Coronel Sapucaia
Temporais causam estragos no campo e afetam estradas rurais no sul de MS
Volume de precipitação supera os 440 milímetros em Naviraí e região tem mais chuva nesta quarta-feira
HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS
As chuvas intensas dos últimos dias têm provocado transtornos em municípios da região sul de Mato Grosso do Sul, com estradas rurais danificadas, interrupção no fornecimento de energia elétrica e prejuízos para produtores da agricultura familiar.
Em Naviraí, a 359 km de Campo Grande, o volume acumulado desde o início de outubro já supera 440 milímetros, enquanto Dourados se aproxima dos 230 milímetros e Ivinhema ultrapassa os 210 milímetros, conforme dados da Embrapa Agropecuária Oeste.
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Em Dourados, foram registrados 28 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. O volume acumulado no município durante os primeiros 14 dias de outubro já supera a média histórica para o mês inteiro, de aproximadamente 148 milímetros.
Uma das situações mais preocupantes ocorre no Assentamento Dorcelina Folador, no município de Ponta Porã, onde a queda de um poste da rede de distribuição de energia, provocada pelas condições climáticas, deixou famílias sem eletricidade por mais de 24 horas.
Segundo relatos dos moradores, a interrupção começou por volta das 3h da madrugada de terça-feira (13) e comprometeu atividades essenciais nas propriedades rurais. Além da falta de iluminação, famílias enfrentam dificuldades para conservar alimentos, abastecer reservatórios de água e manter equipamentos utilizados na produção agrícola.
O caso mais delicado envolveu um morador acamado que depende de aparelhos de oxigênio. Com a interrupção prolongada da energia, a comunidade teme que os equipamentos de reserva deixem de funcionar.
A líder comunitária Honorina Herrero relatou que a situação também já provocou perdas na produção de ovos, devido ao desligamento das chocadeiras elétricas.
'Estamos sem energia aqui no assentamento Dorcelina Folador desde às 3h da manhã de ontem. E já está acabando a bateria do celular, a chocadeira já estragou os ovos e tem um paciente que precisa de oxigênio', alertou.
Moradores também relatam o descarte de alimentos perecíveis e dificuldades de comunicação, já que os celulares estão ficando sem bateria. A comunidade pede atendimento urgente da concessionária responsável pelo fornecimento de energia e apoio dos serviços municipais de saúde e Defesa Civil, principalmente para garantir a segurança do paciente que necessita de oxigênio.
Nesta manhã, o Campo Grande News não conseguiu contato com a líder comunitária. A Energisa informou através da assessoria de comunicação que não há registro do apagão no assentamento.
Estradas rurais danificadas
Em Naviraí, o excesso de chuva também compromete as condições de tráfego nas estradas vicinais, utilizadas diariamente por produtores rurais, trabalhadores e veículos do transporte escolar.
O gerente de Obras da Prefeitura de Naviraí, Fabiano Costa, afirmou que o município enfrenta dificuldades para realizar a manutenção das vias devido à sequência de dias chuvosos. Segundo ele, o volume de água acumulado neste período é incomum, especialmente na transição entre o inverno e a primavera.
“Nunca tivemos tanta chuva acumulada num período aí. Saída de um inverno chuvoso, saída de inverno, início de primavera aí, com muita chuva', afirmou.
De acordo com o gerente, houve episódios de chuva de aproximadamente 120 milímetros, considerados por ele incomuns para esta época do ano. A intensidade das precipitações tem provocado danos em diferentes trechos da malha viária rural.
O problema atinge especialmente os produtores que estão em período de plantio e precisam utilizar as estradas para transportar insumos, máquinas e equipamentos agrícolas.
Fabiano explicou que a prefeitura tem recebido cobranças para recuperar os trechos danificados, mas a continuidade das chuvas impede a entrada de máquinas pesadas em diversos pontos.
“Todos os dias praticamente está chovendo. Se não está chovendo, está garoando', relatou.
Segundo ele, as condições do solo dificultam tanto a retirada de cascalho das áreas de extração quanto os serviços de patrolamento. A utilização de máquinas com o terreno encharcado pode agravar os danos existentes, em vez de melhorar as condições das vias.
Por isso, a administração municipal precisa aguardar pelo menos dois ou três dias de sol para retomar determinados serviços de recuperação.
Fabiano Costa também alertou para o risco de rompimento de uma estrada rural na região da represa da Fazenda Girassol. Segundo ele, as chuvas já provocaram o desbarrancamento de parte da lateral da via, comprometendo sua estrutura.
“É a estrada da represa da Fazenda Girassol, que está para romper também. Já começou a desbarrancar na lateral', afirmou. O relato indica que a continuidade das chuvas pode agravar os danos no trecho.
Plantio e transporte escolar
Com aproximadamente mil quilômetros de estradas vicinais sob responsabilidade da prefeitura, Naviraí enfrenta o desafio de atender diferentes comunidades rurais com uma quantidade limitada de máquinas.
Fabiano informou que as equipes estão priorizando os trechos utilizados para o escoamento da produção agrícola e aqueles que dão acesso às áreas onde estão sendo realizados os trabalhos de plantio.
Outra preocupação é garantir a circulação dos ônibus escolares, evitando que as condições das estradas prejudiquem o deslocamento dos estudantes que vivem na zona rural.
Segundo o gerente, a prefeitura já vinha realizando trabalhos de recuperação das estradas antes do período chuvoso, o que ajudou a melhorar as condições de parte da malha viária. Mesmo assim, o volume excepcional de água provocou novos danos e comprometeu trechos que precisam de manutenção.
Ele pediu compreensão aos produtores e moradores enquanto as condições climáticas não permitem a retomada integral dos serviços.
A sequência de chuvas mantém a pressão sobre a infraestrutura rural da região sul do Estado. Além dos danos às estradas, os problemas no fornecimento de energia e as perdas relatadas por pequenos produtores mostram que os impactos vão além dos alagamentos e podem comprometer tanto a rotina das famílias quanto as atividades econômicas no campo.
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