• Terça, 13 de Outubro de 2026

Aos professores, minha eterna gratidão

ANDRé BORGES(*) / CAMPO GRANDE NEWS


O Dia do Professor sempre me faz voltar no tempo. Faz lembrar as salas de aula, os livros, as provas, as dúvidas e, principalmente, as pessoas que ajudaram a formar aquilo que somos. Depois de tantos anos, percebo que alguns professores nunca deixam realmente de nos ensinar.

Tive a felicidade de encontrar grandes mestres durante minha formação. Professores diferentes entre si, cada qual com sua maneira de ensinar, mas que tinham algo em comum: levavam o conhecimento a sério e despertavam nos alunos a vontade de aprender.

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Seria impossível mencionar todos. A memória certamente cometerá injustiças e, desde já, peço perdão pelos nomes que o tempo me fizer esquecer. Mas alguns permanecem muito presentes quando recordo minha formação.

Lembro-me de Pietro Falco, Leonardo Nunes da Cunha, Josué de Oliveira, Cezar Miozzo, Marco Antonio Cândia e Vladimir Rossi Lourenço. Cada um, à sua maneira, deixou ensinamentos que ultrapassaram o conteúdo das disciplinas. Com eles, aprendi também a observar o Direito com responsabilidade e seriedade.

Tive ainda o privilégio de aprender com professores que se tornaram grandes referências do pensamento jurídico brasileiro. Celso Antônio Bandeira de Mello, Maria Helena Diniz, Tércio Sampaio Ferraz Júnior, Maria Garcia, Paulo de Barros Carvalho e Celso Ribeiro Bastos fizeram parte dessa caminhada.

Na juventude, talvez não percebamos inteiramente o privilégio que é estar diante de um grande professor. Estamos preocupados com provas, trabalhos, notas e com o futuro que parece demorar a chegar. Somente depois compreendemos quanto daquelas aulas ficou dentro de nós.

E ficou muito. Uma explicação ouvida décadas atrás reaparece diante de um problema profissional. Uma frase do professor ajuda a compreender um processo difícil. Um conceito estudado na faculdade oferece a resposta quando precisamos tomar uma decisão importante.

Que época boa, a dos estudos. Havia a ansiedade natural de quem queria começar a vida profissional, mas também havia o prazer de descobrir coisas novas. Hoje sei que não estudávamos apenas para receber um diploma. Estávamos construindo as ferramentas que usaríamos pelo resto da vida.

O Direito mudou muito desde então. Mudaram as leis, os tribunais, a maneira de pesquisar e até a forma de estudar. Vieram os computadores, a internet e agora a inteligência artificial. Mas existe algo que nenhuma tecnologia consegue substituir: o professor que desperta no aluno a vontade de pensar.

Também me tornei professor. E talvez por isso compreenda hoje ainda melhor a importância daqueles que encontrei pelo caminho. Ensinar não é apenas transmitir conhecimento. É dividir experiência, provocar perguntas e, muitas vezes sem perceber, influenciar escolhas que acompanharão o aluno durante toda a vida.

Se tenho conseguido sobreviver por tantos anos neste difícil mundo jurídico, devo muito aos mestres que tive. Em algum lugar de minhas petições, aulas, argumentos e pensamentos certamente existe um pouco de cada um deles.

Neste Dia do Professor, minha homenagem é simples e vem acompanhada de uma enorme gratidão. Aos que mencionei e aos tantos que injustamente ficaram fora destas linhas, deixo uma palavra que talvez seja a mais importante que um aluno possa dirigir aos seus mestres: obrigado.

(*)André Borges, advogado e professor de direito constitucional.



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