• Terça, 01 de Setembro de 2026

SUS terá três medicamentos contra câncer de pulmão a partir de outubro

Brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe podem beneficiar 1,9 mil pessoas na rede pública

GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Cidadã acende isqueiro para fumar; prática é a principal causa de danos do pulmão segundo a medicina. (Foto: Arquivo/Paulo Francis)

SUS (Sistema Único de Saúde) começará a oferecer três medicamentos contra o câncer de pulmão a partir de outubro para ampliar o tratamento de grupos específicos de pacientes em todo o país. Brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe serão disponibilizados por meio da nova política federal de assistência farmacêutica em oncologia. O Ministério da Saúde estima que cerca de 1,9 mil pessoas poderão receber as terapias.

Os medicamentos são indicados conforme o estágio da doença e as características do tumor. Brigatinibe e gefitinibe são terapias-alvo administradas por via oral, enquanto o durvalumabe integra a classe das imunoterapias. Os tratamentos podem alcançar valores de centenas de milhares de reais por ano na rede privada.

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O brigatinibe é destinado a pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas, em estágio localmente avançado ou metastático, que apresentem alteração ALK positiva. O medicamento bloqueia um mecanismo molecular usado pelas células cancerígenas para crescer. A inclusão no SUS foi aprovada em 2025 como opção de primeira linha para esse grupo.

Já o gefitinibe atua em tumores que apresentam mutações no gene EGFR. A indicação também é voltada ao câncer de pulmão de células não pequenas em estágio avançado ou metastático. A incorporação dessa terapia à rede pública foi aprovada em 2013.

Os dois medicamentos podem ser tomados em casa e atuam diretamente sobre alterações identificadas nas células do tumor. Por isso, a indicação depende de exames que confirmem a presença dessas características moleculares. Desde 2024, o SUS também prevê teste específico para identificar mutações no EGFR.

O durvalumabe funciona de outra forma e estimula a resposta do sistema imunológico contra o câncer. O tratamento é indicado para pessoas com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio 3 que não podem passar por cirurgia e não tiveram avanço da doença depois de quimioterapia e radioterapia. A incorporação ao SUS ocorreu em 2024.

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento com durvalumabe pode custar mais de R$ 643 mil por ano na rede privada. Brigatinibe e gefitinibe, juntos, podem superar R$ 604 mil anuais. O governo federal assumirá o financiamento dentro da AF-Onco (Assistência Farmacêutica em Oncologia).

A oferta prevista para outubro não significa que os três medicamentos foram aprovados agora. Cada um passou pelo processo de incorporação ao SUS em períodos diferentes, mas ainda dependia de etapas como definição de financiamento, negociação de preços, compra e organização da distribuição. A nova política busca viabilizar esse fornecimento.

O brigatinibe terá compra centralizada pelo Ministério da Saúde. No caso do gefitinibe, hospitais e gestores locais continuarão responsáveis pela aquisição com recursos federais. Para o durvalumabe, o governo pretende estabelecer uma negociação nacional de preços e permitir que os gestores façam as compras conforme a demanda.

A AF-Onco prevê, ao todo, 23 medicamentos de alto custo para tratamento de câncer. O Ministério da Saúde estima que mais de 100 mil pessoas sejam beneficiadas pela política, com orçamento anual de aproximadamente R$ 2,1 bilhões.



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