Coronel Sapucaia
Calor faz consumo de energia subir 4% em MS e pico bate 1.374 MW no domingo
Diferença em relação ao ano passado é suficiente para abastecer Corumbá; Estado segue sob alertas climáticos
MAURíCIO AGUIAR / CAMPO GRANDE NEWS
O consumo de energia elétrica em Mato Grosso do Sul subiu 4% durante a onda de calor extremo dos últimos dias, em comparação com o mesmo período do ano anterior . Segundo a Energisa, o pico de demanda ocorreu no domingo (27), às 19h, atingindo 1.374 MW (megawatts). Essa diferença no consumo é suficiente para abastecer por inteiro a quarta maior cidade do Estado, Corumbá, a 419 km de Campo Grande.
O aumento na demanda coincide com os registros do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), que apontaram temperaturas máximas entre 38°C e 44°C no domingo, com a umidade relativa do ar caindo para níveis críticos, entre 15% e 30%. A sensação térmica atingiu 44°C na Capital e chegou a 48°C em Corumbá.
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Mato Grosso do Sul está sob alerta vermelho do Inmet para calor extremo até quarta-feira (30), abrangendo todos os 79 municípios. O aviso indica temperaturas 5°C acima da média por mais de cinco dias consecutivos. Paralelamente, vigora um alerta amarelo para baixa umidade do ar, variando entre 20% e 30%, cobrindo 59 cidades.
Segundo a Energisa, as altas temperaturas e o ar seco alteraram o comportamento dos consumidores sul-mato-grossenses. Jonas Ortiz, coordenador comercial da concessionária, explica que a maior demanda agora se concentra no início da noite, impulsionada pelo uso massivo de aparelhos de ar-condicionado.
Ortiz ressalta que, mesmo que os hábitos da família não mudem, o aumento no consumo ocorre por conta da exigência do aparelho em manter o ambiente frio em dias quentes. Se o equipamento é regulado para 22°C enquanto a temperatura externa atinge 36°C, por exemplo, o compressor precisa trabalhar por muito mais tempo.
“Quando a temperatura externa chega a 36°C, o esforço do equipamento é ainda maior, o que aumenta o consumo de energia. Se os aparelhos funcionam por mais tempo, como consequência, temos um maior consumo de energia para manter as temperaturas programadas nos aparelhos', explica.
Para conter o impacto na conta de luz durante este período de alta demanda da rede, o especialista recomenda medidas práticas. É fundamental realizar a limpeza semanal dos filtros do ar-condicionado e manter os ventiladores ligados apenas enquanto houver pessoas no local, já que esses aparelhos apenas movimentam o ar e não resfriam o ambiente. Outra orientação é posicionar geladeiras e freezers afastados de fontes de calor e da luz solar.
Calor extremo e alerta de tempestade – Além do calor forte e da seca, MS enfrenta o risco de instabilidades temporárias. O Inmet também emitiu um alerta amarelo para tempestades cobrindo 75 municípios. A previsão aponta para chuvas isoladas entre 20 e 30 mm/h (ou até 50 mm/dia), acompanhadas de ventos intensos com velocidades entre 40 e 60 km/h.
O cenário atípico em todo o país é influenciado pelo fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Atualmente, a temperatura do oceano registra índice 0,5°C acima da média, com projeção de evolução para o chamado Super El Niño caso o aquecimento alcance 2°C no último trimestre deste ano.
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