Coronel Sapucaia
Fazendas de MS vão pagar R$ 1,7 milhão em danos morais por trabalho escravo
Fiscalização resgatou 36 trabalhadores brasileiros, paraguaios e indígenas
IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS
Em Mato Grosso do Sul, 36 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão neste ano, durante fiscalizações realizadas pela Superintendência Regional do Trabalho em propriedades rurais. Com isso, foram identificados R$ 454.107,06 em verbas rescisórias que deverão ser pagas aos trabalhadores e R$ 1.741.780,00 em indenizações por danos morais.
Os casos foram registrados em diferentes municípios do Estado, envolvendo atividades como pecuária, corte de madeira, limpeza de pastagens, construção de cercas e silvicultura.
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Os trabalhadores resgatados são brasileiros, paraguaios e indígenas. Entre as ocorrências também foram identificados menores de idade.
O superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero, explica que essas situações ainda são realidade e acontecem com a população mais vulnerável.
'É mais no meio rural, é estrangeiro, é indígena, é uma população em situação de vulnerabilidade. Infelizmente, ainda é uma realidade, mas Mato Grosso do Sul é protagonista no combate a esse tipo de chaga social', pontuou.
Ainda na visão dele, o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul não combina com o trabalho escravo. 'A pujança do nosso agro, a tecnologia que chega no campo, toda a organização, a competitividade que o agronegócio tem no Brasil, não combina com a condição análoga ao trabalho escravo', completou.
Em Aquidauana, durante uma fiscalização realizada em março, três brasileiros foram resgatados de uma fazenda onde atuavam em atividades de pecuária, corte de lenha e construção de cercas.
Também em março, uma operação em uma propriedade rural de Corumbá resultou no resgate de seis trabalhadores, sendo cinco indígenas e um boliviano, que trabalhavam na pecuária e na limpeza de pastagens.
No mesmo mês, em Bela Vista, três trabalhadores foram resgatados durante atividades de pecuária e construção de cercas. Entre eles estavam um brasileiro e dois paraguaios, sendo que um dos paraguaios era menor de idade.
Em Figueirão, a fiscalização ocorreu em abril e encontrou trabalhadores envolvidos na silvicultura e no corte de eucalipto. Foram resgatados 16 trabalhadores: dois brasileiros e 14 paraguaios.
Já em Jardim, em julho, três trabalhadores foram resgatados em uma propriedade onde realizavam corte de madeira e construção de cercas. O grupo era formado por um brasileiro e dois paraguaios.
Em Corumbá, dois brasileiros foram resgatados, ainda neste mês de agosto. Eles trabalhavam na construção de cercas de uma fazenda.
Ao longo de 2025, foram resgatados 104 trabalhadores em operações realizadas em Porto Murtinho, Corumbá, Paraíso das Águas, Maracaju, Coxim, Caarapó, Deodápolis, Nova Andradina, Anastácio, Itaquiraí, Bonito e Caracol.
As operações resultaram no levantamento de aproximadamente R$ 860 mil em verbas rescisórias.
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