• Terça, 06 de Outubro de 2026

Casamento em mirante teve piano, pôr do sol e 10 convidados

Após duas décadas de união, Patrícia e Edgar celebraram a cerimônia ao ar livre na presença da família

THAILLA TORRES / CAMPO GRANDE NEWS


Com piano e vista para as montanhas, cerimônia foi preparada para apenas 10 convidados. (Foto: Ricardo Gomes)

Após 20 anos juntos, Patrícia Oliveira Ribeiro e Edgar Oliveira Rezende decidiram que não precisavam de salão lotado, centenas de convidados ou uma festa enorme para finalmente realizar um sonho antigo. Foram para um mirante em Sidrolândia, colocaram um piano diante dos morros, chamaram dez pessoas e esperaram o pôr do sol.

As fotos ajudam a entender por que Patrícia diz que saiu daquele dia com a sensação de que tudo havia cooperado. No alto do mirante, cadeiras transparentes cercavam um pequeno deck de madeira. Vasos com velas marcavam o caminho. À frente havia a paisagem e um piano.

O instrumento foi um dos detalhes bonitos da história e não estava ali só para compor a fotografia. Patrícia cresceu cercada por ele.

'Na casa da minha avó tinha piano. Lembro que, desde pequena, removíamos o tapetinho vermelho, meu avô ou meu pai me colocava no colo e brincávamos de tocar. Sempre nas reuniões de família tinha alguém tocando', conta.

O pai de Patrícia já morreu. Por isso, quando conseguiu colocar o instrumento na cerimônia, ela sentiu que ele também estaria representado naquele lugar. 'O piano foi como a figura do meu pai, que não está mais entre nós. Quando deu certo o piano, eu falei: 'Agora tudo será lindo'.'

Mas para chegar àquele mirante foi preciso voltar bastante no tempo. Patrícia tinha 16 anos e Edgar, 15. Ela era amiga do irmão dele, pegava carona para ir à escola e já estava interessada. Edgar, segundo ela, não dava muita atenção. Isso mudou nas férias.

Um dia, Patrícia estava arrumada quando precisou sair correndo atrás do cachorro que havia escapado. Edgar a viu e, aparentemente, foi ali que resolveu prestar atenção na garota que já estava tão perto.

'Ele disse que ali me viu de forma diferente. Claro, né? Eu estava arrumada', brinca.

Edgar conseguiu o número dela com o irmão e mandou um SMS. As conversas aumentaram, cerca de um mês depois veio o primeiro beijo e, em 11 de março, começaram oficialmente a namorar.

Até o pedido de namoro teve um empurrão de Patrícia. Durante uma pequena discussão, ela soltou que os dois nem namoravam. Edgar perguntou o que faltava para aquilo ser um namoro. 'Eu falei: 'Você pedir'.'

A história seguiu por caminhos bem diferentes daquela paquera adolescente. Patrícia engravidou enquanto ainda namorava Edgar e os dois começaram a construir a família. O filho, Pedro, hoje com 19 anos, acabaria tendo papel importante também no casamento dos pais.

Mesmo depois de duas décadas juntos, a vontade de viver uma cerimônia nunca desapareceu. Maquiadora especializada em noivas, Patrícia acompanha casamentos de perto praticamente todos os dias.

'Eu vivo esse sonho de perto. Sou maquiadora e me especializei em noivas, então lido quase diariamente com esse universo de casamento e vejo de perto o quão mágico é esse momento', diz.

Ela chegou a tentar organizar o próprio casamento outras vezes. Mas havia uma questão: quando pensava em uma festa, acabava pensando muito mais no que faria para os outros do que no que realmente queria viver.

'Sabe um dos motivos de eu sempre ter adiado esse momento? Porque eu queria fazer algo para a família, para os que amamos, sim, mas não necessariamente para mim. Já tentei organizar meu casamento algumas vezes.'

A ideia inicial nem era realizar uma cerimônia. Patrícia pensava em fazer um ensaio fotográfico. Durante as conversas, o fotógrafo sugeriu transformar aquilo em um elopement wedding, formato de casamento pequeno e intimista. Foi quando apareceu o mirante.

'Isso já era um sonho, casar em um lugar diferente, cheio de natureza, mas ainda não tinha o lugar. Quando conheci o mirante, falei: 'Será esse o lugar'. Aquela vista me tirou o fôlego.'

E a lista de convidados ficou em dez pessoas. Patrícia queria perto dela quem realmente havia acompanhado a vida construída pelo casal.

'Eu falei: 'Será algo para celebrar o que deu certo no íntimo'. São pessoas que fizeram parte de perto do meu casamento, da nossa família. Eu me senti tão amada. Quem estava ali foi pedra angular na nossa casa e família.'

Se o piano carregava a memória do pai, coube ao filho representar outra parte da história. Pedro entrou com a mãe.

Aos 19 anos, ele caminhou ao lado de Patrícia até o lugar onde Edgar a esperava. Para ela, não poderia haver companhia mais coerente. Afinal, o filho esteve justamente no começo da família que agora os pais celebravam.

'Eu entrei com meu filho. Ele foi o elo do início da nossa família. Eu namorava o Edgar quando fiquei grávida e iniciamos o nosso casamento.'

Patrícia conta que a entrada dos dois emocionou os convidados. Para ela, também está entre as cenas que não estavam exatamente dimensionadas antes de acontecer. 'Entrar com Pedro ao meu lado deixou todos emocionados.'

No altar, outro amigo próximo da família, que também é pastor, conduziu a oração. A troca de votos misturou risadas e emoção. 'Foi um momento divertido e muito emocionante. Era contemplar algo que Deus fez dar certo, uma vida de 20 anos juntos. Eu falei que a maior parte da minha vida já era ao lado dele.'

Patrícia queria casar com o sol descendo atrás das montanhas, embora ainda não soubesse exatamente como seria o entardecer visto daquele ponto. Nos dias próximos à cerimônia, havia até possibilidade de temporal. Também fazia muito calor. Ainda assim, ela conta que estava estranhamente tranquila.

'Queríamos um pôr do sol lindo e Deus fez o seu show. Eu estava supertranquila porque tudo estava tão perfeito. Sentia uma calma muito grande.'

Quando finalmente viu o sol desaparecer atrás da paisagem, teve a confirmação. 'Eu não tinha visto o pôr do sol de lá ainda. Me surpreendi muito. Estava impecável.'

Se fosse obrigada a guardar uma cena, porém, Patrícia escolheria o começo. 'Foi na hora em que eu estava entrando e vi aquela natureza, minha mãe, meu marido me esperando com um sorriso lindo e senti: 'Sou amada por Deus, sou amada pela minha família'. E eu amando muito todos eles.'

Durante a cerimônia, ela diz que quase não conseguiu organizar o que sentia. 'Eu estava anestesiada. Era um mix de sentimentos: gratidão, alegria, vontade de pular, cantar, gritar. Um sentimento de ser amada, sabe? Então eu só sabia sorrir e beijar o noivo', finaliza.



Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.