Coronel Sapucaia
Audiência sobre Centro Pop termina sem acordo e impasse no Amambaí continua
Moradores e comerciantes apontam clima de insegurança; Prefeitura tem até esta sexta para se manifestar
MAURíCIO AGUIAR / CAMPO GRANDE NEWS
Confira a galeria de imagens:
Terminou nesta sexta-feira (9) o prazo para que a Prefeitura de Campo Grande apresente sua defesa técnica sobre a instalação do Centro Pop no bairro Amambaí. A medida ocorre após a audiência de conciliação entre a gestão municipal e os moradores da região ter terminado sem acordo na última segunda-feira (6).
Conforme apurado pelo Campo Grande News, na audiência, a gestão municipal defendeu a manutenção do funcionamento do Centro Pop na região. A Prefeitura sustentou que a unidade está situada em endereço próprio e alegou que a proximidade com a instituição de ensino não comprova, por si só, qualquer ilegalidade ou risco concreto.
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Além disso, o Município afirmou ter intensificado o patrulhamento na área com plantão permanente da Guarda Civil Metropolitana.
Por outro lado, relatos apresentados por moradores que ingressaram com a ação contestam a efetividade das medidas e reforçam que a rotina do bairro sofreu alterações desde o anúncio e a mudança da unidade para o local.
De acordo com o processo, a presença constante da Guarda Civil Metropolitana não tem se confirmado na prática. Moradores apontam que, após o encerramento do expediente do Centro Pop, dezenas de frequentadores permanecem nos arredores consumindo bebidas alcoólicas e substâncias.
Insegurança e impacto no comércio – A proximidade do Centro Pop com a Escola Municipal José Rodrigues Benfica é um dos pontos centrais do questionamento dos moradores. Os relatos apontam que alunos e professores têm se mostrado apreensivos com a presença da instituição, com registro de episódios de pessoas em estado de embriaguez ou sob efeito de drogas na calçada da escola.
Há relatos de que, ainda durante o período de reformas do imóvel do Centro Pop, homens chegaram a subir no muro da unidade para abordar estudantes. O clima de tensão se intensificou com a denúncia de invasão ao prédio escolar, noticiada pelo Campo Grande News no dia 5 de outubro, um dia antes da audiência.
O comércio local também relata prejuízos e medo. Segundo uma idosa que atende principalmente crianças e estudantes que compram doces e salgados no contraturno, há abordagens ostensivas e agressivas a clientes, além do aumento de furtos na vizinhança, como o furto frequente de hidrômetros de água.
Exigência de estudos técnicos – Diante da falta de consenso, a defesa dos moradores cobra a apresentação de uma série de estudos por parte da Prefeitura, como o Estudo de Impacto de Vizinhança e o Relatório de Impacto de Vizinhança, além de análises de mobilidade urbana, segurança pública e avaliação de impacto direto sobre a Escola Benfica, comércios e equipamentos urbanos do entorno.
Além disso, os moradores pedem que a Prefeitura apresente um plano operacional detalhado, com horários de atendimento, capacidade, fluxos de pessoas, metas e protocolos de gestão de riscos, bem como protocolos específicos de resposta e prevenção a incidentes, focados na proteção de crianças, idosos e moradores da área.
Também deve ser anexado aos autos o histórico de acionamentos da Guarda Civil Metropolitana e registros de ocorrências formais enviadas por escolas, igrejas e comerciantes do Amambai.
Com o fim do prazo para a Prefeitura se manifestar e juntar aos autos a documentação exigida, o processo segue para apreciação do juiz. A decisão judicial poderá definir se a instalação do Centro Pop no bairro Amambaí será mantida, suspensa temporariamente ou sujeita a novas medidas de segurança e adequação.
O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura para questionar se a manifestação foi anexada aos autos, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.
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