Coronel Sapucaia
Figueiras históricas ganham novas gerações pelas mãos da ciência
Mudas reproduzidas de árvores da década de 1930 renovam a paisagem e ajudam a preservar memória da Capital
LUCIA MOREL / CAMPO GRANDE NEWS
As imponentes figueiras (Ficus microcarpa), que marcam a paisagem e o coração de Campo Grande na Avenida Mato Grosso e também na Afonso Pena, ganharam uma aliada contra o tempo e os desafios urbanos: a ciência. A informação não é nova, mas aproxima a espécie da eternidade.
Ao todo, a Avenida Mato Grosso conta com 16 figueiras da espécie. Esses exemplares foram plantados entre 1937 e 1941 e possuem idade estimada entre 85 e 89 anos. Conforme a pasta, elas integram o patrimônio arbóreo de interesse público do Município.
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O projeto da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), já plantou 4 clones na Avenida Mato Grosso, mas um deles não resistiu ao temporal do dia 10 de setembro, quando foram registrados ventos de até 83 km/h.
Conforme a secretaria, auditores-fiscais de meio ambiente fazem monitoramento contínuo porque, pela magnitude e pela idade avançada, todo cuidado é pouco. As árvores tombadas como centenárias sofrem com o envelhecimento natural, chamado de senescência, mas também passam pelos estresses urbanos como impermeabilização do solo, compactação e ataques de pragas (a exemplo da mosca-branca).
Apenas em 2026, por exemplo, a prefeitura precisou autorizar a supressão de duas figueiras na Avenida Mato Grosso devido a comprometimentos estruturais graves, além de registrar a perda de outro exemplar atingido por um evento climático extremo em setembro.
Diante disso, a reposição com mudas clonadas funciona como uma transição responsável, mas também histórica. O plantio gradual evita perdas bruscas na paisagem e garante a segurança de quem transita pelas ruas, sem romper com a memória afetiva da população.
O Viveiro Municipal Flora do Cerrado cultiva as mudas, que são verdadeiras 'cópias e colas' genéticas das tradicionais figueiras da Avenida Afonso Pena. O segredo por trás da perpetuação é a estaquia, um método de reprodução assexuada.
Na prática, a equipe técnica usa segmentos vegetativos das próprias matrizes históricas. Estas têm ainda uma vantagem: já provaram sua total capacidade de adaptação ao solo e ao clima severo de Campo Grande.
O Decreto 13.957, de 8 de agosto de 2019, protege as árvores por tombamento conjunto, pelo seu valor histórico e paisagístico. Conforme registros municipais, elas são uma referência histórica e urbanística que representa uma fase importante da evolução da cidade.
Confira a galeria de imagens:
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