• Quarta, 23 de Setembro de 2026

Rã quase invisível do Cerrado é descoberta após anos sem ser notada

Espécie encontrada em mata de galeria recebeu o nome de Vitreorana micaelae

DUDA SCHINDLER / CAMPO GRANDE NEWS


Rã é a 11ª espécie conhecida do gênero e uma das poucas encontradas no Brasil. (Foto: Afonso Meneses/Divulgação)

Com pouco mais de 2 centímetros, corpo esverdeado e aparência quase transparente, uma nova espécie de rã-de-vidro foi identificada pela ciência no Cerrado. Batizado de Vitreorana micaelae, o pequeno anfíbio foi descrito após estudos que analisaram características físicas, canto e material genético do animal.

A descoberta ocorreu em matas de galeria próximas a pequenos riachos afluentes do Rio Corumbá, em Luziânia (GO). Pesquisadores da PUC-GO (Pontifícia Universidade Católica de Goiás), UFG (Universidade Federal de Goiás) e UnB (Universidade de Brasília) conduziram o trabalho.

  • Leia Também
  • Mata Atlântica perdeu 184 mil hectares em MS enquanto lavouras avançaram 582%
  • Capital das árvores, Campo Grande encara desafio de mantê-las vivas e saudáveis

Embora parecesse semelhante a outras espécies já conhecidas, a rã apresentou diferenças que indicaram se tratar de um novo animal. Entre elas estão características do canto, da íris, da pigmentação do corpo e da região próxima à cloaca, estrutura ligada aos sistemas reprodutivo e de excreção.

“Depois que esses animais foram encontrados e o canto gravado, partimos para avaliação e comparação com outros grupos das rãs-de-vidro', explicou o biólogo Reuber Brandão, um dos autores do estudo.

A pesquisa concluiu que a Vitreorana micaelae é a 11ª espécie conhecida do gênero e uma das poucas encontradas no Brasil. O animal costuma viver no alto de árvores próximas aos rios e só é percebido com mais facilidade durante períodos de chuva intensa, quando os machos emitem seus cantos.

O Cerrado, bioma onde a nova espécie foi encontrada, ocupa mais de 62% do território de Mato Grosso do Sul e abriga uma grande variedade de animais e plantas. Mesmo assim, pesquisadores apontam que áreas naturais ainda guardam espécies desconhecidas pela ciência.

Durante o estudo, também foi observado o comportamento reprodutivo da espécie. Os ovos são depositados sobre folhas de árvores e, após a eclosão, os girinos caem nos riachos e passam a viver no sedimento da água.

A Vitreorana micaelae foi classificada como DD (Dados Insuficientes) pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), já que ainda não há informações suficientes sobre tamanho das populações e ameaças.



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.