• Quinta, 06 de Agosto de 2026

Mais meias? Laterais? CBF avalia carências na base e cobra protagonismo dos clubes

Branco e Samir Xaud defendem fortalecimento da formação de atletas e discutem medidas para evitar saída precoce de jovens talentos do Brasil

GLOBOESPORTE.COM / ARTHUR RIBEIRO, JULIO COSTA E RENAN MORAIS


Gabriel Bontempo, Breno Bidon e Ramon Rique — Foto: Nelson Almeida / AFP | Marcos Ribolli | Alexandre Durão / ge

Após a eliminação no Mundial de 2026, a CBF e o técnico Carlo Ancelotti iniciaram a renovação da Seleção focando na formação de atletas para posições carentes.

O coordenador Branco destacou que a formação diária cabe aos clubes. Ele reforçou a necessidade de preservar o drible e a individualidade, marcas históricas do futebol brasileiro.

Para o presidente Samir Xaud, a CBF busca criar ferramentas que evitem a saída precoce de jovens talentos para a Europa antes de completarem sua maturação técnica.

A reformulação da seleção brasileira para o ciclo da Copa do Mundo de 2030 passa diretamente pelas categorias de base. Após a eliminação do Brasil no Mundial de 2026, o técnico Carlo Ancelotti e a CBF iniciaram um processo de renovação com foco na formação de uma nova geração de atletas, principalmente em posições consideradas carentes, como meio-campistas e laterais.

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Nesse cenário, dirigentes da entidade apontam os clubes como protagonistas na produção dos talentos necessários para o futuro da Seleção. Durante agenda em Teresina, o coordenador das seleções de base da CBF, Branco, afirmou que a preocupação com a formação de determinados perfis de jogadores tem sido constante nas conversas entre a entidade e os clubes brasileiros.

— Fala-se de laterais, de meias, de camisas 10 e de camisas 9, e isso é um trabalho que a gente tem conversado com os clubes, porque a CBF não tem esse dia a dia: a gente convoca — avaliou Branco, coordenador de seleções de base da CBF.

"O trabalho de formação é dos clubes . Parabenizamos os presidentes de clubes, que estão investindo muito em estrutura física e em profissionais qualificados nas categorias de base do Brasil"

A discussão ganhou força nas últimas semanas após Ancelotti admitir a necessidade de renovação do elenco brasileiro e definir como uma das prioridades do novo ciclo a busca por meio-campistas capazes de assumir protagonismo na seleção brasileira. O treinador italiano também intensificou reuniões com técnicos das seleções de base para alinhar o desenvolvimento de atletas que possam abastecer a equipe principal nos próximos anos.

Para Branco, contudo, a preocupação não deve se limitar à formação de jogadores para posições específicas. O ex-lateral destacou que o futebol brasileiro precisa preservar características históricas que fizeram do país uma potência mundial.

— A base sempre será uma grande ajuda, uma grande saída para os clubes, não somente do ponto de vista técnico, mas também financeiro. A gente precisa, acima de tudo, não fugir da nossa essência, que é a individualidade e o drible. Por isso nós temos 16 títulos mundiais: cinco na principal, cinco no Sub-20, quatro no Sub-17 e duas Olimpíadas. Isso se deve à nossa capacidade de quebrar linhas, e é isso que temos de fortalecer. Esse é um fundamento — finalizou Branco.

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Presidente da CBF, Samir Xaud concordou que a responsabilidade pela formação dos atletas está diretamente ligada ao trabalho desenvolvido pelos clubes. Segundo ele, a entidade tem buscado ampliar o diálogo com as equipes brasileiras para encontrar soluções que fortaleçam o processo de desenvolvimento dos jovens jogadores.

"Isso foge um pouco da CBF, isso tem uma grande participação dos clubes brasileiros", declarou o presidente da CBF.

— A gente tem se aproximado e dialogado bastante nesses últimos anos, um ano e pouco, conversando sobre a importância dessa formação de jogadores e tentando achar mecanismos e ferramentas para que a gente consiga segurar mais os nossos jovens aqui (no Brasil) — comentou o dirigente.

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Uma das preocupações da CBF é a saída cada vez mais precoce de talentos para o futebol europeu. Na avaliação da entidade, muitos atletas deixam o país antes mesmo de completar o processo de maturação técnica, o que pode impactar a identidade histórica do futebol brasileiro.

— Estamos estudando isso nos bastidores, sobre o que a CBF pode fazer para que a gente possa prender os nossos jovens, para que eles não saiam tão cedo para o futebol europeu e perca essa essência, identidade, do futebol brasileiro. Estamos estudando e logo mais vamos ter uma resposta sobre isso — finalizou o dirigente.

A preocupação da CBF ocorre em um momento de reconstrução do projeto esportivo da seleção brasileira. Com foco no Mundial de 2030, a entidade busca identificar lacunas na formação de jogadores e ampliar a integração entre clubes e seleções de base.

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A avaliação interna é de que o fortalecimento do desenvolvimento técnico dos jovens atletas, aliado à preservação das características tradicionais do futebol brasileiro, será fundamental para recolocar a seleção brasileira entre as principais forças do futebol mundial.



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