• Sexta, 07 de Agosto de 2026

Ranking escolar ignora fome e apoio familiar, afirma secretário de Educação

Hélio Daher diz que comparar escolas de realidades diferentes reforça uma lógica de meritocracia

KAMILA ALCâNTARA E FERNANDA PALHETA / CAMPO GRANDE NEWS


Secretário estadual de Educação Hélio Daher fala sobre não ser justo elaborar um ranking de 'melhores escolas' (Foto: Fernanda Palheta)

O secretário estadual de Educação, Hélio Daher, rejeitou a elaboração de um ranking das escolas públicas de Mato Grosso do Sul com base nos resultados educacionais divulgados nesta quarta-feira (5). Para ele, comparar diretamente unidades com estruturas, tamanhos e públicos diferentes cria uma disputa injusta e ignora as condições sociais dos estudantes.

Durante coletiva de imprensa, Daher afirmou que ainda não havia concluído a análise detalhada dos resultados por escola, recebidos na noite anterior. Segundo ele, a SED (Secretaria de Estado de Educação) não pretende ordenar as unidades da maior para a menor nota.

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“Eu não ranqueio escolas. É injusto você ranquear uma escola', declarou.

Para explicar a posição, o secretário comparou uma escola integral da região central de Campo Grande, com cerca de 300 estudantes e presença maior de famílias de classe média, com unidades da periferia que podem atender até 2 mil alunos em situação de maior vulnerabilidade.

É muito injusto quando eu tento ranquear essa escola com uma escola de periferia, com 2 mil alunos, em que muitas crianças só têm a escola para comer', afirmou.

Daher disse que parte do desempenho escolar é influenciada pelas condições enfrentadas pelos alunos fora da sala de aula, como renda, alimentação e apoio familiar. Por isso, na avaliação dele, uma comparação baseada apenas na nota final não mostra todo o trabalho realizado por cada unidade.

“Tem criança que vai à escola para aprender , tem criança que vai à escola para comer . Então, quando eu faço um ranqueamento dessa maneira, estou sendo muito injusto com as escolas', disse.

Ex-diretor de uma escola com aproximadamente 2 mil alunos, o secretário afirmou conhecer as dificuldades de unidades localizadas em regiões mais carentes. Segundo ele, essas escolas partem de condições diferentes das encontradas por colégios menores, situados em áreas centrais e com maior participação das famílias na vida escolar.

“Não é mérito. A meritocracia, quando parte de pontos distintos, não é justa. A gente não compara uma escola com a outra', afirmou.

A secretaria pretende analisar quanto cada unidade avançou em relação ao próprio desempenho anterior. Daher disse que esse será o único tipo de comparação adotado pela pasta.

“O único ranking que eu vou fazer é quanto a escola cresceu com base nela mesma, porque acho que ela tem que competir com ela, e não com o vizinho', declarou.

Segundo o secretário, uma análise preliminar mostra que escolas que historicamente encontravam mais dificuldades passaram a registrar avanços maiores. Ele afirmou que, anteriormente, o crescimento era mais comum em unidades centrais, atendidas por comunidades mais estáveis e com maior estrutura familiar.

“Hoje a gente começa a observar que há um crescimento mais equânime na rede, o que para nós é uma grande vitória', termina.



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