Coronel Sapucaia
Delivery e transporte por app facilitam a rotina, mas viram "vilão" no orçamento
Será que a praticidade compensa o custo adicional? Economista orienta sobre o dilema
IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS
Depois de um dia cansativo de trabalho, pedir comida por aplicativo ou chamar um carro para chegar mais rápido em casa pode parecer a solução mais prática. Com poucos toques na tela, é possível resolver parte da rotina sem precisar enfrentar a cozinha ou esperar pelo transporte público.
No entanto, a comodidade tem um preço e, quando os gastos se acumulam ao longo do mês, o impacto no orçamento pode ser maior do que o esperado.
A supervisora Andreia Castilho, de 24 anos, conta que costuma recorrer ao ifood principalmente à noite, quando chega cansada do trabalho. A frequência dos pedidos e o uso de outros aplicativos representam uma despesa mensal que exige atenção. No ano, essa conta representa, em média, gasto significativo de R$ 5.400.
'De ifood acho que é uns 300 por mês, geralmente eu compro mais janta, chego tarde do trabalho; peço duas vezes por semana, porque chego cansada do trabalho. De aplicativo é 150,00 por mês', relatou.
Para ela, o desafio é perceber para onde o dinheiro está indo. Mesmo quando as compras parecem pequenas e pontuais, a soma das despesas pode comprometer uma parte significativa da renda. Por isso, ela adotou o hábito de registrar os gastos periodicamente para entender melhor o próprio orçamento.
'A gente nem vê, depois que coloca na ponta do lápis vê para onde foi cada coisa. Vou anotando, faço a cada 10 dias, vou anotando tudo. Só vou comprando, depois vejo se dá ou não', disse.
A atendente Thaisa Modesto, de 22 anos, também utiliza aplicativos para pedir comida, principalmente nos dias em que está mais cansada. Ela trabalha até as 18h40, no Centro de Campo Grande, e divide com o marido os pedidos de lanches e espetinhos. Já os gastos com transporte por aplicativo diminuíram em comparação ao mês passado.
'Peço toda semana, sou eu e meu marido, então, gastamos entorno de 200 por mês, pedimos mais lanche e espetinho, no dia que estou mais cansada. No começo quando eu comecei a trabalhar eu gastava mais de motorista de aplicativo, agora não gasto muito, daqui da minha casa gasto 5, 6 reais, não passa de 100', explicou.
Para manter as despesas sob controle, Thaisa observa quais categorias estão consumindo mais dinheiro e procura reduzir os gastos quando necessário. A estratégia inclui diminuir os pedidos de comida e repensar a forma de se deslocar. Antes, ela fazia o trajeto de ida e volta do trabalho de moto por aplicativo, mas passou a priorizar o ônibus, uma alternativa mais econômica.
'Tem mês que a gente tenta não gastar, vê o que está gastando muito e o que não está gastando e tenta cortar um pouco, como lanche e Uber. No começo eu vinha e ia embora de moto Uber, quando era temporada de chuva eu pagava 15,00 de carro, e o ônibus é mais barato', pontuou.
Já a enfermeira esteta Sâmela Miajo, de 28 anos, procura limitar os pedidos de comida, que acontecem principalmente nos fins de semana. Ela estima gastar, no máximo, R$ 100 por mês com delivery e prefere preparar as próprias refeições. Além de ajudar a controlar os gastos, o hábito está relacionado a um momento em que ela busca economizar para investir.
'No máximo 100, nem isso, é muito pouco, é mais fim de semana. Geralmente peço sushi ou pizza. Eu gosto de preparar minha comida, até porque eu estou investindo agora, então, preciso economizar um pouco. Eu sou bem controlada', destacou.
Mesmo com um consumo reduzido, Sâmela reconhece que a praticidade dos aplicativos pode pesar no orçamento, especialmente quando o cansaço fala mais alto.
“Pesa no bolso, as vezes vai fazer outras coisa e vê, fica com preguiça de fazer uma janta, aí dá uma pesadinha'.
Impacto - Para o economista Odirlei Fernando Dal Moro, a comodidade oferecida pelos aplicativos pode resultar em custos elevados quando se torna um hábito frequente.
“A questão dos aplicativos para compra de alimentação tem facilitado muito a vida das pessoas, mas, no entanto, esse pequeno gasto diário ao longo de um mês compromete e muito o orçamento familiar. Na prática mostra que a despesa com a alimentação fica extremamente caro, por conta de uma mera comodidade, sendo que se voltar a ter o hábito de comprar as coisas, cozinhar em casa, o custo acaba sendo bem menor e por vezes mais saudável, tanto para o bolso quanto para a saúde', destacou.
Dal Moro recomenda estabelecer uma programação financeira mensal, definindo limites para cada categoria de consumo. A orientação é reservar os serviços de entrega para ocasiões específicas, em vez de utilizá-los diariamente.
“A melhor forma é fazer uma programação financeira para o mês e deixar esse consumo com os aplicativos para momentos oportunidades, como fim de semana ou alguma outra data específica', completou.
Ainda na avaliação do economista, o consumidor precisa considerar os impactos financeiros das escolhas cotidianas e decidir se a praticidade compensa o custo adicional.
“Tem que retirar esse consumo do orçamento, pois compromete muito o orçamento da pessoa, tem que programar as despesas, programar a questão da alimentação e tudo isso dá muito trabalho, só que a pessoa tem que entender que ela está diante de um dilema: ou ela paga caro pela comodidade e vai ter problema financeiro, ou ela paga caro pela disciplina, não tendo problema financeiro e obviamente tendo que abrir mão desses benefícios do mundo moderno que, na prática, é bom por um lado, mas por outro diminui nossa renda', finalizou.
Conforme dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a alimentação fora do domicílio registrou queda de 0,10% em setembro. No grupo de transportes, o maior aumento foi observado no transporte por aplicativo, com alta de 3,9%.
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