estado, onde exerceu a função pública de juiz de paz', relata.
A partir dele, os descendentes se espalharam por cidades como Rochedo, Corguinho e Coxim. A adaptação, segundo Pietro, seguiu o caminho comum de muitas famílias imigrantes. “Envolveu muito trabalho e resiliência para superar a barreira do idioma e os desafios do interior do país', afirma.
Com o tempo, a família se integrou à vida local e cresceu. “A família encontrou no antigo Mato Grosso uma terra acolhedora. Os descendentes de Neif Jorge integraram-se rapidamente à vida social e econômica, formando linhagens numerosas. Meu próprio avô teve nove filhos, e a família se expandiu por municípios como Rochedo, Corguinho e Coxim', diz.
Hoje, parte dessa história é preservada com ajuda da tecnologia. “Existem aplicativos gratuitos de genealogia onde qualquer cidadão pode pesquisar seus próprios ancestrais', explica. No caso da família Nabhan, a árvore genealógica já havia sido organizada por outros parentes. “Quem salvaguardou tudo isso foram inúmeros membros da família espalhados pelo Brasil. Eu apenas consultei', completa.
Apesar da ligação com uma antiga dinastia, Pietro relativiza o peso desse passado. Para ele, o mais importante está na trajetória construída no Brasil. “O mérito real pertence a quem veio antes de mim , meu bisavô, que atuou como juiz de paz, meu avô, que foi vereador em Coxim, e outros ramos da família. A nobreza não está em títulos do passado, mas na coragem de recomeçar a vida no Brasil e ajudar a construir Mato Grosso do Sul', conclui.
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