• Sexta, 07 de Agosto de 2026

Bastidores: por que a negociação com Memphis se arrastou e dividiu o Corinthians

Clube está dividido entre desafetos do holandês no Parque São Jorge e orientação do departamento de futebol; decisão está nas mãos de Osmar Stabile

GLOBOESPORTE.COM / GABRIEL OLIVEIRA, VITOR CHICAROLLI E YAGO RUDá


Memphis Depay em Cruzeiro x Corinthians — Foto: Gilson Lobo/AGIF

Os advogados de Memphis Depay e a diretoria do Corinthians seguem em negociação e ainda não têm prazo para o desfecho da renovação contratual. A demora se explica por uma divisão interna no clube: enquanto a maior parte do Parque São Jorge pressiona o presidente Osmar Stabile a não assinar um novo vínculo com o holandês, o departamento de futebol defende a validação do acordo.

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Em meio ao fogo cruzado de narrativas, o atacante e seus representantes aguardam respostas da direção. Memphis está no Brasil desde terça-feira, está aprovado nos exames médicos e, inclusive, demonstra boa forma física em vídeos postados pelo seu preparador físico nas redes sociais.

Na última quinta-feira, na partida que marcou a eliminação da Copa do Brasil, o holandês marcou presença na Neo Química Arena e foi aplaudido pela torcida. 

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Do ponto de vista contratual, o principal entrave está em uma cláusula estipulando que, em caso de atraso no pagamento de uma das quatro parcelas da dívida de R$ 42 milhões do clube com o atleta, o valor total deve ser quitado de uma vez só, com juros e multa.

Os advogados de Memphis querem alguma segurança de que o clube irá honrar com seu compromisso. Por outro lado, o Corinthians se mantém irredutível na questão e assume que, eventualmente, pode atrasar um ou outro pagamento devido à grave crise financeira. 

A atual gestão tem um planejamento de que, caso reeleita em 2027, teria fôlego financeiro para contratar um nome de alto nível com vencimentos na casa de R$ 2 milhões mensais.

Se não renovar com Memphis, a previsão financeira poderia se perder apenas com o pagamento da multa devida ao holandês. Portanto, a permanência do atacante, desde que nos termos propostos pelo Corinthians, poderia ser benéfica a médio e longo prazo.

Os valores da negociação, os prazos de pagamento e outras questões da redação do contrato não são os únicos entraves. Internamente, o clube está agitadíssimo com o assunto.

Politicamente, aliados importantes de Osmar Stabile afirmam que "soltarão a mão" do dirigente caso a renovação com Memphis Depay seja assinada. A eleição presidencial do clube será realizada no último trimestre deste ano, o que aumenta a importância de alianças. 

Os desafetos do holandês argumentam que a dívida criada no primeiro contrato é uma "herança maldita" do ex-presidente Augusto Melo, figura mal vista por quase todos os atuais grupos políticos. Se a atual gestão firmar um novo acordo milionário, o eventual ônus seria transferido para Stabile. 

Há também a versão do departamento de futebol. O executivo Marcelo Paz e o técnico Fernando Diniz são favoráveis à renovação e externaram suas opiniões ao presidente há semanas. No atual momento, eliminado da Copa do Brasil, o Corinthians não conta com o lesionado Yuri Alberto e precisou apostar em Gui Negão e Pedro Raul em seus dois últimos jogos. 

O Corinthians disputará a fase oitavas de final da Conmebol Libertadores a partir da próxima semana, e a expectativa no CT Joaquim Grava é de que Memphis Depay esteja à disposição para entrar em campo na semana que vem. Entre jogadores e comissão técnica, há a crença de que, com força máxima, o time tem condições de brigar pelo título continental. 

Não há um prazo para o desfecho da novela. A decisão está nas mãos do presidente Osmar Stabile, que tem ouvido os envolvidos e calculado riscos antes de tomar sua decisão.

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