• Quinta, 20 de Agosto de 2026

Veja 8 razões pelas quais Hamilton pode acreditar no octacampeonato da F1

Heptacampeão é o atual vice-líder do Mundial 2026 da categoria e vive boa fase nas pistas, em contraste com estreia difícil pela Ferrari ano passado

GLOBOESPORTE.COM / BRENO PEçANHA E BRUNA RODRIGUES


Lewis Hamilton no pódio do GP do Canadá de F1 2026 — Foto: Mathieu Belanger/Reuters

Quem apostou que Lewis Hamilton já não era mais o mesmo após os últimos anos de Mercedes e o início ruim na Ferrari, precisou rever suas certezas. Aos 41 anos, o inglês é vice-líder da F1 2026 e vem respondendo às críticas com atuações em alto nível - tentando alcançar o jovem Kimi Antonelli na ponta. E mesmo 50 pontos atrás do rival, Hamilton ainda mantém vivo o sonho do octacampeonato.

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Abaixo, o ge lista razões pelas quais não é irreal apostar nas chances do veterano de alcançar Antonelli - ou, ao menos, chegar de vez na briga pela liderança. Vale destacar: Hamilton não ocupava a vice-liderança da F1 desde 2021, ano em que disputou o título com Max Verstappen em um confronto antológico com o holandês da Red Bull. Na ocasião, ele perdeu; desta vez, pode ser diferente?

1. Força do chassi da Ferrari

O ponto forte da escuderia em 2026 é o carro – que Hamilton, há alguns meses, chegou a classificar como “fantástico'. O heptacampeão concordou com as alegações dos rivais de que a Ferrari possui o chassi mais forte do grid, com uma eficiência aerodinâmica que só cresceu após as atualizações feitas, principalmente, em Barcelona.

A pista, por sinal, favorece os carros construídos de forma mais acertada - não coincidentemente foi palco da primeira vitória da Ferrari no ano. O calcanhar de Aquiles da escudeira de Maranello, porém, é o motor, ainda deficitário perto da unidade de potência da líder Mercedes.

Ainda assim, vale destacar como ponto positivo o turbo desenvolvido pela equipe italiana: como é menor, ele otimiza o processo de aceleração do carro nas largadas, o que torna as duas Ferraris uma ameaça frequente às rivais na abertura das corridas.

2. Acerto em preparativos pré-corrida

Embora Hamilton tenha chegado à F1 pela McLaren – que pavimentou o caminho para os simuladores no início dos anos 2000 na categoria –, o heptacampeão não é um grande fã da tecnologia. Desde os tempos da Mercedes, ele evitou fazer uso deles e já confessou ter tido pouquíssimo auxílio durante seus anos de conquista com a equipe alemã (mesmo tentando em 2020 e 2021).

O inglês alega que há muitas divergências entre o que se aprende no simulador e as condições que pode se encontrar na pista, na vida real; por isso, ele decidiu confiar em sua experiência no automobilismo e resolveu abrir mão do simulador para se preparar, a partir do GP do Canadá deste ano.

A tática, até aqui, tem dado certo. Lewis foi ao pódio não só no Canadá, mas nas duas corridas seguintes - com direito a vitória em Barcelona. Além disso, a pior posição dele desde então foi o quinto lugar; antes da prova em Montreal, ele havia sido sexto em dois dos quatro grandes prêmios disputados até então.

3. Desempenho em comparação com Leclerc

Diferente de 2025, quando praticamente “caiu de paraquedas' em uma Ferrari guiada por outro piloto (Carlos Sainz) e em outra estrutura, Hamilton fez a limpa na casa ao longo de 2025 visando o ano seguinte.

Agora, ele pilota um carro que ajudou a desenvolver, em uma equipe que tem ajudado a reorganizar internamente e sob um regulamento técnico novo, que apeteceu mais o seu estilo de direção do que o anterior – os carros de efeito-solo. Tudo isso o favoreceu, e fez com que o heptacampeão obtivesse um desempenho melhor que o de Charles Leclerc, seu colega de equipe.

Enquanto o piloto de Mônaco ocupa só o quarto lugar no Mundial, o heptacampeão é vice-líder, com cinco pódios contra quatro do companheiro. Até o GP da Grã-Bretanha, Hamilton seguia como o único piloto da Ferrari a vencer na temporada, mas o monegasco desencantou no Circuito de Silverstone e diminuiu modestamente a diferença de desempenho em comparação com Hamilton.

4. Confiabilidade do carro

Ainda na pré-temporada, a Ferrari conseguiu um feito que nem a aparentemente imbatível Mercedes foi capaz de alcançar: confiabilidade. O time italiano completou as duas semanas de testes no Bahrein tendo como únicos contratempos uma falha no chassi e um problema em testes de captação de combustível.

Tamanha confiabilidade permitiu que a escuderia desenvolvesse e testasse uma inovadora asa traseira giratória, e fechasse a pré-temporada com a terceira maior quilometragem do grid (1164 voltas contra 1175 da Haas e 1204 da Mercedes).

O desempenho apontava que quebras não seriam um problema para a escuderia em 2026; e embora Leclerc tenha sofrido com duas falhas que culminaram em abandonos nos GPs de Mônaco e Barcelona, Hamilton segue imbatível neste quesito. Além de ter completado todas as corridas que disputou, o veterano é o único piloto do grid que pontuou em todas as provas já realizadas até agora.

5. Problemas das rivais

A Mercedes, embora quase inalcançável na pista, tem se visto à mercê de problemas de motor que ora afetam George Russell, ora afetam o líder Kimi Antonelli. A atual campeã McLaren, por sua vez, voltou a vencer após alguns meses de jejum com Lando Norris no GP da Hungria; entretanto, a equipe começou o ano também sofrendo com quebras e ainda tenta se encontrar com o motor Mercedes.

Por fim, a Red Bull ainda não saiu do quase: os problemas com o acerto do carro e sua nova unidade de potência, produzida em parceria com a Ford, têm minado até mesmo o alcance de Max Verstappen - piloto cuja velocidade é reconhecida por superar as limitações técnicas de um carro.

No meio de tantos problemas enfrentados por suas rivais, a Ferrari navega em águas mais tranquilas, tendo como principal objetivo as melhorias em seu motor - além da possibilidade de capitalizar o azar das adversárias e tirar proveito do que o próprio equipamento oferece em determinados circuitos.

6. Psicológico em boa fase

Ainda no começo deste ano, Hamilton assegurou que a Ferrari havia recuperado seu espírito vencedor em 2026. A declaração em nada faz lembrar do piloto que, em meados do ano anterior, jogou a toalha e ainda disse estar enfrentando a pior temporada de sua vida.

A Ferrari de 2026 arrumou a casa - com mudanças que, no lado de Hamilton, incluem até mesmo a adoção de uma nova fabricante de freios e a chegada de um novo engenheiro de pista, o italiano Carlo Santi. Os resultados do heptacampeão o alçaram a um protagonismo na F1 que ele não vivia desde 2021, última vez em que foi vice-líder do Mundial.

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Além disso, voltar a vencer após quase dois anos de jejum, no GP de Barcelona, fez o inglês se lembrar de quem ele era - transformou a frase, dita a ele por um fã, em um mantra que já foi adotado até por outros atletas, como o atacante Neymar.

Mais tranquilo, Hamilton trouxe sua mãe, Carmen Larbalestier, para acompanhá-lo em viagens e torcer de perto por ele também em algumas etapas da F1. A boa fase não se limitou às pistas: desde o começo do ano, o heptacampeão engatou em um namoro com a empresária e socialite americana, Kim Kardashian.

Esse foi seu primeiro relacionamento público desde Nicole Scherzinger (2008 a 2015); Kim fez sua estreia no paddock como companheira do heptacampeão no GP de Mônaco, quando o próprio piloto destacou o apoio da parceira nesta temporada. Desde então, ambos têm feito aparições frequentes juntos nas redes sociais, oficializando a relação - e até adotaram um novo pet, a cadelinha Halo.

7. Atualizações do motor via ADUO

Prevendo que a introdução de um novo regulamento de motores poderia aumentar a disparidade entre as equipes com o passar do tempo na F1, a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) criou um sistema batizado de ADUO: Additional Development and Upgrade Opportunities (em português: Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização).

Esse mecanismo fornece uma série de benefícios para fabricantes que estejam em um déficit considerável, e visa equilibrar a disputa ao permitir que as montadoras desenvolvam mais os seus projetos: mais tempo de testes, atualizações adicionais e reajustes no teto de gastos.

A F1 já finalizou dois dos três períodos de análise do ADUO; no primeiro, após o GP do Canadá, os resultados oficiais não foram divulgados. No entanto, a mídia especializada aponta que o motor de combustão interna (ICE) da Red Bull foi considerado o melhor do grid: a Mercedes estaria 2% abaixo da marca e a Ferrari, 4%.

Para a equipe italiana, isso se traduz em duas atualizações disponíveis ainda para esta temporada, e outras duas para 2027. Uma das modificações já foi implementada pelos engenheiros de Maranello, reforçando a resistência térmica do motor. Essa pode ser a oportunidade de ouro que a Ferrari precisa para, enfim, superar seu calcanhar de Aquiles e tornar-se uma real candidata ao título de 2026.

8. Temor da Mercedes

Antes de chegar à Ferrari, Lewis Hamilton construiu uma trajetória de sucesso pela Mercedes, com seis títulos de pilotos durante a passagem pela equipe. Em meio à disputa com Antonelli e Russell, ambos representando as Flechas de Prata, o veterano tem a consciência de que a equipe alemã sabe exatamente quem está enfrentando - o que pode se tornar um trunfo.

Toto Wolff, chefe da Mercedes e presente durante a grande fase de Lewis Hamilton na equipe, admitiu publicamente que não gostaria de enfrentar o heptacampeão em uma eventual disputa por título. De acordo com o austríaco, o britânico "sente cheiro de sangue" quando há uma oportunidade e, depois disso, se torna muito difícil de ser batido.

- Eu preferiria não disputar um título com ele (Hamilton), porque sei do que ele é capaz. Se ele sentir o cheiro de sangue, ele ataca. Já vi isso acontecer muitos anos: de repente, o “trem' Lewis Hamilton começa a andar e aí é muito difícil pará-lo - disse o gestor, ainda em junho.



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