Coronel Sapucaia
Do cru ao cozido: aprendemos a falar comendo e a ser proprietário
MáRIO SéRGIO LORENZETTO / CAMPO GRANDE NEWS
Ao que tudo indica foi na China, há aproximadamente quinhentos mil anos, onde conseguiram pela primeira vez domesticar o fogo. Em Zhukudian, ao lado de Pequim, descobriram restos de fogueiras, acesas pelos que recebem o nome de “Homem de Pequim'.
Mais energia para o cérebro. A domesticação do fogo constitui uma das maiores transformações de nosso corpo: os alimentos se tornam mais fáceis de assimilar, permitindo aumentar a quantidade de energia que chega ao cérebro, além de tornar comestíveis vegetais até então tóxicos. Isso elimina vírus e bactérias que nos matavam. O fogo domesticado permite viver no frio e, a prolongar o tempo acordado com as reuniões ao anoitecer em volta da fogueira.
Os deuses comem. O homem começa a ritualizar sua relação com a comida. Roga aos deuses para obter algo para comer. Alguns deuses comem entre si e com os homens. O homem observa as estrelas para saber em que momento caçar, coletar ou viajar. Começa a compreender que a ingestão de certas plantas alivia e cura. Surgem rituais que lhe dizem que coisas estão autorizados a comer e quais estão proibidas.
Os mais fortes e os poderosos religiosos. Nesse momento, sem dúvida, os mais fortes, chefes de bandos e tribos, bem como os primeiros sacerdotes, fazem respeitar as regras alimentares. Eles, todavia, são os primeiros homens a desperdiçar alimentos. Também é possível que eles comam mais que mulheres e crianças. Estas, estão separadas dos homens durante as refeições. No entanto, são elas que prepararam as refeições.
E surgem a propriedade e a linguagem. É nessa época que surge o sentido da propriedade. Passam a surgir donos de mulheres, do que coletam, do que caçam, dos alimentos cozidos. E, seguramente, nesse tempo, surgem os primeiros sinais do que terminará por ser a linguagem.
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