Coronel Sapucaia
O declínio do coronelismo guerreiro no Mato Grosso do Sul
MáRIO SéRGIO LORENZETTO / CAMPO GRANDE NEWS
Terminada a guerra contra os guaranis de Solano, o Mato Grosso do Sul estava destruído. É nesse ambiente caótico que surge a figura do “coroné', homens ousados que passaram a dominar a diminuta sociedade sul-mato-grossense. Passados 500 anos, o mundo medieval desembarcava nesta região. Quem era o “coroné'? Apenas um chefete com imensas áreas de terras e com capacidade de organizar um pequeno exército, uma cópia do homem medieval europeu. Na falta de uma burguesia urbana e dos poderosos de Cuiabá e do Rio de Janeiro, foram eles que ditaram todas, absolutamente todas, as regras de convívio e das guerras que por aqui sucederam. Eles só entrariam em declínio nos anos cinquenta do século passado.
Militarmente desprotegida. Cuiabanos x gaúchos. O Mato Grosso do Sul continuava a ser descrito como uma região militarmente desprotegida. Era pouco menos que catastrófica a situação de suas instalações militares. Quartéis, armamentos e tropas estavam sempre à beira do colapso. Por outro lado, para piorar a situação, vários dos movimentos armados de contestação ao poder federal, ocorridos no Brasil nessa época, repercutiram, com maior ou menor intensidade sobre este território. As revoltas tenentistas de 1.922 e 1.924, a Coluna Prestes e a rebelião constitucionalista de 1.932, somaram-se aos inúmeros embates entre os coronéis locais. Especialmente entre os “cuiabanos' do Pantanal contra os “gaúchos’ da fronteira.
As tentativas de destruir o coronelismo. As populações viviam em estado constante de inquietação. Não foram poucas vezes que os ditos coronéis misturaram-se aos bandidos que ocupavam largos espaços na sociedade. Foi assim que o governo federal resolveu montar um programa de construção de estradas de rodagem de cunho militar. Ligariam Porto Murtinho, Bela Vista, e Ponta Porã. Também construíram estradas a localidades servidas pela Noroeste - Miranda, Aquidauana e Campo Grande. Levaram linhas telegráficas até aquelas cidades da fronteira que se encontravam até então desprovidas desse meio de comunicação e, enfim, um programa de construção de quartéis. Na faixa de fronteira, o governo federal passou a favorecer a instalação de pequenas propriedades. Eram vistas como “sinônimo de defesa e segurança nacional', algo impensável nos anos posteriores. O coroné apequenou-se, entrou em declínio.
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