• Segunda, 28 de Setembro de 2026

Secretaria de Saúde pede apoio federal para fiscalizar finanças da Santa Casa

Na Câmara, Marcelo Vilela diz que também irá se reunir nesta semana com Luiz Kanamura, atual gestor provisório

MYLENA FRAIHA / CAMPO GRANDE NEWS


O titular da Sesau, Marcelo Vilela, durante prestação de contas da Saúde em audiência na Câmara Municipal (Foto: CMCG/Divulgação).

Em meio à crise da Santa Casa de Campo Grande, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, disse nesta segunda-feira (28) que ainda vai se reunir com Luiz Alberto Kanamura, nomeado pela Justiça para administrar provisoriamente o hospital. Para Vilela, a mudança no comando abre a possibilidade de melhorar a gestão da instituição.

O primeiro encontro de alinhamento com o gestor deve ocorrer nesta semana, com a participação do Ministério Público. Vilela também afirmou que pediu apoio ao Ministério da Saúde para fiscalizar a situação da Santa Casa e considera possível o envio de técnicos a Campo Grande. As declarações foram feitas durante a prestação de contas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), referente ao segundo quadrimestre de 2026, na Câmara Municipal.

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Durante a apresentação, o secretário relatou que esteve no Ministério da Saúde com a prefeita Adriane Lopes (PP), conversou com representantes do Derac (Departamento de Regulação, Avaliação e Controle) e protocolou um documento sobre a Santa Casa.

Vilela disse ainda que procurou o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde). Segundo ele, pode haver uma auditoria com apoio federal, mas não há confirmação do ministério nem prazo para o envio de uma equipe.

A cobrança por acesso às contas do hospital antecede a atual mudança de direção. Em junho, quando a Santa Casa reivindicava aumento de R$ 15 milhões mensais nos repasses, Vilela afirmou que Prefeitura e Estado precisavam conhecer o custo real dos atendimentos antes de discutir novos valores.

Na ocasião, o secretário disse que o município cobrava o cumprimento das metas contratadas pelo SUS e defendia uma perícia judicial. O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, também sustentou que a análise das contas era necessária para esclarecer os custos e o déficit alegado pelo hospital.

Essas discussões ocorriam no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público para buscar uma solução para a crise e preservar os atendimentos. Em dezembro de 2025, um acordo emergencial para liberar recursos ao hospital já havia previsto auditoria externa, prestação de contas e acompanhamento da aplicação do dinheiro.

Em setembro, a crise ganhou uma frente criminal com a Operação Antidotum. A investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos da Santa Casa e levou à prisão de integrantes da antiga direção. As suspeitas seguem sob apuração, e as defesas dos investigados contestam as acusações.

Como desdobramento, a Justiça afastou a diretoria da entidade mantenedora e nomeou Kanamura gestor provisório por 180 dias. Ele recebeu poderes para reorganizar contratos, negociar com fornecedores e adotar medidas urgentes. Também deverá apresentar relatórios mensais ao Judiciário sobre a situação administrativa, financeira e operacional do hospital.

A decisão cancelou a posse de Heitor Rodrigues Freire na presidência, prevista para esta segunda-feira. Kanamura administra a instituição, mas não assumiu formalmente o cargo de presidente.

Vilela disse esperar que a gestão provisória permita ao poder público acompanhar mais de perto o uso dos recursos repassados à Santa Casa. “Nós cobrávamos a transparência do recurso', afirmou. Ele mencionou a possibilidade de uma comissão com representantes do município, do Estado e do hospital para acompanhar o custeio, mas não anunciou sua criação nem explicou como ela se relacionaria aos mecanismos de fiscalização já previstos.

Na prestação de contas, a Sesau também apresentou a auditoria especial nº 653, referente à Associação Beneficente Santa Casa, como uma apuração ainda em andamento.

O secretário voltou a mencionar os R$ 4 milhões destinados à compra de insumos para o hospital - R$ 1 milhão da Prefeitura e R$ 3 milhões do Estado. O aporte havia sido anunciado no início de setembro. Nesta segunda-feira, Vilela disse acreditar que o dinheiro estará disponível até sexta-feira (2).



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