Coronel Sapucaia
Paraguai alerta sobre produtos estéticos ilegais que já circulam no Brasil
Fronteira de MS está na rota de itens clandestinos vendidos em clínicas e na internet
HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
A circulação clandestina de produtos usados em procedimentos estéticos acendeu um novo alerta no Paraguai e também chama atenção do lado brasileiro da fronteira. A Dinavisa (Direção Nacional de Vigilância Sanitária) identificou a comercialização irregular de Sculptra e Power Col-Tra, 2 produtos injetáveis utilizados para estimular a produção de colágeno e recuperar volume facial.
O alerta do órgão paraguaio, equivalente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) do Brasil, tem forte repercussão em Mato Grosso do Sul, onde medicamentos e insumos estéticos trazidos irregularmente do país vizinho já aparecem em apreensões.
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O comunicado das autoridades paraguaias aponta que as unidades encontradas no país não possuem registro sanitário e teriam entrado no Paraguai por canais não autorizados. Sem controle sobre a cadeia de distribuição, a Dinavisa afirma que não é possível garantir a origem, a autenticidade e a esterilidade dos produtos, nem saber se foram transportados e armazenados em condições adequadas.
Sculptra e Power Col-Tra são produzidos à base de ácido poli-L-láctico e aplicados sob a pele. A substância funciona como bioestimulador, induzindo a produção de colágeno. Por serem injetáveis, falhas na procedência, conservação ou aplicação aumentam os riscos.
Segundo a autoridade sanitária paraguaia, produtos irregulares podem provocar infecções agudas, reações alérgicas graves e lesões que aparecem semanas ou até meses depois do procedimento. Em situações mais graves, o paciente pode precisar de tratamento prolongado ou cirurgia.
As unidades suspeitas foram localizadas durante fiscalizações em farmácias da região de fronteira, spas e clínicas de estética. A Dinavisa também constatou a oferta pela internet e em redes sociais. A orientação é que pacientes verifiquem o registro sanitário e a procedência do produto antes de qualquer aplicação e procurem estabelecimentos e profissionais habilitados.
O alerta ocorre em função da expansão do mercado clandestino de medicamentos e insumos destinados à estética e ao emagrecimento na fronteira entre Paraguai e Brasil.
Forças policiais de Mato Grosso do Sul registram aumento gradativo principalmente na entrada irregular das chamadas canetas emagrecedoras. Levantamento divulgado pela Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) apontou que, desde 2025, mais de 3 mil caixas desse tipo de medicamento haviam sido apreendidas no Estado, em sua maioria provenientes do Paraguai.
Dados da Receita Federal obtidos pelo Campo Grande News também mostraram uma escalada desse mercado. O valor das apreensões de canetas emagrecedoras passou de R$ 750 mil em 2024 para R$ 4,5 milhões somente entre janeiro e maio de 2026. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) havia apreendido 9.927 unidades desde junho de 2025. As cargas que atravessam Mato Grosso do Sul não abastecem apenas consumidores locais e são enviadas para outras regiões do país.
Produtos especificamente ligados à estética também já apareceram nesse fluxo. Em dezembro de 2025, por exemplo, policiais encontraram em um veículo abordado na MS-164, em Ponta Porã, uma carga retirada em Pedro Juan Caballero e que seria levada até Campo Grande. Além de 256 caixas de medicamentos à base de tirzepatida, havia sete caixas de botox, anabolizantes, perfumes, cremes e eletrônicos. Nenhuma das mercadorias possuía documentação que comprovasse importação regular.
Registros anteriores mostram que o problema não se limita às canetas para emagrecimento. Relatório de química forense da PF (Polícia Federal) classificou como crescente o mercado clandestino de produtos destinados à estética.
O documento cita, inclusive, um caso em Mato Grosso do Sul envolvendo profissionais de odontologia que utilizavam medicamentos e produtos de origem desconhecida adquiridos ilegalmente no Paraguai para procedimentos.
No caso do Sculptra, o alerta não está restrito ao Paraguai. Em agosto deste ano, a Anvisa determinou a apreensão de unidades falsificadas do bioestimulador encontradas no mercado brasileiro. A fabricante responsável pelo produto registrado identificou embalagens com características diferentes das originais. A agência proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e uso dessas unidades.
A Dinavisa orienta quem já recebeu aplicação dos produtos sob suspeita a procurar atendimento médico imediatamente caso apresente dor intensa, vermelhidão, nódulos, alteração na coloração da pele ou problemas de visão. Farmácias, distribuidores e clínicas paraguaias foram orientados a retirar de circulação as unidades sem registro e colocá-las à disposição da autoridade sanitária.
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